Fundação do Curso: No dia 30 de dezembro de 1957, após reiterados esforços e pressões junto às instâncias competentes da universidade, foi fundado o Curso de Arte Dramática (CAD), que iniciaria suas atividades a partir do ano de 1958, ligado à Faculdade de Filosofia da UFRGS, com o objetivo de formar atores a nível técnico em um curso de três anos. O diretor de teatro, ator, crítico e autor teatral italiano Ruggero Jacobbi (1920 – 1981), que colaborava com o movimento de renovação do teatro em São Paulo e no Rio de Janeiro, foi convidado para assumir a direção do CAD, tendo como assessores o diretor de teatro, ator e escritor Fernando Peixoto (1937 – 2012) e o ator, escritor e tradutor Linneu Dias (1928 – 2002).
No seu primeiro ano de existência, o CAD contava com os seguintes professores no seu quadro docente: Ângelo Ricci (História da Literatura Teatral), Guilhermino César (História do Teatro Português e Brasileiro), Madeleine Ruffier (Técnica Vocal), Tony Petzhold (Mímica e Dança), Ruggero Jacobbi (Teoria Geral do Teatro e Interpretação Teatral) e Gerd Bornheim (Teoria Geral do Teatro e Dramaturgia).
A primeira sede do CAD foi um antigo casarão amarelo, ocupado em 1959, que se localizava-se no bairro Santana, na Avenida Venâncio Aires, número 646, bem próximo ao Parque Farroughlha/Redenção. Em 1969, o CAD tem a sua sede transferida para outro casarão antigo, localizado na Avenida Senador Salgado Filho, número 340, no Centro de Porto Alegre, onde funciona até hoje, com a denominação que vigorou desde o ano de 1970: DAD – Departamento de Arte Dramática.
Década de 60: Estruturação do curso com quadro docente estável. Já em 1960, forma-se a primeira turma do CAD, e as duas grande montagens do curso se tornam um sucesso de público em Porto Alegre: O Telescópio (Jorge Andrade) e A Farsa da Inês Pereira (Gil Vicente). A proposta pedagógica dos diretores-fundadores era de que cada turma se constituísse em um coletivo teatral, o que não foi possível. Porém, a maioria dos formandos seguiram atuando de forma independente e outros ainda se tornaram a primeira geração de professores formada pelo CAD.
Entre 1960 e 1964, o CAD apresentou nove grandes montagens que firmaram o posicionamento político de docentes e alunos frente aos desafios políticos que já se anunciavam na luta pela Legalidade, e que se tornariam críticos em 1964. À medida que o curso construía sua identidade, a produção na área teórica e dramatúrgica foi ganhando espaço para complementar a formação dos atores. Surgem iniciativas como o Concurso de Peças do CAD (que durou de 1961 até 1975), como estímulo à formação e descoberta de novos autores teatrais, e o lançamento de uma coleção de textos, e ensaios e conferências elaboradas por autores convidados, nos quais se destacam Temas da História do Teatro (Sábato Magaldi), Sêneca e o Teatro Trágico (Angelo Ricci) e o última material publicado pelo CAD, em 1972: Algumas Reflexões sobre o Teatro Brasileiro (Bárbara Heliodora).
1964: cerca de 17 professores são afastados da então URGS pelos interventores militares, e, no CAD, o Prof. Fausto Fuser é obrigado a se exilar na Polônia. Em 1966, o Ministério da Educação e da Cultura estabelece um conjunto de convênios com a USAID (United States Agency for Development) a fim de implementar o modelo estadunidense de universidade do Brasil. Eclodem uma série de manifestações articuladas pelos estudantes universitários, e os alunos e alunas do CAD juntamente com os estudantes do Instituto de Filosofia criam um conjunto de performances de protesto e resistência, enquanto dentro do curso as peças de cunho político ganham cada vez mais espaço.
1967: Em cumprimento à Lei 4.641 do Presidente Castelo Branco, o Curso de Arte Dramática passa a se chamar Centro de Arte Dramática, voltado à formação de atores (nível técnico) e diretores e professores de Teatro (nível superior. Os estudantes dos três cursos frequentam, incialmente, as mesmas aulas de um currículo básico que priorizava a formação dos atores e diretores. A formação do Curso de Licenciatura em Arte Dramática de então englobava o currículo do curso de Direção Teatral e era complementado por disciplinas específicas da área de ensino, oferecidas pela Faculdade de Educação (FACED).
Além das aulas regulares, o CAD oferecia eventualmente cursos de curta duração abertos a todas as graduações sempre no intuito de que a formação de área não obscurecesse o norte pedagógico de formação de coletivos que marca a identidade inicial do curso já em seus primeiros anos de formação. Nesse sentido, destaca-se a vinda, em 1967, do ator e diretor russo radicado no Brasil Eugênio Kusnet, que trouxe para os alunos o primeiro contato com o sistema de Stanislavski.
1969: Mudança do CAD para o prédio da Av. Salgado Filho, 340, Bairro Centro de Porto Alegre (antigo prédio da Faculdade de Odontologia). A construção do prédio é de 1908, ele se encontra atualmente tombado e pertence à primeira geração prédios históricos da UFRGS.
Em julho de 1968, é assinada a Reforma Universitária como desdobramento dos acordos MEC-USAID. A chamada “Lei de Reforma Universitária”, número 5.540/68, que dentro da UFRGS resulta no desmonte das Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras, que se foram transformadas em Faculdades ou Centros de Educação. A diretoria do CAD, liderada pela figura marcante do diretor Gerd Bornhein, juntos aos docentes, percebe a urgência em se que se cumpra a promessa de transferência do Centro para um local com melhores instalações para as aulas, o que acontece em 1969. Na nova sede, eram realizadas as disciplinas práticas, enquanto as aulas teóricas e os componentes curricularizáveis ligados à Música e às Artes Plásticas aconteciam no Instituto de Artes (prédio onde estamos nesse momento, também de 1908, que acolhia o então chamado Instituto de Belas Artes, na Rua Senhor dos Passos, número 248, Bairro Centro de Porto Alegre.
Apesar das brilhantes montagens realizadas no CAD entre 1968 e 1969, em que o Centro se abriu para pesquisa de linguagem inovadoras de encenação (para o contexto de então) e contou com a chegada de novos professores vindos de outros estados, a cassação e expurgo do diretor Bornhein (que resultou no seu exílio) me dos professores Angelo Ricci (História da Literatura Teatral), Dionisio Toledo, Maria da Glória Bordini e Reasylvia Kroeff de Souza (Literatura Dramática) configuram um duro golpe de desmonte a um CAD que ainda se estruturava em seu novo espaço de trabalho.
1970: Em decorrência da Reforma Universitária, o Centro de Arte Dramática é desvinculado da Faculdade de Filosofia, e recebe a denominação que vigora até hoje: Departamento de Arte Dramática (DAD), integrando o Instituto de Artes com os seguintes Cursos: Direção Teatral e Licenciatura em Arte Dramática (que a partir de 1975 torna-se Licenciatura em Educação Artística com Habilitação em Artes Cênicas).
Ainda como impacto da Reforma Universitária e da perseguição política, restam ao Departamento de Arte Dramática apenas três professores: Luiz Paulo Vasconcellos (Teoria e Direção Teatral), Lygia Vianna Barbosa (Produção e Direção Teatral) e Clovis Vasques (professor das disciplinas de Esgrima e Administração Teatral que também foi o último diretor do DAD entre 1969-1971, quando o departamento passa a ser coordenado por chefias institucionais). Nesse contexto, a participação dos alunos foi decisiva para manter o DAD vivo, por meio de uma intensa curadoria e programação de atividades abertas ao público. Também foi imprescindível o retorno, ao longo da década, de antigos alunos e alunas como docentes ingressantes, com destaque para Luiz Arthur Nunes, Graça Nunes, Irene Britetzke e Suzana Saldanha. Alguns deles, nesse momento, estavam paralelamente formando a rica cena de teatro de grupo de Porto Alegre daquele período.
1977 : É instituído o Curso de Bacharelado em Artes Cênicas com três habilitações: Direção Teatral, Interpretação Teatral e Teoria do Teatro, que dura até 2004, quando é extinta a habilitação em Teoria do Teatro.
Década de 1980: O retorno de inúmeros artistas e intelectuais exilados permitida pela Lei da Anistia de 1979 marca também o retorno ao DAD de professores importantes, como Maria Helena Lopes e Roberto Ruas. Não é necessário digredir sobre a esperança e efervescência que se estabeleceram no país por conta do horizonte democrático, e para a vida universitária e artística nacional foi como um renascimento.
Nesse contexto de retomada, em julho de 1987 a então chefe do DAD Profa. Maria Lúcia Raymundo consolida uma grande conquista para o curso, a criação do Teatro Universitário Sala Qorpo Santo, com lotação de 163 lugares, localizada no Campus Central da universidade, e que será o terceiro local a ser apresentada nessa visita.
1988: Professores e estudantes do DAD ocupam o edifício contíguo ao prédio sede do departamento na Av. Salgado Filho, localizado na Rua General Vitorino 255 (antes, ocupado pelo Instituto de Geociências, que em 1986 foi transferido para o Campus do Vale). Esse prédio atualmente cede todos os gabinetes dos docentes, boa parte das salas de aula teóricas e práticas, e será a segunda etapa das instalações apresentada aos avaliadores.
2007: Criação do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) da UFRGS, Curso de Pós-Graduação strictu sensu – Mestrado e Doutorado (2015) em Artes Cênicas.
2019: Criação da Habilitação em Escrita Dramatúrgica , no Bacharelado.
2025: Por conta da catástrofe climática, social, econômica e sanitária das enchentes, o ano letivo de 2024 (concluído em 18/01/2025) passa a operar pela Resolução número 26 de 05 de junho de 2024 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE).
Referência bibliográfica:
WOLKMER, Juliana. DAD História e Memória. Porto Alegre: Libretos, 2023.
PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DO PRÉDIO DO DAD, ACESSE:
Dados Gerais sobre a edificação da Rua General Vitorino, mantidos pelo Museu da UFRGS (Clique aqui)
Dados Gerais sobre a edificação da Avenida Salgado Filho, mantidos pelo Setor de Patrimônio Histórico da UFRGS (Clique aqui)
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