O ano de 2024 está chegando ao fim e, junto disso, encaminha-se para o encerramento de mais um semestre da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Seguindo o calendário acadêmico, o Humanista interrompe durante o período de recesso, o seu ciclo de publicações diárias. Entre setembro e dezembro, estudantes de Jornalismo compuseram a redação deste portal, vivenciando a rotina de produção, gestão e apuração, comuns a um verdadeiro ambiente jornalístico. O editorial de hoje, portanto, marca não somente a finalização deste ciclo, mas também serve como um momento de celebração para nós, futuros jornalistas que contribuímos para a história deste projeto.
Quando iniciamos a jornada, sabíamos que o desafio seria imenso. A redação anterior havia passado por meses turbulentos, ao tentar dar conta de um semestre que foi perpassado pelas inundações que atingiram o estado em maio de 2024. Assim, ao assumirmos a administração do portal, carregávamos, inconscientemente, a expectativa e a responsabilidade de construir uma nova trajetória, que não fosse, de maneira súbita, interrompida por fenômenos naturais.
Além disso, a maior parte de nós possuía um outro anseio. Este, muito mais tímido e animado: apesar de já estarmos familiarizados com a prática jornalística, gerir um projeto e manter um jornal em funcionamento pleno era algo inédito. Foi, por consequência, um processo de descoberta e evolução constante. Aprendemos a lidar com as ferramentas técnicas e organizacionais, necessárias para transformar ideias em reportagens. Aprimoramos nossas habilidades em encontrar pautas relevantes, contatar fontes confiáveis e redigir textos alinhados à premissa dos direitos humanos, que é a linha editorial adotada pelo Humanista.
Ainda no início da preparação do semestre, decidimos introduzir uma novidade: nosso podcast semanal. Foram episódios que transitaram entre política, história e cultura, trazendo entrevistas enriquecedoras e debates detalhados. Lançamos, portanto, o desafio para a próxima redação de mantê-lo em atividade e ainda mais engajado.
Ao longo desta trajetória, nossas produções abordaram temas condizentes com o período. Começamos com uma cobertura abrangente a respeito das eleições municipais de 2024. Os enquadramentos foram múltiplos, indo desde a revelação dos resultados do primeiro turno até uma análise mais aprofundada sobre a composição final da Câmara de Vereadores de Porto Alegre e a sua relação com pautas específicas, como, por exemplo, a religião. Essa cobertura exigiu um olhar atento e uma postura analítica diante de um momento crucial para a democracia. Ainda na esfera nacional, abordamos a situação do Rio Grande do Sul seis meses após a enchente, testemunhando os impactos duradouros na vida da população gaúcha. Manter viva a memória desse desastre foi um compromisso com a verdade e com a necessidade de reflexão sobre prevenção e suporte comunitário.
Fomos, ainda, testemunhas e narradores de histórias que ecoam as lutas e desafios do Brasil contemporâneo. Entre as produções sobre esse aspecto, tivemos as reportagens que mergulharam na dura realidade das lutas nacionais, como o debate sobre a desgastante escala 6×1, que escancara as condições desumanas enfrentadas por trabalhadores, e a constante denúncia das violências policiais, um tema tão presente, quanto urgente na rotina brasileira.
No âmbito internacional, cobrimos assuntos curiosos, como o bloqueio da rede social X e a sua retomada, pouco mais de um mês depois, causada pelo desentendimento entre o CEO da plataforma, Elon Musk, e o ministro brasileiro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Tratamos também do noticiário internacional, destacando, por exemplo, oconflito entre Israel e Palestina. Falamos sobre ele de maneira a dar voz às necessidades de quem ainda luta por abrigo. De modo mais analítico, também debatemos sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos, que determinaram a vitória a Donald Trump, como forma de compreender como essa nova realidade pode impactar nas relações políticas entre os EUA e o Brasil – tema de destaque do noticiário internacional.
No campo cultural, tomamos como ponto de partida a profundidade de obras cinematográficas como “A substância”, lançado em setembro e dirigido pela francesa Coralie Fargeat, para falar sobre os limites físicos, corporais e emocionais que as pessoas cruzam para alcançar um determinado padrão de beleza. O longa-metragem brasileiro “Ainda estou aqui”, protagonizado pelos artistas veteranos Selton Mello e Fernanda Torres, também foi tema de discussão no nosso site. Utilizando-o como viés condutor, falamos sobre a importância da preservação da memória da ditadura no território brasileiro.
O decorrer deste período também foi marcado por momentos de grandes conquistas. Ainda em outubro, recebemos a notícia de que uma das reportagens produzidas para o Humanista, no semestre 2023/2, foi a vencedora do Prêmio de Excelência em Jornalismo da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). A matéria, intitulada “Vamos falar de morte?” foi produzida pela ex-aluna do curso de Jornalismo da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação), Bárbara Bárbara da Cunha Niedermeyer, sob a orientação dos professores Felipe Moura de Oliveira e Marcelo Ruschel Trasel.
Os estudantes Guilherme Freling, Gustavo Pinheiro, Paulo Alberto Garcia e Marieli Lapinski também receberam destaque com uma reportagem veiculada aqui no portal. “Da prevenção à proteção: os desafios do enfrentamento à violência doméstica no Rio Grande do Sul” foi a vencedora da categoria de Reportagem Universitária no 26º Prêmio de Jornalismo, realizado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. A matéria foi elaborada durante o semestre 2023/2 para a disciplina de Ciberjornalismo III do mesmo curso da Fabico, sob a orientação da professora Camila Hartmann.
Agora, ao encerrar o semestre, olhamos para trás satisfeitos com o percurso que escolhemos e conseguimos traçar. Nas próximas semanas, nossa frequência de publicações será reduzida, mas, a partir de março, os conteúdos voltam a ser diários, sob o comando de uma nova redação. Até mais, com o olhar sempre atento: porque o jornalismo, quando abraça a justiça, é mais do que um relato; é um ato de transformação!




