Provas Específicas Teatro – Ano Corrente


Orientações para Prova Específica do DAD – 2018

Para a Prova Específica de Teatro, do Vestibular Unificado 2018, o Departamento de Arte Dramática (DAD) presta homenagem ao seu ex-aluno HERMES MANCILHA (1959-1996), dramaturgo, ator e diretor. Para tanto escolheu fragmentos da peça Como a Moça foi Sacrificada por sua Família e como seu Amado a Trouxe Lá de Baixo (1988), escrita na disciplina Laboratório de Dramaturgia I, sob orientação do professor Ivo Bender. 

O DAD expressa aqui um agradecimento especial a sua ex-aluna Shirley Rosário, diretora teatral e guardiã da obra de Hermes Mancilha, do qual foi amiga e colega, por autorizar a utilização e divulgação da obra de Hermes, e possibilitando esta homenagem.

A seguir, vocês encontrarão os dois fragmentos, e poderão optar livremente por um ou outro. Vocês devem optar por um dos textos, memorizar, e apresentar em forma de uma cena curta, no momento da prova. A prova específica de Teatro consta da apresentação desta cena, de uma entrevista sobre a peça Como a Moça foi Sacrificada por sua Família e como seu Amado a Trouxe Lá de Baixo, e uma prova de improvisação, cujo tema será sorteado no momento da prova. Brevemente será divulgado o Edital do vestibular Unificado 2018. LEIAM ATENTAMENTE O MANUAL DO CANDIDATOProva Específica de Teatro onde encontrarão todas as informações. E fiquem atentxs ao dia e horário de sua prova, que serão informados, via e-mail, pela COPERSE. Lembrem-se de que a Prova Específica de Teatro segue as mesmas normas do Vestibular Unificado.

A seguir, além dos fragmentos da peça escolhida para a prova deste ano, vocês encontrarão também uma curta biografia de Hermes Mancilha, escrita por Shirley Rosário, e o texto completo da peça, em arquivo pdf, que deverão ler na íntegra.

Boa sorte para todxs!

1-TEXTOS PARA A PROVA ESPECÍFICA DE TEATRO, DO VESTIBULAR UNIFICADO 2018

MANCILHA, Hermes. Como a Moça foi Sacrificada por sua Família e como seu Amado a Trouxe Lá de Baixo (p.8)

CENA SEIS (A Mãe de Wanjiru enfia contas e sementes num fio. Está sentada num banquinho e as contas e as sementes estão dentro de um pano, no seu colo. É quase noite.).

Mãe – Lá está ela. Desde que Aduntê saiu que ela não fala com ninguém. Parece que sua alma foi junto com ele. Não chora mais. Está conformada com sua sorte. Pensei que ela não aceitaria este sacrifício, quase que me engano com a filha que tenho. Quase não a reconheço. A minha menina. Tinha tantos sonhos com seu guerreiro. E é ele que sai em busca de novas terras. Que os deuses o protejam nesta caminhada, que não sofra muito quando voltar e ficar sabendo o que aconteceu com sua amada. A sua Wanjiru casou-se com os mortos, com colares de noiva, oferendas e festa. Como gostaria de estar enfiando estas contas e sementes para o casamento de Wanjiru com Aduntê. Era o que eu mais queria. Ela estaria feliz e não daquele jeito. Pobre filha.

(A luz baixa em resistência. É noite. A coruja pia. Breve tempo).

MANCILHA, Hermes. Como a Moça foi Sacrificada por sua Família e como seu Amado a Trouxe Lá de Baixo (p.14)

Aduntê – Não sou o único que sofre com este sacrifício. Wanjiru, amada minha,  entre nós está a terra e nela os mortos. Não acreditei nas tuas preocupações, mas vejo que elas se tornaram realidade. Como a lua, que anda solitária pelo céu, tu estás sozinha entre os mortos. Mas fica tranquila, arranjarei um modo de te salvar. De ficarmos outra vez juntos. (Começa a procurar uma entrada no solo. Por fim fica no lugar onde a Mãe de Wanjiru despejou a água e o mel). Por todos os deuses eu peço. Ajudem-me a encontrar Wanjiru. Senhora dos mortos, grande guerreira Oiá, me deixa encontrar aquela que amo. (Relâmpagos) Eu a quero de volta. (Relâmpagos riscam o céu). Só tu podes me conceder este pedido. Leva-me para junto de Wanjiru. (Mais relâmpagos). Eu te peço. (Um enorme relâmpago e Aduntê desaparece).

Texto integral da peça COMO A MOÇA FOI SACRIFICADA POR SUA FAMÍLIA E COMO O SEU AMADO A TROUXE LÁ DE BAIXO

2-SOBRE HERMES LUIS DOS SANTOS MANCILHA (autoria Shirley Rosário)

HERMES LUIS DOS SANTOS MANCILHA nasceu em Camaquã em 30/06/1959 e morreu em Canoas em 15/08/1996. Formou-se em Licenciatura no DAD/UFRGS em 1985 e em Direção Teatral em 1990. Passou toda sua vida dedicado ao teatro. Na UFRGS acompanhou e incentivou a formação de muitos dos atores e das atrizes de teatro de Porto Alegre, e foi o mentor e primeiro presidente do Diretório Acadêmico Dionísio, do DAD. 

Habitualmente trabalhava com atores iniciantes e grandes elencos. Como chefe de palco de algumas temporadas de seus espetáculos, tive o privilégio de acompanhá-lo nos ensaios. Como característica pessoal além da extrema dedicação ao trabalho, apresentava um constante mau humor e “cutucava” todos que conviviam com ele. Era um cara direto, que não mandava recados, dizia o que tinha para dizer na hora. Não poupava ao criticar. Divertia- se ao “alfinetar” os colegas e com isso nos instigava a crescer! Esse crescimento ele também buscava em sua dramaturgia direcionada para crianças, na qual sempre propunha questões educativas, desafios do conhecimento. 

Negro e estudioso da etnia negra, ele utilizou a temática do negro na peça Aprendizes do Império – espetáculo que escreveu e encenou em 1989, e nas peças inéditas  Liberdade de uma raça e Como a Moça foi Sacrificada por sua Família e como seu Amado a Trouxe Lá de Baixo.

De 1990 a 1995 trabalhou na Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (órgão da Secretaria da Justiça, do Trabalho e Cidadania) e atuou no Vida Centro Humanístico onde conduzia oficinas teatrais para crianças e adolescentes. Lá incentivava os participantes a criarem seus próprios textos de teatro.  Nas ocasiões festivas, natal, páscoa, São João, encenava espetáculos monumentais, alguns ao ar livre, com mais de 50 pessoas atuando entre atores e figurantes. 

Em pesquisa no material de divulgação que ele colecionava, encontrei sua participação em 40 espetáculos teatrais, ora como ator, autor, e iluminador no período de 1981 a 1996. 

Atuou em: O Espelho; Não Pensa muito que Dói; Balei na Curva, Cabeça Quebra Cabeça; Do Outro Lado da Cerca e ou Hardy Boys; A Tempestade; Jato de Sangue; entre outros. 

Dirigiu: All That Show – ou Louco de Atar; A Informação; Do Outro lado da cerca; Dorotéia; Aprendizes do Império; Blue Jeans; Dia da Pesca, Dia do Pescador; Língua de Trapo; O Namorador; No Reino da Poça D’Água; Uma Questão de Fé; Capoeira – Movimentos de Resistência; Esses Moços.  Seus textos já encenados são: Do You Remember me – ou Sem Pecado; Do Outro Lado da Cerca e ou Hardy Boys; Aprendizes do Império; A Conquista do Fogo; No Reino da Poça D’Água; Uma Questão de Fé ou Zaze-Zaze; Moto Contínuo Esquizofrênico/ou/Edward and the toad/ou/Como me tornei…. gorda – As Divinas Gordas (escrito em conjunto com Paulo Renato Soares). 

Participou da criação coletiva do texto dos espetáculos: Não Pensa Muito que Dói, Bailei na Curva e Cabeça Quebra Cabeça no Grupo Do Jeito que Dá; Lamento Negro e ou Filhos da Resistência no Grupo Amizade de Canoas; All That Show – ou Louco de Atar.

Textos dramatúrgicos inéditos: Como a Moça foi Sacrificada por sua Família e como seu amado a trouxe lá de baixo; Condomínio; A Tônia; O Guardião do Planeta Azul; Joga fora no Lixo; Na Banca de Revista; O Galo Cantor; Sem Excessos; O Galo Francês; Navegar é Preciso; Nas ondas do Rádio; Arruma senão eu caio; Dois homens, um destino ou Os Sobreviventes ou Struggle for life; O Rádio; Penas Corrosivas; Até o fim ou A Barata; Arruma senão eu caio; Liberdade de uma raça; O Caos do Pirão. Além desses escreveu ainda outros tantos textos curtos, alguns sem título.

Participou dos seguintes grupos de teatro: Do Jeito que dá; Quem não Naja é Peixe; Duvida; Amizade; Encontros Casuais e Cabra Cega. 

Acreditava na melhoria do mundo e registrou: “Só consegue modificar o mundo aquele que consegue se modificar – o equilíbrio do mundo parte de dentro das pessoas, é um grande ciclo, o HOMEM SE MODIFICA, modifica o seu ambiente, o ambiente modifica o homem e vice-versa até o fim, que não existe, pois é um ciclo, claro, se for bem aproveitado resultará bem, se não bummmmm.”