Amamentação

Publicado em 24/05/2021

          Quando se fala em saúde da criança, a amamentação é essencial, principalmente em seus primeiros meses de vida  em virtude de seus inúmeros benefícios como (ALMEIDA;LUZ;UED,2015):

  • fator nutricional;
  • emocional;
  • imunológico;
  • econômico-social;
  • também para a saúde da mãe. 

         O Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS)  recomendam amamentar exclusivamente até os 6 meses, além de ser utilizado principalmente como fonte de alimento provê proteção contra infecções gastrointestinais e ao sistema imune. O aleitamento materno precoce, realizado  dentro de 1 hora após o parto, protege o recém-nascido de adquirir infecções e reduz a mortalidade neonatal, assim diminuindo o risco de mortalidade causado por diarreia e outras infecções que pode aumentar em bebês que são parcialmente amamentados ou que não amamentaram (BRASIL,2021). 

         Além de proteção, o leite materno proporciona energia e nutrientes para crianças de 6 a 23 meses, ainda  pode oferecer metade ou mais das necessidades de energia de uma criança entre as idades de 6 e 12 meses, e um terço das necessidades de energia entre 12 e 24 meses (OPAS/OMS,2020). Crianças que foram amamentadas apresentam menos  risco de desenvolver asma, diabetes e obesidade mesmo depois que elas param de receber leite materno. Juntamente com os benefícios nutricionais e imunológicos, a amamentação auxilia no desenvolvimento facial da criança, indispensável para fortalecimento da musculatura da face, para que desenvolva a fala e tenha uma boa respiração (SAÚDE, 2021).

Para amamentação atingir seus objetivos precisamos saber

Incentivar o aleitamento materno é investir na saúde e no desenvolvimento da criança, que no futuro será um adulto saudável e que irá contribuir para o crescimento do país. É importante que a família e a rede de pessoas que cercam essa mãe que amamenta criem um ambiente propício e favorável, para que ela possa realizar o aleitamento materno, que contenha  proteção, promoção e incentivo à amamentação (SAÚDE, 2020). 

         Foi criado o “Agosto Dourado” como mês do aleitamento materno, instituído pela Lei 13.435/2017 (BRASIL, 2017), para reforçar a amamentação e seus benefícios oferecidos tanto para mãe quanto para o bebê, e que o reflexo do aleitamento materno é visto durante o crescimento dessa criança até a vida adulta (SAÚDE, 2020).

         Infelizmente nem todas as parturientes conseguem realizar o aleitamento materno, então foi criado os bancos de leites, o primeiro Banco de Leite Humano (BLH) foi em 1943 no país, já em 1981 foi se implantando o Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno (PNIAM) como principal objetivo de apoiar as mulheres com dificuldade para amamentar seus bebês, associando ações de incentivo e proteção à amamentação, e promover a doação de leite por mulheres com produção de leite excessiva de maneira voluntária (FREITAS et al, 2015). Umas das principais prioridades do BLH é dar assistência às mães de recém-nascidos pré-termo e de baixo peso internados em unidades hospitalares (GIULIANI, 2002).

         Para realizar a doação, além de produção em excesso, a doadora tem que estar saudável, não utilizar medicações que sejam impeditivos  de doar e se tem que estar disposta a ordenhar. A doação de leite materno é regulada pela RDC Nº 171, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o funcionamento de Bancos de Leite Humano. Antes que esse leite seja distribuído, ele passa por uma análise, é pasteurizado e submetido a um rigoroso controle de qualidade. Após todo esse processo, é feito o compartilhamento de acordo com as necessidades de cada  recém-nascido internado (BRASIL, 2021).

Dificuldades existem sim e podem ser superadas!

Muitas mulheres idealizam ou até “romantizam” a amamentação e acabam se frustrando quando se deparam com a realidade. O aleitamento materno é lindo e extremamente importante, não apenas para a nutrição da criança, mas também pelo vínculo afetivo mãe-bebê. Os profissionais da saúde possuem o papel de orientar estas mães da melhor forma possível, pois os fatores que levam ao desmame precoce são multifatoriais (CAMPOS, 2018). 

         São inúmeras dificuldades que as puérperas enfrentam, incluindo fatores psicoemocionais, na qual possuem a crença do leite ser insuficiente; levando ao desmame precoce (LIMA, 2020). A sucção ineficaz ou pega inadequada são problemas importantes na amamentação, podendo ser pelo mau posicionamento do bebê, ou pela utilização de chupetas e mamadeiras (o que leva à confusão de bicos), ou por outros motivos também. No ingurgitamento mamário, há três componentes básicos em que ocorrem causando a compressão dos ductos lactíferos e dificultando a saída do leite:

  • o aumento da vascularização da mama;
  • a retenção de leite nos alvéolos;
  • edema decorrente da congestão e obstrução da drenagem do sistema linfático.

         O leite acumulado na mama seria o chamado “leite empedrado” por ser mais viscoso. É importante diferenciar o ingurgitamento fisiológico (normal) do patológico (mais frequente em primíparas) (BRASIL, 2015). 

        Dor nos mamilos é comum nos primeiros dias após o parto; a persistência após a primeira semana, e em casos de mamilos machucados já deve-se haver uma intervenção e manejo para a melhora. Pois o trauma mamilar, podendo ser expresso de diversas formas, é uma importante causa de desmame. São sinais:

  • eritema;
  • edema;
  • fissuras;
  • bolhas;
  • “marcas” brancas, amarelas ou escuras;
  • hematomas ou equimoses.

        A Candidose (candidíase, monilíase) é uma infecção da mama por Candida sp, sendo bem comum no puerpério. Esta pode atingir só a pele do mamilo e da aréola ou comprometer os ductos lactíferos. O fenômeno de Raynaud, seria uma isquemia intermitente causada por vasoespasmo, que normalmente acomete os dedos das mãos e pés, e também pode acometer os mamilos. Ocorre devido à exposição ao frio, compressão anormal do mamilo na boca da criança ou trauma mamilar importante; podendo ser confundida com candidose pela dor em “fisgadas” e queimação (BRASIL, 2015).

        Outro problema recorrente é o bloqueio de ductos lactíferos que ocorre quando o leite não é drenado adequadamente. Sendo as causas: quando a amamentação é infrequente, quando a criança não está conseguindo obter uma mamada eficiente, ou pode ser causado também por uma pressão existente no local. A mastite é um processo inflamatório de um ou mais segmentos da mama, podendo ou não progredir para uma infecção bacteriana. Obtendo a estase do leite, uma resposta inflamatória e dano tecidual, acaba  favorecendo a instalação de infecção: comumente pelo Staphylococcus (aureus e albus) e ocasionalmente pela Escherichia coli e Streptococcus (α-,β- e não hemolítico), na maioria das vezes a porta de entrada da bactéria é a lesão mamilar. Este problema então pode ser uma mastite infecciosa ou não-infecciosa. O abscesso mamário normalmente, é causado por mastite não tratada ou com tratamento iniciado tardiamente ou ineficaz. A Galactocele é uma formação cística nos ductos mamários que contém líquido leitoso, inicialmente é fluido e com o tempo fica com aspecto mais viscoso. Pode ser exteriorizado por meio do mamilo e deve ser extraído cirurgicamente porque o cisto enche novamente após a realização de aspirações (BRASIL, 2015).

Com a existência de todos estes problemas relacionados à amamentação é de extrema importância que a mãe tenha um apoio da equipe de enfermagem e multiprofissional à esta assistência ao aleitamento, pensando em todos os quesitos. A puérpera deve obter o máximo de apoio em razão de sua vida cotidiana também, sendo o retorno ao trabalho uma causa importante de desmame (CAMPOS, 2018).

E na pandemia? Como fazer?

          Com a pandemia de Covid-19, muitas dúvidas surgiram em relação à amamentação caso as mães estivessem positivadas para o vírus. O Ministério da Saúde (2020), elaborou um documento intitulado “Perguntas Frequentes – Amamentação e COVID-19” (acesse), que aborda dúvidas que podem auxiliar a mulher e sua rede de apoio para fazer uma manutenção do aleitamento manterno. Conforme as evidências científicas, até o momento da publicação do documento, não haviam casos de transmissão do novo coronavírus através da amamentação e, assim, não há qualquer motivo para evitar a amamentação (BRASIL, 2020).

         Entretanto, caso a mãe esteja positivada para o coronavírus, deve-se tomar algumas medidas de precaução, para evitar a transmissibilidade. Nesse caso, as indicações são:

  • higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel 70% antes de tocar no bebê ou antes de retirar leite materno de  forma manual ou por bomba extratora;
  • usar máscara de forma correta – cobrindo nariz e boca – durante as mamadas, evitando falar ou tossir durante a amamentação.

           Vale lembrar que a substituição das máscaras deve ocorrer imediatamente em caso de espirros ou tosse ou a cada mamada (BRASIL, 2020). 

         Se uma mãe positivada ou suspeita de Covid-19 não puder ou não quiser amamentar, as melhores alternativas são a retirada do leite materno manualmente ou por bomba, realizando a higienização das mãos, mamas e da bomba de forma correta. O leite materno retirado será ofertado à criança referencialmente utilizando um copo e/ou colher limpos pela própria mãe, caso seja do seu desejo e tenha condições clínicas para isso (BRASIL,2020).

Amamentar é dedicar-se, é fortalecer o vínculo mãe-bebê, é prover imunidade, nutrição, amor e acima de tudo auxiliar o bebê a desenvolver-se de forma adequada e saudável!

Fácil? Não….

Importante? MUITO!!!

Referências:

ALMEIDA, Jordana Moreira de; LUZ, Sylvana de Araújo Barros; UED, Fábio da Veiga. Apoio ao aleitamento materno pelos profissionais de saúde: revisão integrativa da literatura. Revista Paulista de Pediatria, vol. 33, nº 3, pág. 355–362, conjunto. 2015. DOI 10.1016 / j.rpped.2014.10.002. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.rpped.2014.10.002.

BRASIL. Fundação Oswaldo Cruz. Rede Global de Bancos de Leite Humano. Doação de leite humano. 2021. Disponível em: https://rblh.fiocruz.br/doacao-de-leite-humano-0. Acesso em: 28 mar. 2021.

BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Mês do Aleitamento Materno no Brasil e Semana Mundial da Amamentação. 31 jul. 2020. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/ultimas-noticias/3258-mes-do-aleitamento-materno-no-brasil-e-semana-mundial-da-amamentacao>.

BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica. Saúde da Criança – Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Brasília – DF. 2015. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf>. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Perguntas Frequentes – Amamentação e COVID-19. 29 Mai. 2020.

BRASIL. Opas. Oms/Brasil. Benefícios da amamentação superam riscos de infecção por COVID-19, afirmam OPAS e OMS. 2021. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6267:beneficios-da-amamentacao-superam-riscos-de-infeccao-por-covid-19-afirmam-opas-e-oms&Itemid=820. Acesso em: 28 mar. 2021.

BRASIL. Secretaria-Geral. LEI Nº 13.435. Institui o mês de agosto como o Mês do Aleitamento Materno. 12 abril. 2017. 

CAMPOS, A.R. DOR MAMÁRIA NA AMAMENTAÇÃO: OS DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO ETIOLÓGICO. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA/PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE/FACULDADE DE MEDICINA. 2018. Disponível em: <http://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/24387/5/DorMamariaAmamentacao.pdf>.

FREITAS, Maria Imaculada de Fátima et al . Doação de leite humano na perspectiva de profissionais da atenção primária à saúde. Cad. saúde colet.,  Rio de Janeiro ,  v. 27, n. 3, p. 301-306,  Sept.  2019 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-462X2019000300301&lng=en&nrm=iso>. access on  28  Mar.  2021.  Epub Sep 30, 2019.  https://doi.org/10.1590/1414-462×201900030408.

GIUGLIANI, Elsa Regina Justo. Rede Nacional de Bancos de Leite Humano do Brasil: tecnologia para exportar. J. Pediatr. (Rio J.),  Porto Alegre ,  v. 78, n. 3, p. 183-184,    2002 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572002000300001&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  28  mar.  2021.  https://doi.org/10.1590/S0021-75572002000300001.

LIMA, Ana Carolina Maria Araújo Chagas Costa et al . Consultoria em amamentação durante a pandemia COVID-19: relato de experiência. Esc. Anna Nery,  Rio de Janeiro ,  v. 24, n. spe,  e20200350,    2020.   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452020000500602&lng=en&nrm=iso>. access on  18  Mar.  2021.  Epub Dec 16, 2020.  https://doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2020-0350.

LIMA, E.C.A. Aleitamento materno: Desafios enfrentados pela parturiente no processo de amamentação. Brazilian Journal of Development. 08 out. 2020. Curitiba, v.6, n.11, p. 87188-87218. DOI:10.34117/bjdv6n11-225.

SAÚDE. Biblioteca Virtual em. Mês do Aleitamento Materno no Brasil e Semana Mundial da Amamentação. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/ultimas-noticias/3258-mes-do-aleitamento-materno-no-brasil-e-semana-mundial-da-amamentacao. Acesso em: 26 mar. 2021.

COMO CITAR:

YAMAMOTO, A.O; CRUZ, R.S; CHIES, I.S; DAVI, R.L; PEDRON, C.D. Conheça alguns motivos para amamentar seu filho! (online). Blog LEVi@enf2021(viewed 22April2021) Avaliable from: https://www.ufrgs.br/levi/amamentacao/#page-content