Nos últimos anos em Porto Alegre, assistimos a um progressivo desmonte do patrimônio público municipal com constantes afrontas a uma configuração igualitária do direito à cidade e à moradia digna: se multiplicam os arranha-céus e as parcerias público-privadas, ao mesmo tempo em que se desarticulam iniciativas de mobilização para o cumprimento da função social da propriedade, como é o caso da Ocupação Baronesa, território de resistência e luta afro indígena. O Cortejo Cidadão foi um movimento efêmero de ocupação das ruas de Porto Alegre por parte de alguns coletivos que defendem o direito à cidade e um planejamento urbano participativo e democrático (grupos de pesquisa e extensão, escritórios de arquitetura, jornalistas, ocupações, assentamentos e comunidades), inscrevendo um percurso urbano que reunia uma serie de imóveis públicos ameaçados pela venda e especulação do capital imobiliário. O Margem_Lab desenvolveu uma prática narrativa durante o cortejo, em frente ao terreno anteriormente ocupado pela Ocupação Baronesa. A prática consistiu em uma “teia de palavras” relacionada à demolição do edifício público que, por alguns meses, abrigou famílias que reivindicavam moradia em seu território de origem.
Dispostas sobre os escombros durante a chuva, as palavras enunciavam as territorialidades de quilombolas e indígenas devassadas pelo planejamento urbano operante.