Atualizada em 19 OUT, 2021, às 20:15, para inclusão do entretítulo “Indícios de censura”.
Às vésperas da apresentação do relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, no Senado, o debate sobre a responsabilização do Governo Federal pelas mais de 600 mil mortes causadas pela pandemia reaquece. Nesta segunda-feira (18), vítimas e familiares foram ouvidos pelos senadores. Nesse contexto, o Humanista publica edição do programa “Por volta do meio-dia”, produzido por estudantes da Fabico em fevereiro, que explora as motivações para um possível impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
O documento produzido pelo relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB/AL), deve apontar que Bolsonaro responda por crimes como homicídio por omissão, charlatanismo, epidemia com morte e fraude de documentos, além de crime de reponsabilidade (que é o objeto de processo de impeachment). O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP/AL), analisa mais de 100 pedidos de impeachment, alguns protocolados antes mesmo da pandemia de Covid-19. Ele alega não ter um prazo legal para decidir abrir ou não qualquer um dos processos.
O programa “Por volta do meio-dia” é uma produção da disciplina Radiojornalismo III, ministrada pela professora Sandra de Deus, e é veiculado pela Rádio da Universidade. A edição sobre o possível impeachment de Bolsonaro foi produzida em fevereiro de 2021 e tem como base um projeto da Pública – Agência de Jornalismo Investigativo que monitora o tema e indica que até o início de outubro 139 pedidos já haviam sido protocolados. Ouça!
EXPEDIENTE Produção e roteiro: Fernanda Polo, Gabrielle de Luna, Giovanna Parise, Júlia Ozorio e Luana Schwade. Técnica: Neudimar da Rocha. Orientação: professora Sandra de Deus.
Indícios de censura
Esta edição do programa “Por volta do meio-dia” gerou insatisfação entre estudantes que a produziram, em razão de indícios de censura durante a sua primeira transmissão na Rádio da Universidade, em 19 de fevereiro de 2021. Após rodar por alguns minutos, o volume da transmissão foi baixando até se tornar um ruído. Em seguida, foi substituído por música clássica. Mais da metade do programa não pode ser ouvido. Nos minutos finais, a música cessou e o áudio voltou gradativamente.
A direção da rádio, à época, alegou problemas técnicos na transmissão pela internet, mas disse que o programa teria rodado normalmente na frequência 1080 kHz AM. Áudios gravados da transmissão pelo rádio, no entanto, contradizem essa versão. Os indícios de censura aumentaram com a solicitação da fita-mestre do programa, que nunca foi fornecida pela rádio. Após uma nova transmissão ser solicitada pela professora Sandra de Deus, em 23 de abril o programa foi ao ar novamente, porém, antecedido da mensagem: “todo o conteúdo é responsabilidade de seus idealizadores”. Tal mensagem não havia sido transmitida na primeira vez que o programa foi ao ar, nem em programas anteriores.



