Direitos Humanos da arte ao esporte

Na crítica quinzenal da coluna #OmbudsmanHumanista, Carla Dutra destaca diversidade de temas que compõem agenda do portal; jornalista também sugere ajustes.

Carla Dutra*

É provável que nenhum outro assunto da política brasileira atual seja tão crucial para as universidades públicas quanto os cortes de recursos anunciados pelo governo federal. Por isso, mais do que necessária, a reportagem Arquitetos da balbúrdia: Como os cortes estão afetando a universidade pública, de Yuri Correa, é obrigatória, especialmente em um portal ligado a uma instituição de ensino superior. Com a apuração, o Humanista mostra como ficam as contas da própria UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) com o contingenciamento e mostra que só há garantia de funcionamento da instituição até agosto.

O tema é áspero (detalhar contas para mostrar a matemática do problema requer muito cuidado e habilidade). Esse é um dos principais méritos da reportagem: está repleta de dados e disseca a falta de verbas. Minha ressalva é que ela demora um pouco a chegar a este trecho, que é o principal (está no título da matéria). São cinco parágrafos relembrando o caso até se alcançar o ponto central do conteúdo. Talvez, e digo talvez porque grande parte das análises jornalísticas é subjetiva, o histórico do imbróglio pudesse ficar para outro momento da reportagem. Também acredito que o primeiro parágrafo deveria ser um pouco menos opinativo. As afirmações sobre o “desprezo pelo conhecimento” por parte do governo federal poderiam, por exemplo, estar creditadas a um especialista.

Foi o que fez Camila Souza na abertura do #EntrevistaHumanista, ao apontar que, segundo a Presidente do Gapa (Grupo de Apoio à Prevenção da Aids) no Rio Grande do Sul, Carla Almeida, o fim do Departamento de HIV/Aids representa mais do que uma mudança de nomenclatura: sinaliza que as políticas públicas na área saem de pauta e passam a ser secundárias. Trata-se de mais um assunto bastante grave, sabiamente trazido à luz pelo Humanista, e de uma entrevista que mais do que apresentar o problema, também é um serviço ao leitor, alertando que a doença vem crescendo entre os jovens com idades entre 15 e 24 anos. Entre 2007 e 2017, aumentou 700%. Ou seja, é preciso se prevenir!

Minha análise passa também por uma estreia. É de Yuri Correa o texto Dia do Cinema Brasileiro: Tinta Bruta torna a produção nacional mais colorida, primeiro do #CríticaHumanista, espaço destinado à reflexão sobre produções culturais que promovem os direitos humanos. A iniciativa é maravilhosa e está totalmente ligada ao propósito do portal. A crítica de estreia traz um texto muito bem escrito e embasado, que dá, a quem lê, segurança de que quem escreve sabe do que está falando.

Da arte para o esporte. Camila Souza e Giulia Reis receberam a estudante Júlia Vargas, do Jornalismo da Fabico/UFRGS, para uma #ConversaHumanista sobre a cobertura do futebol feminino e a comparação com a do masculino. As meninas também trataram da presença da mulher no ambiente da imprensa esportiva. O tema seria relevante em qualquer momento, mas ganha ainda mais força quando é trazido em meio às copas do Mundo de Futebol Feminino e Copa América (futebol masculino). O podcast conta com o depoimento da jornalista Paula Cardoso, da Rádio Pampa. Patrocínio ao futebol feminino (ou falta de), diferença salarial entre homens e mulheres e a cobertura em si são alguns dos temas abordados. Uma das realidades trazidas à tona no podcast é o fato de as jogadoras de clubes brasileiros precisarem ter uma segunda profissão para conseguir se sustentar.

E é bacana ver que o Humanista também faz jornalismo em tempo real. No dia 14 de junho, acompanhou as manifestações contra a Reforma da Previdência por meio de suas contas no Instagram e Twitter. Sobre o assunto, Rene Almeida entrevistou o presidente da CUT-RS (Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul), Claudir Nespolo. Acrescento aqui este último parágrafo para ressaltar, caso o leitor não tenha percebido de pronto, a diversidade dos temas abordados pela equipe do portal. Nesta minha breve análise, passamos por política, educação, saúde, esporte e arte. É gratificante ver essa abordagem ampla e lembrar que todos os assuntos estão aqui porque em todos eles há direitos humanos envolvidos.

 


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*Carla Dutra é jornalista formada pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e tem mais de 15 anos de atuação, com passagens em redações de veículos como jornal A Razão, Jornal NH e Zero Hora; experiência também em assessoria de imprensa. Ombudsman do portal Humanista em 2019. Contato: carladutrasilveira@gmail.com.

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