
Publicado em 31/05/2021
A pandemia provocada pelo Sars-CoV-2 e o consequente avanço da doença COVID-19 no contexto brasileiro, provocou a reorganização da Rede de Atenção à Saúde (RAS) fomentando a adoção das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) à saúde da população e dos profissionais de saúde.
As PICS são consideradas como recursos terapêuticos que estimulam o bem estar e valorizam a essência da pessoa em seu contexto biopsicossocial a partir dos conhecimentos tradicionais, visando a integralidade do cuidado humanizado na promoção, proteção, recuperação, reabilitação e manutenção da saúde (BRASIL, 2015).
Inseridas nos objetivos da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC) (BRASIL, 2015), às PICS devem ser efetivadas prioritariamente na Atenção Primária à Saúde (APS) (BARBOSA, et. al, 2020), em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) com expansão progressiva para RAS.
Durante a pandemia, o acesso à informação por meio da tecnologia e comunicação, permitiu que as pessoas utilizassem pelo menos uma das PICS em sua nova rotina de vida. A musicoterapia alivia tensões e produz sensações boas (OLIVEIRA; LIMA; FARIAS, 2020), enquanto que a aromaterapia, fortalece o sistema imunológico, oportuniza equilíbrio emocional e melhora o sistema respiratório pelo relaxamento da musculatura corporal (NASCIMENTO; PRADE, 2020). Práticas como Reiki, amplamente realizadas à distância, minimizam a ansiedade ao proporcionar o bem estar físico e mental ao indivíduo (NASCIMENTO; et al.,2020).
Neste sentido, as práticas oportunizam uma integração do autocuidado com o ambiente/natureza estimulando autoestima e autocontrole de saúde de modo humanizado e integral, minimizando consequências provocadas pelo isolamento social. As PICS se destacam uma vez que contribuem com a racionalização das ações de saúde, sendo consideradas práticas inovadoras e sustentáveis de atenção à saúde.
Atualmente, o SUS integra gratuitamente 29 PICS na Rede de Atenção à Saúde (FIGURA 1). Algumas PICS incluem produtos amplamente comercializados e disponibilizados na sociedade que permite ampliação do uso das práticas integrativas pela população. Contudo, a desinformação do manuseio e consumo dos produtos pode conduzir a não-conformidades em seus resultados. Além disso, a ausência de monitoramento e avaliação dos produtos e serviços pode comprometer a segurança e qualidade da assistência à saúde.

Práticas Integrativas e Complementares disponibilizadas na Rede de Atenção à Saúde.
Deste modo, é necessário, portanto, possibilitar conhecimento e habilidade aos enfermeiros, para que implementem em suas rotinas de trabalho com maior segurança e confiabilidade. Este conhecimento pode ser ofertado no processo de ensino, qualificação profissional (ANDRES, et al., 2020) ou na reorganização curricular das instituições de ensino. A oferta na formação acadêmica do enfermeiro, pode-se despertar o interesse em adquirir o conhecimento científico acerca das terapias e, ao mesmo tempo, oferecer maior segurança para atuar junto ao SUS e garantir o direito de escolha para os diferentes tratamentos (CORREA; SOARES, MUCCILLO-BAISCH, 2018).
As PICS são consideradas como uma das especialidades do Enfermeiro conforme resolução Nº 0581/2018 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), que atualmente, tem representado uma possibilidade inovadora de atuação diante das necessidades de cuidado provenientes do contexto pandêmico.
Uma vez inseridas na assistência do enfermeiro, as PICS possibilitarão contribuir na visualização da totalidade e singularidade de necessidades de atenção à saúde do usuário, representando uma possibilidade de intervenção de enfermagem (JUNIOR, 2016). Deste modo, a atuação do enfermeiro ao incluí-las potencializará o empoderamento profissional, principalmente ao dispor de um cuidado ampliado à saúde da população, dos profissionais da saúde e instituições de serviço (ALMEIDA et al., 2019).
Referências:
ALMEIDA, Juliane Rosalia de et al. O enfermeiro frente às práticas integrativas e complementares em saúde na estratégia de saúde da família. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 18, p.e77, Dez. 2019. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/77/38 . Acesso em: 17 Abr. 2021
ANDRES, Fabiane da Costa, et al. Conhecimento de enfermeiros acerca das práticas integrativas e complementares em saúde. Research, Society and Development, v. 9, n. 7, e969975171, 2020. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/5171 . Acesso em: 22 Abr. 2021
BARBOSA, Fernanda Elizabeth Sena, et al . Oferta de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde na Estratégia Saúde da Família no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 36, n. 1, e00208818, 2020. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script= sci_arttext & pid=S0102-311X2020000105006 & lng= en\ nrm=iso. Acesso em: 22 Abr. 2021
BRASIL. Ministério da saúde. Departamento de Atenção Básica e Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS: Atitude de ampliação de acesso. 2ª Ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2015. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_praticas_integrativas_complementares_2ed.pdf .Acesso em: 22 Abr. 2021
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Nº 0581/2018, 11 de julho de 2018. Atualiza, no âmbito do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, os procedimentos para Registro de Títulos de Pós – Graduação Lato e Stricto Sensu concedido a Enfermeiros e aprova a lista das especialidades. In: Conselho Federal de Enfermagem [legislação na internet]. Brasília; 2018. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-581-2018_64383.html . Acesso em: 22 Abr. 2021
CORREA, Natalia; SOARES, Maria Cristina Flores; MUCCILLO-BAISCH, Ana Luiza. Conhecimento do tema plantas medicinais e fitoterápicos como instrumento tecnológico na formação dos acadêmicos de enfermagem. VITTALLE- Revista de Ciências da Saúde, v. 30, n. 2, p. 38-46, set. 2018. Disponível em: https://www.seer.furg.br/vittalle/article/view/7496/5400 . Acesso em: 22 Abr. 2021
JUNIOR, Emílio Telesi. Práticas integrativas e complementares em saúde, uma nova eficácia para o SUS. Estudos Avançados, v. 30, n. 86, p. 99-112, apr. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142016000100099 . Acesso em: 22 Apr. 2021
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Práticas Integrativas e Complementares (PICS). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z-1/p/praticas-integrativas-e-complementares-pics . Acesso em: 17 Abr. 2021.
NASCIMENTO, Alexandre Aldenes Teixeira de, et al. Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Relato de Experiências. In: JUNIOR, Silvio de Almeida. Práticas Integrativas E Complementares: Visão Holística e Multidisciplinar. 1 ed. Guarujá – São Paulo: Editora Científica Digital LTDA, 2020. p. 203-2019. Disponível em: https://downloads.editoracientifica.org/books/978-65-87196-61-9.pdf . Acesso em: 22 Abr. 2021
NASCIMENTO, Alexsandra; PRADE, Ana Carla Koetz. Aromaterapia: o poder das plantas e dos óleos essenciais. Observa PICS – Especial Cuidado Integral na Covid-19. n. 2, 2020. Disponível em: http://observapics.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/08/Cuidado-integral-na-Covid-Aromaterapia-ObservaPICS.pdf . Acesso em: 22 Abr. 2021
OLIVEIRA, Fernanda Pimentel de; LIMA, Maria Raquel da Silva; FARIAS, Francisca Lucélia Ribeiro de. Terapias integrativas e complementares em situações emocionais na pandemia do COVID-19. Rev Interdisciplinar, v. 13, 2020. Disponível em: https://revistainterdisciplinar.uninovafapi.edu.br/index.php/revinter/article/view/1778 . Acesso em: 22 Abr. 2021
RUELA, Ludmila de Oliveira et al. Implementação, acesso e uso das práticas integrativas e complementares no Sistema Único de Saúde: revisão da literatura. Ciênc. saúde coletiva,Rio de Janeiro, v. 24, n. 11, p. 4239–4250, Nov. 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232019001104239#B3 . Acesso em: 17 Abr. 2021
COMO CITAR:
FALCÃO. L. T; SOUZA. J. C; LOPES. J. L. .B. O; Lana. L. D; MORESCHI. C; GEHLEN. M. H; TANAKA. A. K. S. R. AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES DURANTE A PANDEMIA PROVOCADA PELA COVID-19 (online). Blog LEVi@enf2021(viewed 31May2021) Avaliable from: https://www.ufrgs.br/levi/as-praticas-integrativas-e-complementares
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