Por que Design Thinking funciona?

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Segundo a Revista Harvard Business Review, essa tecnologia social (design thinking) tem potencial de fazer para a inovação o que a GQT (Gestão de Qualidade Total) fez para manufatura. 

O Design Thinking lida com as tendências humanas ou apego a normas comportamentais (status quo) de forma sutil descrevendo como as ferramentas e suas claras etapas de processo ajudam as equipes a libertarem-se delas. Embora ostensivamente voltada para a compreensão e moldagem significativa da experiência dos clientes, toda atividade de design thinking reformula também as experiências dos próprios inovadores de maneira profunda.

Em resumo: 

O problema – embora os benefícios gerados por novas ideias e soluções sejam amplamente reconhecidos, a maioria das equipes de inovação luta para colocá-las em prática.

A causa – preconceitos e hábitos arraigados inibem o exercício de imaginação e protegem suposições não declaradas sobre o que vai funcionar ou não. 

A solução – o design thinking oferece um processo estruturado que ajuda os inovadores a se libertar de tendências contraproducentes que impedem a inovação. Como a gestão de qualidade total, é uma tecnologia social que combina ferramentas práticas com insights sobre a natureza humana.

Processos organizados mantêm as pessoas no caminho certo e limitam a tendência de gastar muito tempo explorando problemas ou pular impacientemente para a próxima etapa do processo. Eles instigam confiança. A maioria das pessoas é movida pelo medo de errar, então elas se concentram mais em evitar erros do que em aproveitar oportunidades. Elas optam pela inação e não pela ação quando uma escolha tem o risco de falhar. Mas não há inovação sem ação – portanto a segurança psicológica é essencial. Os suportes físicos e as ferramentas altamente formatadas do design thinking fornecem essa sensação de segurança, ajudando os futuros inovadores a navegar na descoberta das necessidades do cliente, geração e testes de ideias.

Algumas metodologias prendem o projeto a necessidades já articuladas que os dados do público-alvo refletem – mas como refletir os dados que as pessoas não expressaram? A abordagem do design thinking é diferente: identifica as necessidades ocultas fazendo com que o inovador viva a experiência do cliente, por meio de imersão. A imersão nas experiências do usuário fornece matéria-prima para profundos insights. No entanto, encontrar padrões e dar sentido à massa de dados qualitativos coletados é um desafio que intimida.

Pré-experimentar algo novo , imaginá-lo de maneira incrivelmente vívida resulta em avaliações mais precisas do valor da novidade. É por isso  que o design thinking exige a criação de artefatos básicos e de baixo custo que capturarão as características essenciais da experiência do usuário que está sendo proposta. São menos que o MVP (Produto Mínimo Viável). O que esses artefatos perdem em fidelidade ganham em flexibilidade, porque podem ser facilmente alterados em resposta ao que é aprendido quando os usuários são expostos a eles. Ou seja, não chegue com soluções prontas, pois a incompletude estimula a interação do usuário.

Ao reconhecer as empresas como agrupamentos de seres humanos motivados por perspectivas e emoções variadas, o design thinking enfatiza o engajamento, o diálogo e o aprendizado. Ao envolver os  clientes e outros stakeholders na definição de problemas e desenvolvimento de soluções, o design thinking gera compromisso com a mudança. E, ao fornecer uma estrutura para o processo de inovação, estimula os inovadores a colaborar e a concordar sobre o que é essencial para o resultado em todas as fases.

hbrbr.com.br  –  Outubro de 2018