
Cuidar de si tem sido a principal medida de saúde pública e também o maior desafio para as pessoas do mundo todo em meio à pandemia Coronavírus. Aqui, o termo “cuidar de si” toma proporções sociais jamais vistas. Cada um que faz a medida recomendada de ficar em casa, em distanciamento social, interrompe a cadeia de transmissão deste vírus de maneira exponencial.

Profissionais de saúde tomam o cuidado como o seu mais poderoso bem, agregado ao conhecimento científico atualizado. Cuidar do outro constitui-se numa ferramenta de trabalho, mas também fala de nós, do que somos como humanos, do que nos constituímos como sociedade, por muito e muito tempo. E neste momento é preciso dizer: estamos muito orgulhosos de toda a equipe multiprofissional!
Tomado de outro ângulo, o cuidado de si, para os profissionais de saúde, constitui-se em matéria complexa. Enquanto o outro está ali, na nossa frente, nos nossos braços, muitas vezes dependendo de nós até para respirar, pouco espaço sobra para pensar em si, para cuidar de si. É disto que precisamos falar agora, como estamos cuidando de nós mesmos, estudantes e profissionais da saúde?
Muitos autores, filósofos ou pesquisadores poderiam ser referenciados quando se trata da insígnia “cuida a ti mesmo”. Há um sábio provérbio chinês que, ao se dirigir à imagem do bambu, demonstra o cuidado que se quer para os profissionais de saúde: Não é preciso ser forte; Há que ser flexível!
A origem deste provérbio trata dos campos de plantação de bambu, nos quais a semente é plantada e por, aproximadamente, cinco anos nada se observa acima da terra. O crescimento do bambu, por todo este tempo, é subterrâneo. Há uma complexa raiz crescendo em profundidade à terra. Quando inicia-se o quinto ano, o bambu emerge da terra e atinge quase 25 metros em menos de doze meses.
1) intelectual, visto que a maioria dos cursos de graduação tem duração semelhante;
2) pessoal, e é deste que gostaria de falar um pouquinho.
Obviamente ambos os conhecimentos vão se fortalecendo por toda a vida após a graduação.
O crescimento pessoal dos profissionais de saúde passa pela difícil tarefa de compreender que os cuidados de si são tão importantes quanto o cuidado dos outros. Passa por compreender que quando se faz uma orientação educativa, relacionada a atividades para sair do sedentarismo, que o próprio profissional precisa se movimentar, não para ser um exemplo ou mártir da verdade, mas porque ele próprio precisa constituir modos de cuidado no seu cotidiano.
A medicina tradicional chinesa, reconhecida como uma racionalidade terapêutica que utiliza diferentes modos de relacionar o processo saúde-doença, se comparada à biomedicina que constitui os currículos da área da saúde no Brasil, pode nos dar algumas dicas de como podemos organizar nossos cuidados a partir de cinco princípios básicos:
Os três primeiros princípios nos são mais fáceis de compreender, embora os problemas relacionados à qualidade do sono, ao lado da ansiedade e da dor, sejam os principais motivos de queixa em pessoas saudáveis nos dias de hoje.
Mas o que nos impede de dormir bem?
Esta é uma pergunta que cada um pode problematizar para si.
Meditar pode não ser algo simples ou de desejo para todos, apesar de existirem inúmeras possibilidades de meditação. Poderia dizer que existe um tipo de meditação sob medida para você, basta você descobrir qual é… Mas vamos simplificar a recomendação e concentrar no princípio de respirar bem.
Podemos começar refletindo o quanto temos prestado atenção à nossa respiração?
Respiramos ares poluídos e com muitas substâncias que não fazemos ideia de como interferem na nossa saúde, mas também respiramos superficialmente, expandimos cada vez menos os nossos pulmões que estão bem ali, com toda a sua capacidade à nossa disposição.
Que tal parar agora um instante para fazer algumas respirações mais profundas?
Observe a si, que partes do corpo você sente respirar?
Nosso corpo é fantástico, pode produzir emoções muito complexas e essas emoções, boas ou ruins, são necessárias à nossa sobrevivência. Esquecer bem está no âmbito de viver cada emoção na exata duração necessária (que vai variar para cada um de nós) e quando for possível, deixar para trás o que causou o desconforto.
Já pensou se fossemos capazes de lembrar cada segundo que vivenciamos na vida? Somos capazes de esquecer bem, talvez estejamos nos ocupando de coisas sobre as quais, muitas vezes, não temos ingerência e esquecendo dos instantes, daquilo que pode provocar uma boa gargalhada, do que pode ser compartilhado com os outros.
Em tempos de ficar em casa o cuidado de si pode ficar mais confuso, porque temos a tendência de agregar atividades do mundo de fora ao nosso cuidado. Mas há muitas coisas que podem ser feitas em casa. Já pensou em quais exercícios você poderia realizar dentro da sua casa? Não deixe de se movimentar!
Agora é a hora de elaborar um bom plano de cuidados para si, compatível com a vida contemporânea!
E para quem está brilhando nos serviços de saúde,
cuidando dos outros, não se esqueça de você.
Por todos nós, cuide-se também!
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