curso 1: Filosofia da Mecânica Quântica e o experimento de fenda dupla
Nathan Willig Lima (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

Resumo: Em 2025, comemoraremos 100 anos da Mecânica Quântica. Mesmo depois desse tempo, a controvérsia sobre sua interpretação continua tão viva quanto em sua gênese. O que é real? Qual nossa capacidade de conhecer a realidade? Quais as possíveis formas de entender o mundo quântico? Essas serão algumas perguntas discutidas a partir de experimento de fenda dupla.
Bacharel em Física com linha de formação em Física Médica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e licenciado em Física na Faculdade Avantis, o professor Lima fez seu mestrado em Engenharia e Tecnologia de Materiais na PUCRS e o doutorado em Ensino de Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi pesquisador visitante na Universidade de Copenhague – Dinamarca – participando de um projeto de pesquisa sobre história da Teoria Quântica e implicações para o ensino (com bolsa pelo programa CAPES-PRINT). É editor assistente da HPS&ST Newsletter e, desde 2022, é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física da UFRGS.
curso 2: Perspectivas críticas de HFSC (História, Filosofia e Sociologia da Ciência) na Educação Básica
Cristiano B. Moura (Simon Fraser University)

Resumo: O presente minicurso direciona-se a professores/as da educação básica, pesquisadores que se interessem pela introdução de aspectos de HFSC em escolas de ensino fundamental e médio, e público em geral interessado em perspectivas críticas de História, Filosofia e Sociologia da Ciência na Educação básica. O curso está construído em torno de dois objetivos: primeiro, apresentar e discutir com os participantes sobre perspectivas teóricas a respeito da abordagem de aspectos de HFSC na educação básica, considerando demandas educacionais atuais como dilemas em relação a desinformação, emergências e desigualdades sociais e ambientais, questões de participação e representatividade na ciência. Em segundo lugar, serão apresentados e discutidos diversos exemplos de abordagens pautadas na HFSC no contexto latinoamericano e internacional com vistas a subsidiar os participantes na implementação de futuras intervencões pedagógicas com esse viés.
Licenciado em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado e doutorado em Ciência, Tecnologia e Educação pelo CEFET/RJ, com período sanduíche na York University (Canadá), o prof. Moura é professor assistente da Faculdade de Educação da Simon Fraser University (British Columbia, Canadá), e foi representante de docentes da Educação Básica do IHPST de 2019 a 2022. Foi professor do CEFET/RJ de 2015 a 2023. Possui experiência com História, Filosofia & Sociologia das Ciências no Ensino, História Cultural das Ciências, Teorias de Currículo e Estudos pós-coloniais. Foi Editor Associado (2019-2021) da Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências e é Editor de Seção da Revista Debates em Ensino de Química.
CURso 3: Educação científica contextualizada a partir de jogos e narrativas históricas
Alexandre Bagdonas (Universidade Federal de Lavras)

Resumo: Nesta oficina vamos jogar jogos didáticos que enfatizam a relação da ciência com seu contexto social e político, que foram produzidos a partir de estudos sobre história e filosofia da ciência na primeira metade do século XX. Contextualizando o período das duas Guerras Mundiais, discutiremos propostas para o ensino de cosmologia e física nuclear, tendo em vista a problematização na educação básica de uma visão neutra, apolítica da ciência, que vê sempre a influência política sobre a ciência como algo negativo, a ser evitado, assumindo que verdadeira e boa ciência seria pura, imparcial e objetiva. Discutimos também como este tipo de jogo pode promover discussões sobre a natureza da ciência, e os eventuais riscos envolvidos em se enfatizar visões de ciência que questionam a sua autoridade.
Licenciado e bacharel em Física pela Universidade de Sâo Paulo (USP), o professor Bagdonas fez seu mestrado e doutorado em Ensino de Física também pela USP. Seus principais interesses de pesquisa são ensino de física e uso da história e filosofia da ciência na educação científica, investifando especialmente o ensino de cosmologia e física moderna e contemporânea.
CURso 4: Algumas Questões sobre Historiografia das Ciências
Ivã Gurgel e Thomás Haddad (EACH-USP)

Resumo: É tão comum afirmar que “a ciência é uma construção histórica” que muitas vezes somos levados a acreditar que essa frase carrega uma definição inequívoca sobre a natureza da ciência. Contudo, diferentes escolas historiográficas podem compreender essa afirmação de maneiras muito diversas, o que indica que por trás de sua simplicidade há muitos problemas em aberto. Por exemplo, podemos nos perguntar: a transformação histórica da ciência deve ser compreendida como uma forma de progresso? A mudança histórica é cumulativa e linear, ou descontínua e contingente? Se questões desse tipo pautaram a historiografia nas décadas centrais do século XX, desde esse período até hoje pouco se consensuou em torno delas; na verdade, novas questões apareceram e tornaram o campo ainda mais conflituoso. Por exemplo, em que medida os contextos sociais e culturais condicionam formulações conceituais e práticas científicas? Se admitirmos que esse condicionamento é forte e altamente localizado, isso implica uma visão relativista sobre o conhecimento científico? O objetivo do minicurso é discutir algumas questões presentes na historiografia contemporânea e situar quais caminhos em relação a elas a literatura especializada tem apontado.
Licenciado em Física, com mestrado em Ciências (Modalidade Ensino de Física) e doutorado em Educação (Modalidade Ensino de Ciências e Matemática) pela Universidade de São Paulo (USP), o prof. Gurgel realizou estágio de doutorado no laboratório SPHERE – Sciences, Philosophie e Histoire do CNRS, na França. Tem experiência na áreas de História da Ciência, Epistemologia e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: História da Física nos Séculos XIX e XX, História da Ciência no Brasil, Estudos Culturais da Ciência e Teorias Críticas de Currículo. É membro do Centro de História da Ciência da USP e coordena o Grupo de Teoria e História dos Conhecimentos (TeHCo) e o Acervo Histórico do IFUSP [portal.if.usp.br/tehco/].
Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, com estágio de pós-doutorado no Grupo de História Cultural das Ciências, no Instituto de Historia, Consejo Superior de Investigaciones Científicas (IH/CSIC), em Madrid, Espanha, o prof. Haddad é professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, na área de história das ciências, atuando na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais. Foi professor dessa área no Programa de Pós-Graduação em História Social da FFLCH/USP, e foi o Charles H. Watts Memorial Visiting Professor in the History and Culture of Book e R. David Parsons Fellow da John Carter Brown Library/Brown University, EUA. Em 2021, foi fellow da Linda Hall Library, EUA. Entre 2014 e 2020, foi editor-chefe da Revista Brasileira de História da Ciência. Atualmente, é presidente da Science & Empire Commission da Division for the History of Science and Technology (DHST/IUHPST/UNESCO), secretário-geral adjunto da DHST, e membro dos conselhos do LabCiTe: Laboratório de História das Ciências, Tecnologia e Sociedade e do FINISTERRA_lab: Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre os Impérios Ibéricos na Época Moderna, ambos do Departamento de História da FFLCH/USP. Foi membro da diretoria e conselheiro da Sociedade Brasileira de História da Ciência e conselheiro regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Suas investigações se concentram na história das práticas e saberes cosmográficos e astronômicos nos impérios ibéricos (séculos XVII e XVIII) e na história da cartografia lunar.
