Sobre

O II Seminário Internacional de Ciência Política (II SICP) dá continuidade aos esforços do PPGCP de promover espaços de debate acadêmico, apresentação de trabalhos e intercâmbio científico, sucedendo o I Seminário Internacional de Ciência Política que debateu o Estado e Democracia em mudança no Século XXI. Tais seminários internacionais são a continuidade e a evolução das cinco edições do Seminário Nacional de Ciência Política, também organizados pelo programa.

Se, no momento do I SICP, mudanças significativas na democracia e os novos desafios colocados ao Estado nesta segunda década do Século XXI já eram perceptíveis, atualmente presenciamos o agravamento de contradições sociais e o aprofundamento das crises sociais, econômicas e políticas que emergiram naquele momento. Vivenciamos, nos últimos três anos, o aprofundamento da crise internacional e seus desdobramentos mais graves, como a acentuada concentração de renda, as ondas migratórias, o ultranacionalismo, o crescimento da xenofobia, a deposição de governos democraticamente eleitos, o desgaste dos valores democráticos e o enfraquecimento dos blocos internacionais.

Em tal contexto, é possível questionar se a democracia caminha para seu ocaso, tanto como forma de governo, quanto ideal de sociedade? Ou, dito de outra forma, o regime democrático está enfraquecendo como solução cooperativa para os desenhos institucionais dos Estados Nacionais, cada vez mais desafiados pela globalização, pela financeirização do capitalismo e pelas  contradições que esses impõe aos Estados-nações e regimes políticos no século XXI?

Assim como em outros momentos na história, neste conjunto de tensões, cresce e se fortalece, na conjuntura de crise, uma onda conservadora, com fortalecimento de movimentos e partidos políticos autoritários e de direita radical, que apresentam composições diversas, nos diferentes contextos, tanto no norte, quanto no sul global. Alguns desses, fundados em sentimento ultranacionalista, em programas conservadores, antidistributivistas e anti-igualitaristas. Essa onda conservadora tende a questionar a capacidade do regime democrático de produzir respostas adequadas aos desafios políticos, por ser suscetível ao dissenso e incapaz de estabelecer uma ordem estável e segura.

Os Estados nacionais encontram-se numa encruzilhada, principalmente nos países periféricos do capitalismo. Pressionados por uma classe dominante receosa, ávida por assegurar seus ganhos e garantir sua renda oriunda da financeirização, que retoma o discurso de redução das funções públicas do Estado, e elites políticas e sociais que forçam a readequação do Estado, para investir menos, cortar despesas, reequilibrar sua macroeconomia, a fim de garantir o pagamento das obrigações financeiras e serviço da dívida, bem como, ofertar apenas serviços básicos, os Estados periféricos do capitalismo têm seu escopo de atuação drasticamente reduzido especialmente em áreas que lhe conferem legitimidade perante amplas parcelas da população.

Nesse momento, portanto, podemos questionar: O Estado-nação está ameaçado? Qual o seu papel frente aos novos desafios? a democracia está caminhando para um colapso? Da mesma forma, sobreviverá como forma de governo? Para onde vamos nesse contexto de crise? O capitalismo ainda oferece saídas para suas próprias contradições? Os partidos políticos continuaram sendo capazes de cumprir sua função? Para onde vão?

Esses são os questionamentos que acreditamos estarem colocados pela atual conjuntura, e alguns dos temas que o II SICP pretende enfrentar.

TEMA:

Estado e Democracia no século XXI: Onde estamos e para onde vamos?

Eleições no Brasil. 2018: o que saiu das Urnas?