Carta da AAPO – Associação dos Apicultores Osorienses sobre as Linhas de Transmissão

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Data de Criação 21/04/2021
Ultima Atualização 22/04/2021
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MEL DE OSÓRIO - AAPO - Associação dos Apicultores Osorienses. RS 359 - Km 04, rua . Manoel, 51. Várzea do Padre - Osório, RS. Fone: (51) 36012377. CNPJ 97.264.118/0001-84

Osório, 14 de junho de 2016.

Ilma. Sra. Engenheira Graziela Clamt

Os associados da AAPO (Associação dos Apicultores Osorienses, vem manifestar profunda preocupação quanto ao traçado do projeto de implantação da linha de transmissão de energia LT 230 KV Gravatai 3 -Osório 3.

Neste trajeto onde o projeto está sendo estudado, na região do morro da Borussia, e mais especificamente nas localidades de Goiabeira, Baixada e Arroio Grande, é de crucial importância para um grupo grande de apicultores do município de Osório. Em determinada época do ano a região dos campos onde temos a nossa maior produção de mel é muito pobre em florada apícola causando uma grande escassez de alimento obrigando o apicultor a fornecer alimento para as abelhas para poder salvar as colmeias para obter produção na próxima temporada, tornando a atividade muito onerosa devido os custo da alimentação artificial, além do custo adicional do transporte, pois temos que ir e vir várias vezes ao levar o alimento devido a pequena durabilidade deste.

A solução mais viável para esta época de escassez é migrar com as colmeias para a mata nativa do morro nos meses de julho, agosto. Lá as colmeias encontram uma gama variada de flores e se mantem fortes e produzem a safra de primavera para no mês de fevereiro retornar a várzea para as áreas de eucaliptos principalmente, além de banhados e campos onde no mês de maio é realizada a colheita.

Este ritual acontece aqui em nosso município desde que se tem notícia dos primeiros apicultores que se aventuraram a viver da atividade, contado e recontado pelos mais antigos apicultores.

Num levantamento rápido com os apicultores chegamos a um total de mais de 2.000 colmeias que são migradas para a região de abrangência deste projeto no âmbito do município, com 10 famílias envolvidas, sendo que cada apicultor além do envolvimento dos familiares ainda necessita contratar ajudantes temporários em época de safra, o que dá a dimensão do envolvimento de muita mão de obra. Além disso, existem na área muitos outros agricultores que não são associados da AAPO, mas possuem algumas colmeias para o seu sustento e vendem o mel excedente. Isso demonstra um grande número de famílias, neste local, que tem na apicultura o seu meio de vida, ou parte dele.

A nossa preocupação, que já começa a nos tirar o sono, é quanto a este projeto vir a se concretizar pois não sabemos o que pode acontecer com nossas colmeias. Temos noticia do sumiço das abelhas onde as colmeias vão minguando e somem sem explicação. Sabemos também que a Abelha é extremamente sensível a qualquer variação, seja ela climática ou de qualquer natureza, e esta interferência na mata com a implantação de uma rede com tamanha projeção, além do prejuízo no corte de vegetação que é a mata que supre esta florada. Além das questões visíveis, tem outras questões que não são visíveis como as ondas eletromagnéticas. Não sabemos o que elas podem causar em nossas abelhas, principalmente na questão da orientação durante os trajetos de idas e vindas para a coleta do néctar, pólen e resinas, ingredientes cruciais para a sobrevivência da colmeia.

Diante do exposto queremos fazer as seguintes indagações:

  1. Qual o risco de as ondas eletromagnéticas interferir na orientação das abelhas, influenciando no retorno desta para a colmeia ocasionando a extinção do enxame?
  2. Se isto ocorrer quem vai ressarcir os prejuízos se estas colmeias estiverem localizadas fora da zona de abrangência da linha, pois o raio de abrangência média de uma colmeia é de 1,5 km podendo chegar a distâncias bem maior em época de florada escassa?
  3. Quem vai garantir o sustento destas famílias se perderem sua fonte de renda?
  4. Sabemos que as abelhas são muito importantes na polinização de plantas, principalmente as frutíferas. Se as abelhas não conseguir sobreviver neste local quem vai pagar o prejuízo dos agricultores com a perda da produção, principalmente das frutíferas no raio de ação das abelhas com a diminuição da polinização em toda essa área?
  5. Porque não fazer este traçado na área plana onde em grande parte são lavoura de arroz e criação de gado onde o prejuízo para a natureza bem menor?

Obs: Este documento será anexado ao processo nº 0357056751.

Tautibio Menezes Teixeira
Presidente

Pedro da Silva Francisco
Tesoureiro

Download em formato PDF: https://www.ufrgs.br/morrodeosorio/download/carta-apicultores-osorio-2016/

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Ricardo Dagnino

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