Prof. Dr. Wiliam Wegner

          Estamos iniciando o tradicional mês “abril pela segurança do paciente” que faz alusão aos 07 anos de lançamento do Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) no Brasil. Embora, este mês comemorativo ainda tenha pouca visibilidade e repercussão no cenário nacional, o momento em que nos encontramos traz importantes reflexões e significados dada a atual pandemia que a sociedade enfrenta. Neste contexto, as medidas de segurança do paciente adquirem destacada relevância em todos os cenários de cuidado (domicílio, serviço de saúde, locais públicos, …) para a prevenção da disseminação da Covid-19.

           O primeiro desafio global lançado em 2009 pela Organização Mundial da Saúde para fomentar a segurança do paciente foi “Um Cuidado Limpo é um Cuidado Mais Seguro”, destacando medidas para prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) com foco nas ações de melhoria para a higienização das mãos em serviços de saúde (WHO, 2009). Reafirmo que o desafio ainda é atual, pertinente e árduo para toda a sociedade, incluindo os profissionais da saúde, pacientes, familiares, sociedade, gestores, ou seja, todos os implicados neste “problema” que passa a ser um fundamento básico para o cuidado à saúde. No dia 05 de maio é celebrado o Dia Mundial da Higienização das Mãos.

          No dia 01 de abril de 2013, por meio da Portaria 529, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) com o objetivo geral de contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional (BRASIL, 2013). O PNSP está estruturado em 4 eixos e as ações estão organizadas nas Metas Internacionais de Segurança do Paciente amplamente divulgadas e reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde, Conselhos profissionais, sociedades de especialistas, entre outros.

       A infecção provocada pelo Covid-19 pode ser classificada como um incidente com dano, ou seja, um evento adverso. Para compreender tal afirmação é importante elucidar alguns conceitos importantes na área da segurança do paciente (WHO, 2009):

  • Segurança do Paciente

    Redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado ao cuidado de saúde.

  • Dano

    Comprometimento da estrutura ou função do corpo e/ou qualquer efeito dele oriundo, incluindo-se doenças, lesão, sofrimento, morte, incapacidade ou disfunção, podendo, assim, ser físico, social ou psicológico.

  • Incidente

    Evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente.

  • Evento adverso

    Incidente que resulta em dano ao paciente.

          A compreensão deste conceitos orienta e padroniza o entendimento em esfera mundial dos fundamentos da segurança do paciente no cuidado à saúde.

          A operacionalização das seis metas de segurança do paciente no cuidado de saúde/enfermagem faz parte do cotidiano do processo de trabalho da equipe multiprofissional que assiste os pacientes. A equipe de enfermagem por estar na linha de frente tem grande responsabilidade na divulgação, implantação, avaliação e orientação destas medidas para que todos os profissionais da equipe que vai cuidar do paciente promovam um cuidado seguro e de qualidade.

           As seis metas internacionais de segurança do paciente são:

1- Identificar corretamente o paciente;

2- Melhorar a comunicação entre os profissionais de saúde;

3- Melhorar a segurança na prescrição, no uso e na administração de medicamentos;

4- Assegurar cirurgias em local de intervenção, procedimento e paciente corretos;

5- Higienizar as mãos para evitar infecções;

6- Reduzir o risco de quedas e lesões por pressão.

          Destacamos a adesão e implantação da meta 5 como a principal estratégia para a prevenção da disseminação da Covid-19 entre pacientes e profissionais de saúde nas instituições de saúde. Considerando a afirmativa anterior que a infecção pelo Covid-19 pode ser um evento adverso é importante considerar que este incidente é um evento que pode ser evitado com a adoção de boas práticas e a principal é a higienização correta das mãos dos profissionais que cuidam do paciente. Relembrando que devemos utilizar a técnica correta para higienização das mãos e aplicar rigorosamente nos 5 momentos.

          Considerando as premissas da segurança do paciente é fundamental avaliar este incidente de maneira sistêmica e analisar todas as etapas e processos envolvidos para que uma assistência segura seja ofertada ao paciente quando sob os cuidados da equipe multiprofissional de saúde.

          A enfermagem é protagonista no desenvolvimento e promoção da segurança do paciente no Brasil. Em setembro de 2008 foi criada a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP) a qual vem liderando a divulgação de competências para o cuidado seguro por meio de diversas estratégias.

           O Rio Grande do Sul propõe a adoção de 12 estratégias para o cuidado seguro, destacando a 1ª estratégia Higienização das Mãos (REBRAENSP-POLO RS, 2013) que orienta e reforça o apelo que é feito a toda a população em tempos de Covid-19.

          Outro aspecto que merece destaque é o estímulo a participação ativa de pacientes, cuidadores, familiares durante a hospitalização para que as estratégias de segurança do paciente sejam implementadas e efetivas, principalmente para identificar riscos e evitar danos durante o período de internação para tratamento/cuidados de saúde (Biasibetti et al., 2019; Hoffmann et al., 2019).

          Portanto, a enfermagem tem um papel imprescindível para o sucesso das ações de segurança do paciente, ou seja, é a equipe que está na linha de frente, implementando as medidas e identificando elementos para melhoria dos processos assistenciais seguros (Grabois; Rosa, 2019).

           Convidamos a comunidade a consumir os artigos da edição especial (Volume 40) da Revista Gaúcha de Enfermagem (www.scielo.br/rgenf) sob o tema: Segurança do paciente e as implicações no cuidado: desafios na implantação de protocolos nas práticas de Enfermagem, disponível na íntegra para todos (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1983-144720190002&lng=pt&nrm=iso).

              Concluímos esta reflexão, destacando que neste ano comemoramos aos 200 anos do nascimento Florence Nightingale e o mundo conclama a Enfermagem para assumir o seu protagonismo nos cuidados de saúde de toda a população. É hora de participarmos do enfrentamento da pandemia, fazendo o que aprendemos: cuidar das pessoas.

#somosenfermagem

#nursingnowbrasil

#eenfufrgs

#rgenf

Agora queremos saber sobre as suas experiências e práticas exitosas (boas práticas) relacionadas a promoção da segurança do paciente. Compartilhe algumas iniciativas que você utiliza, pratica ou observa no cotidiano do cuidado de enfermagem que contribui para o cuidado seguro …

ESCREVA NOS COMENTÁRIOS 😉

Referências:

Biasibetti C, Hoffmann LM, Rodrigues FA, Wegner W, Rocha PK. Comunicação para a segurança do paciente em internações pediátricas. Rev Gaúcha Enferm. 2019;40(esp):e20180337. doi: https://doi.org/10.1590/1983-1447.2019.20180337.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 529, de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente.  Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0529_01_04_2013.html

Brasil. Ministério da Saúde. Documento de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente / Ministério da Saúde; Fundação Oswaldo Cruz; Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/documento_referencia_programa_nacional_seguranca.pdf

Grabois V, Rosa MB. Aprendendo com a sabedoria da linha de frente do cuidado [Editorial]. Rev Gaúcha Enferm. 2019;40(esp):e20180487. doi: https://doi.org/10.1590/1983-1447.2019.20180487.

Hoffman MR, Wegner W, Biasibetti C, Peres MA,Gerhardt LM, Breigeiron MK. Patient safety incidents identified by the caregivers of hospitalized children. Rev Bras Enferm. 2019;72(3):707-14. doi: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0484

REBRAENSP-POLO RS. Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente – Polo RS. Estratégias para a segurança do paciente: Manual para profissionais da saúde. Porto Alegre: Edipucrs, 2013. Disponível em: https://www.rebraensp.com.br/manuais-rebraensp

World Health Organization (WHO). World Alliance for Patient Safety. Forward Programme 2008-2009.  Geneva (Switzerland): World Health Organization, 2008. Disponível em: https://www.who.int/patientsafety/worldalliance/en/

World Health Organization (WHO). A World Alliance for Safer Health Care. More Than Words: Conceptual Framework for the International Classification for Patient Safety. Version 1.1. Final Technical Report. January 2009. Geneva (Switzerland): World Health Organization, 2009. Disponível em: https://www.who.int/patientsafety/ICPS%20-%20July%202007.pdf

World Health Organization (WHO). WHO guidelines on hand hygiene in health care Clean care is safer care. Geneva (Switzerland): World Health Organization, 2009. Disponível em:  https://www.who.int/infection-prevention/publications/hand-hygiene-2009/en/