Prestes a completar dois meses, a Guerra da Ucrânia segue mobilizando atenções mundo afora e os seus aspectos culturais já foram interesse da coluna #CríticaHumanista, logo na estreia da atual temporada. É a arte ajudando a entender a guerra.. Caso, desta vez, de “Doutor Jivago”, livro que inspira também um filme, de mesmo nome, disponível na plataforma de streaming HBO Max, cuja trama se passa na mesma região do globo.
Publicado em 1957, o romance “Doutor Jivago”, do russo Bóris Pasternak conta a história de um médico idealista em meio aos processos que seguem a Revolução Russa (1917) e suas consequências. A princípio, Bóris dedicou-se à poesia, antes de encontrar na prosa um caminho para seguir. O autor teve seu livro censurado pelo governo soviético e só foi publicado pela primeira vez em 1957, na Itália. Ainda na década de 1950 apareceram as primeiras edições da obra no Brasil – com traduções de Heitor Martins, Milton Amado e Oscar Mendes.
Causador de controvérsia entre os críticos da época, Pasternak foi citado na obra de Eric Hobsbawn – A Era dos Extremos – como um autor de relevância indiscutível para a literatura mundial. Além disso, foi motivo de discussões entre Vladimir Nabukov, autor da obra “Lolita” e Edmond Wilson, crítico literário. Em 1958, Bóris recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e viu sua obra coroada com tal honraria após concorrer em 1946, 1947, 1948, 1949, 1950 e 1957.
Apesar disso, em meio ao contexto da Guerra Fria, a premiação foi vista pela União Soviética como uma manobra política arquitetada pelos detratores do regime. Afinal, o Nobel de Literatura é concedido pelo conjunto da obra do autor; o que representava naquele momento uma proximidade de Bóris com o ocidente e sua crescente popularidade no mundo capitalista. Por fim, Pasternak foi expulso da União dos Escritores da URSS, pronunciado traidor em reuniões e foi chamado a depor em um processo criminal. Em meio a tamanha pressão, ele recusou o Nobel.
No que diz respeito ao enredo, o livro dá conta da vida do médico e poeta, Yuri Jivago. Nesse sentido, Jivago acompanha de perto os momentos mais cruciais e marcantes da história soviética, como a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa, movimento no qual o protagonista investe uma esperança que logo se converte em decepção. Apesar disso, seu descontentamento não se traduz em adesão aos detratores dos bolcheviques – os brancos – cujas barbáries também são narradas pelo autor.
No final das contas temos um grande panorama da sociedade russa pós-revolucionária numa trama que disseca os dramas vividos durante a Revolução Russa pelas lentes de Yuri. O médico se esforçava para viver conforme os ditames do regime e ao mesmo tempo não encontrava alento na esperança, diante de tantas injustiças vivenciadas naquele tempo e relatadas no romance. O enredo se concentra também no romance de Yuri com Lara, uma jovem enfermeira. A história dos dois amantes é desenhada como uma resistência marcada pelo amor e pela crença no indivíduo.
Por fim, Bóris não estabelece sua obra como um romance político, contudo existem diversas interpretações acerca do posicionamento político do livro. Para Isaac Deutscher (1907-1967), a mensagem do livro é antimarxista. Outros críticos ainda dizem que a personagem, Lara, foi baseada em Larissa Reisner, bolchevique de origem aristocrática morta de tifo aos 31 anos, lembrada por Trótski em “Minha Vida” e tida por Pasternak como “a primeira e talvez a única mulher da revolução”.





Um filme que marcou minha juventude, assisti várias vezes, emocionante sempre, lindíssimo..
Me marcou demais! Assisti quando jovem, e já revi várias vezes. Indico aos que almejam por cultura, como as minhas netas! Lindo filme
Assisti hoje pela primeiea vez e penso que a visao historics é muito positiva para apprendermos algo mais que direita ou esquerda…