Apresentação do evento

Jornada Histórias da Democracia e Memórias do Capitalismo, ocorrerá nos dias 24 e 25 de Abril no Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

As orientações curriculares atuais, como a Base Nacional Comum Curricular e o Referencial Curricular Gaúcho, têm formas muito específicas de abordar a democracia e o capitalismo.

Em relação à democracia, observa-se uma abordagem em que é apresentada como um valor necessariamente abstrato, imutável e positivo. Ela raramente é mencionada como objeto de estudo, o que torna escassas as oportunidades de analisá-la a partir das habilidades do pensamento histórico. Praticamente inexistem habilidades ou conteúdos que envolvam os procedimentos formais que envolvem o seu funcionamento atual.

Algo semelhante pode ser afirmado em relação ao capitalismo. Esses documentos limitam seu estudo ao processo histórico de seu surgimento, mas a partir de então se torna uma racionalidade e um sistema naturalizados, tanto em suas formas sócio-históricas como em sua conformação nas relações humanas.

O evento, portanto, tem como finalidade a constituição de um espaço de debate sobre capitalismo e democracia no Ensino de História. Convidamos à reflexão sobre os conceitos e sentidos correntes que esses termos possuem, e de que forma esses significados atravessam nossas práticas cotidianas profissionais.

O objetivo é refletir sobre as formas de abordar o capitalismo, a democracia e temáticas correlatas, promovendo a desnaturalização de certas realidades e certos comportamentos. Pretende-se abordar uma postura crítica quanto ao ensino de História que contribui à reprodução acrítica de valores como a competitividade, o empreendedorismo, o individualismo e a lógica sacrificial.

Quando abordamos democracia, nos referimos aos processos históricos de lutas populares para manter a vida existindo para todos os seres. São processos que combatem as tentativas de apagamento da diversidade e daquelas que condenam à morte por fome, por guerra, por negação do pensamento.

Essa definição transparece posicionamentos políticos, pedagógicos e conceituais. Em orientações curriculares atuais, como a BNCC e o Referencial Curricular Gaúcho, notamos que a democracia refere-se a um valor necessariamente positivo, abstrato, acabado e imutável. Ela raramente é mencionada como objeto de estudo, o que torna escassas as oportunidades de analisá-la a partir das habilidades do pensamento histórico. Praticamente inexistem habilidades ou conteúdos que envolvam os procedimentos formais que envolvem o seu funcionamento atual. Aparentemente, vivemos em uma República de caráter democrático que afirma o preceito fundamental de livre exercício da cidadania para todas as pessoas, sem, entretanto, torná-lo consequente – e concreto – nos documentos curriculares obrigatórios. É como se a democracia se viabilizasse pela sua enunciação e que a cidadania se orientasse politicamente apenas por viver na República.

O evento foi planejado para ser realizado em dois dias e em três turnos. Desta forma, possibilitamos que mais pessoas possam participar em pelo menos uma das atividades propostas, de acordo com suas disponibilidades de tempo.

Os debates foram organizados em três eixos temáticos, de forma a estruturar melhor o evento.

  1. a) Construção de relações democráticas e anti-capitalistas: o ensino de dissensos, lutas e resistências na história e valores que orientam relações anti-capitalistas.
  2. b) Produção de utopias na aula de história – o  pensar historicamente que evoca os tempos do “ainda não”, do “pode ser”, e do “queria que fosse assim” na compreensão das narrativas sobre o passado.
  3. c) Problematização das institucionalidades – questões políticas e econômicas que permeiam a produção de conhecimentos históricos nas instituições educacionais, buscando por espaços de tensionamento e de criação.

Para a composição das oficinas, dos ateliês e das mesas, tomamos como critério a multiplicidade de pontos de vista sobre a Educação Básica e o Ensino Superior e procuramos contemplar diversidades de gênero, pertencimento étnico-racial ou outros marcadores sociais da diferença.

Local do evento:

Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul