
Data de publicação: 22/02/2021
Cerca de um ano do primeiro caso de COVID-19 e da publicação do Modelo de Distanciamento Controlado, nos encontramos no pior momento da epidemia no estado do Rio Grande do Sul. O rápido agravamento do cenário resultou na sinalização de “Bandeira Preta” em quase metade das regionais do RS.
O Modelo de Distanciamento Controlado é composto por 11 indicadores que, juntos, medem a velocidade de propagação da doença e a capacidade do sistema de saúde de absorver os casos. Apesar dos dados serem gerados em cada cidade, elas foram agrupadas por regiões. As regiões recebem uma cor de bandeira que resume a situação na qual ela toda se encontra, pois as cidades que a compõe tem interdependências, como o compartilhamento de serviços de saúde. São quatro cores de bandeiras que sinalizam a velocidade do aparecimento de casos novos e se há como o sistema de saúde (público e privado) de atender às pessoas: amarela (risco baixo), laranja (médio risco), vermelho (alto risco) e preta (altíssimo risco).
De o sistema de saúde ser incapaz de atender às pessoas, ou seja, de entrar em colapso!
Quanto maior o risco, portanto, menos disponibilidade de serviços de saúde: consultas nos postos de saúde, nos ambulatórios, consultórios, internações hospitalares (em unidades e UTIs), SAMU, pronto atendimentos, emergências, laboratórios, serviços de diagnósticos, além de todos os demais serviços essenciais necessários para a manutenção do funcionamento dos serviços de saúde, como fornecimento de materiais, equipamentos e insumos, manutenção, limpeza, segurança, transporte, relacionados à água, luz, internet, e muitos outros.
Entrando na última semana de fevereiro metade do RS encontra-se em altíssimo risco de propagação da doença e de que, por isso, o sistema de saúde não consiga assistir a todos que necessitem. Já vimos esta situação em outros estados brasileiros, sendo a Amazonas o exemplo mais emblemático. E agora, o que fazer? Ora, se o Modelo é afetado pela velocidade de surgimento de casos novos e pela capacidade do sistema de saúde de absorver esses casos, aí reside nossas possibilidades. Cumprindo seu dever, o estado se encarrega e estabelece protocolos gerais e específicos para os diferentes seguimentos da sociedade atuarem de acordo com cada cor de bandeira (https://distanciamentocontrolado.rs.gov.br/). Além disso, tenta ampliar a rede de atenção de modo a para garantir que todos que precisarem tenham acesso aos serviços de saúde. No entanto, a ampliação do sistema é limitada. Não há profissionais de saúde, área física, equipamentos, insumos e toda a demais estrutura de modo interminável. Portanto, não se pode ampliar a rede de atenção à saúde de modo indefinido. Nenhum sistema de saúde no mundo é capaz disso. Portanto, ações voltadas a impactar sobre a velocidade de surgimento de casos novos são mandatórias.
Vacinação rápida e estendida à toda população é uma medida capaz de reduzir a velocidade de propagação da doença. No entanto, isso não tem um efeito imediato. Levaremos tempo até que grande número de pessoas recebam as duas doses da vacina e que desenvolvam imunidade. Mesmo depois disso, apesar de os vacinados não desenvolverem formas graves da COVID-19, ainda poderão transmitir a doença, se infectados.
Cada um é capaz de controlar essa pandemia. Já sabemos que o SARS-Cov-2 (vírus da COVID) se propaga de uma pessoa doente (mesmo que assintomática!) para outra, pelo ar. Também sabemos que as pessoas carregam o vírus de um lugar para o outro, ao se deslocarem. O vírus não pega Uber; mas pega no motorista e passageiro(s) de Uber. As pessoas se encarregam de espalhar o vírus. Aglomerações no litoral (ou na serra), de pessoas de diferentes cidades, são uma combinação muito perigosa para transmissão do vírus. No meio da aglomeração, provavelmente, haverá alguém contaminado (mesmo que assintomático). Também, além do vírus contaminar outras pessoas no próprio litoral (ou na serra), retorna com os viajantes para suas cidades de origem, distribuindo-se por todas regiões.
Frente a tudo isso, restam-nos ações simples, baratas e de conhecimento amplo por toda a população:
Estas ações são individuais. Não dependem de ninguém além da própria pessoa. São um compromisso ético com a sociedade, uma vez que as minhas atitudes podem contribuir para a sobrevivência (ou para a morte) de outras pessoas.
Agora é a hora de cada um fazer a sua parte, e dar sua contribuição e de seguir recomendações.
Não é alarmismo.
Engula seu egoísmo e salve vidas!
Ou é isso, ou bem-vindo ao caos!
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