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#HumanistaConfere Afirmações sobre profissionais cubanos no Mais Médicos

Ásafe Bueno

Com uma polêmica que mobilizou a opinião pública e culminou com o rompimento da participação cubana no Mais Médicos, declarações de Jair Bolsonaro (PSL) sobre o programa seguem repercutindo no debate político brasileiro. Passado o turbilhão que vitimou 28 milhões de pessoas que ficaram sem atendimento básico de saúde no Brasil, o presidente eleito afirma agora que é a favor do programa – que, segundo ele, terá continuidade no governo que se inicia a 1º de janeiro de 2019 sob a sua liderança. Promete, inclusive, asilo político para os médicos cubanos que decidirem permanecer em solo brasileiro, à revelia do governo da ilha caribenha, com direito à salário integral e possibilidade de os profissionais trazerem suas famílias.

As afirmações de Jair Bolsonaro não condizem, contudo, com outras que ele mesmo proferiu no ano de criação do programa, em 2013, em vídeo que segue circulando exaustivamente em redes sociais digitais como o Twitter, o Facebook e compartilhado via grupos de Whatsapp. O portal Humanista checa a veracidade das informações.

 

“Querem lotear centenas de municípios com células de agentes de estado que tem compromisso com a ditadura cubana e entre essas pessoas tem aqueles que tomam conta como ‘médicos’, entre aspas. Como que um país miserável que sobrevive de esmolas consegue formar tanto médico?”

 

FALSO

Ainda que seja, sim, um dos países mais pobres do continente americano, com uma taxa de produto interno bruto per capita de U$ 7.602 frente a U$ 59.531 dos Estados Unidos, por exemplo, segundo o Banco Mundial, Cuba demonstra números em saúde notáveis. Segundo o Relatório Health Statistics 2018, da OMS (Organização Mundial da Saúde), a medicina cubana tem números próximos aos das nações mais desenvolvidas das Américas, como Canadá e EUA, e da Europa. A ilha caribenha demonstra números baixíssimos em nível de mortalidade materna e infantil, alto nível de atendimento em saúde para recém-nascidos, cobertura médica e prevenção de doenças. Segundo os últimos dados da OMS, a densidade de médicos por cada mil habitantes em Cuba chega a 67,23, enquanto a dos Estados Unidos, por exemplo, é de 24.

Até hoje, após cinco anos do Programa Mais Médicos, não há nenhuma comprovação de que os médicos cubanos tenham um ensino de mais baixa qualidade do que os brasileiros. Tomando a prova do Revalida, exame a que alguns dos médicos cubanos foram submetidos para validação do diploma no Brasil, a performance dos médicos caribenhos é superior ou igual a dos brasileiros.

“Centenas de araguaias”

IMPOSSÍVEL PROVAR

Ainda no mesmo vídeo, o então deputado federal – à época pelo Partido Progressista (PP) – afirmou que esses “médicos” (entre aspas, como enfaticamente destacado por ele) seriam centenas de “araguaias”, em uma equivalência aos guerrilheiros do Araguaia, revolta armada que foi exterminada pela Ditadura Militar, no período de 1967 a 1974. No entanto, nunca a afirmação se fez verdade. Os mais de 11 mil médicos cubanos que passaram pelo programa Mais Médicos, segundo estimativa da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), nunca participaram de alguma revolta ou ataque armado no Brasil. Além do Brasil, outros 67 países tiveram missões médicas cubanas, totalizando mais de 50 mil profissionais – o chamado “exército de jalecos brancos” –, sem qualquer conflito do tipo ou comprovação de alguma trama guerrilheira.

FOTO: Agência Brasil

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