Na última terça-feira (15) a reitora Marcia Barbosa e o vice-reitor, Pedro Costa, reuniram veículos de imprensa e laboratórios do curso de Jornalismo da UFRGS para uma sabatina que prospectou as primeiras ações da nova administração central, que tomou posse no final de setembro; expectativas para os próximos quatro anos compuseram a pauta do encontro.
Entre as temáticas discutidas, os reitores manifestaram seus planos sobre casas estudantis, crise climática, ações afirmativas, parcerias, financiamentos governamentais e diversidade. O Humanista participou e endereçou perguntas a ambos os professores. Confira!
No seu discurso de posse, comentou sobre o anseio de se juntar com o governo do Estado para melhorar os índices do Ideb no RS, quais os caminhos para melhorar esses indicadores?
Márcia – A primeira coisa que a gente está propondo é uma reunião com o governo do estado, para trazer o que a gente tem de conhecimento da área. Nós temos várias licenciaturas, nós temos uma faculdade de educação, para que esses instrumentos nos ajudem a trabalhar junto às escolas do estado do Rio Grande do Sul com a construção coletiva de conteúdos e trazendo, não só o que ensinar, mas como ensinar para deixar esse ensino mais atraente. Deixa eu dar só um exemplo para você: nós estamos vivenciando esse ano uma grande tragédia climática e essa tragédia vai se repetir e na escolar, quando eu trago um tema como esse, eu consigo fazer aulas em diversas disciplinas, a partir de uma coisa que certamente vai atrair a atenção dos estudantes. Nesse sentido, a gente já enviou um trabalho com a rede SESI de educação que agora está abrindo para nós irmos apoiar um evento em que eles vão trazer os professores e professoras do estado do Rio Grande do Sul para trazer esses conhecimentos sobre as mudanças climáticas a partir do que a gente tem trabalhado. Então, espere que virá uma série de atividades com a parceria do Governo do Estado.
Quais projetos e programas que a UFRGS já mantêm com o potencial de contribuir para esse tema? Teria algum diagnóstico ou agenda com a Secretaria de Educação?
Márcia – Até o momento começou uma conversa preliminar, nós estamos trabalhando com a Secretaria de Educação, que não tem a ver diretamente com o IDEB mas com o projeto saúde, que é a realização de grande questionário com os estudantes para entender o que é que os estudantes querem estudar. Dependendo de como for a eficiência desse questionário, é um questionário ideal para a gente trabalhar em todo o estado do Rio Grande do Sul para poder preparar as suas diferentes demandas. Não sei se vocês percebem, mas a demanda dos estudantes para vir para uma universidade tem baixado e tem baixado de uma maneira muito impressionante. Entender o que os estudantes querem, para fazer uma construção de uma universidade que se torne mais atrativa é parte desse processo. São várias camadas de trabalho que a gente pretende atuar junto com a educação básica.
Para a preparação dos calendários acadêmicos, planeja considerar os novos impactos climáticos e previsões científicas que alertam para fortes chuvas e ventos?
Pedro – Se os eventos apontados sinalizarem que existe risco à vida, risco à comunidade, risco à mobilidade, é evidente que a decisão do gabinete vai ser sempre suspender as atividades presenciais ou a gravidade que for, cientificamente, colocada em levar a decisão de preservar a vida em detrimento de alguma atividade acadêmica daquele dia.
Considerando que a UFRGS é uma comunidade de aproximadamente 60 mil pessoas entre alunos, professores e servidores que circulam pela cidade e que, em dias de fortes chuvas, podem impactar negativamente a mobilidade urbana em Porto Alegre, a reitoria cogita suspender aulas nestas situações?
Pedro – Na primeira semana a gente já teve um evento climático extremo, no segundo dia, a nossa reitora foi ao campus do Vale pessoalmente para acompanhar a remoção de árvores que caíram com o vendaval, sobre a fiação elétrica comprometida. Mas a gente está se assegurando com o comitê científico formado por um cientista da própria universidade, que trabalha com meteorologia e outros temas de pesquisa e tem mostrado ao gabinete a previsão antecipada de eventos extremos que levam ocasionalmente a suspensão de atividades evitando que a universidade tenha que se valer de publicações da grande mídia ou publicações nas redes sociais como aconteceu no passado, então a gente tem dentro da universidade essa estrutura instalada que tem sido mobilizada pelo gabinete. A gente quer transformar essa estrutura no gabinete de crise para que a gente tenha condições, não só de ter essa previsão de suspender atividades, como foi o caso, mas que a gente possa depois desmistificar e ter um atendimento rápido nas sucessões de obra para dar conta do restabelecimento das condições de trabalho.
Um dos temas debatidos pela reitora Márcia foi sobre as casas estudantis, sobretudo a Casa de Estudantes Indígenas e as previsões de instalação para a unidade no Campus Litoral Norte. A reitora afirma que a Casa do Estudante do campus Litoral Norte foi recentemente entregue para a administração do campus. “A nossa ideia é fazer uma recuperação daquele espaço. Tem recursos designados pela Finep para uma recuperação de todo o espaço que inclui novas salas de aulas”, diz. “A Casa do Estudante Indígena já sofreu uma pequena reforma, mas estamos buscando um novo projeto para fazer uma expansão mais qualificada desse espaço onde vamos procurar emendas parlamentares para conseguir recuperar esse espaço que é tão importante para a universidade”, completa.
Outro tópico abordado foi sobre a pró-reitoria de Ações Afirmativas e Equidade e a organização desse novo órgão, as ações que já estão sendo desenvolvidas e a importância de ter uma pró-reitoria específica para essa pauta. “A grande vantagem da gente ter uma pró-reitoria que olhe essa questão de Ações Afirmativas e Equidade é conseguirmos ter uma visão transversal. Normalmente, se estou dentro da pró-reitoria de graduação e vai ter um setor, ele vai ter um olhar setorizado e não transversalmente. Então nós vamos construir um olhar sobre esse tema de maneira coletiva com diversas ações”, afirma. A reitora Márcia também sinaliza que a reitoria já está pensando em ações que começam em dezembro deste ano que iniciará com um seminário específico sobre assédio.
A reitoria também abordou sobre a Universidade pode e deve contribuir com a diversidade comentou sobre seu vídeo de volta às aulas, onde fez uma saudação a toda a comunidade acadêmica, marcando o início da nova Gestão, onde usou a expressão “todes” e houve, nas redes sociais, comentários fazendo críticas ao termo. “A Universidade é intrinsecamente um lugar de debate das novas ideias e possibilidades. Tem um estudo de um consultoria internacional, o Mackenzie, que mostra que a diversidade, ou seja, pessoas com jeito de fazer coisas diferentes e com visões diferentes faz o sistema ficar mais eficiente”, afirma. “O acolhimento é o melhor instrumento de acolhimento, então para que a gente possa ter essa diversidade operacional dentro da universidade eu preciso fazer as pessoas se sentirem acolhidas. Isso é ser Universidade”, conclui.
Sabatina completa
Para conferir a sabatina completa com os reitores e saber mais sobre essas questões e demais assuntos debatidos, acesse o canal do UFRGS TV!




