Você já ouviu falar sobre Paleobiologia da Conservação? Você sabia que que a Paleontologia pode contribuir à conservação? 

Como os impactos antropogênicos nos sistemas ecológicos são antecedentes às observações científicas mais antigas, assim como documentos históricos e registros arqueológicos, a compreensão de alterações naturais ou antrópicas modernas exige fontes de dados adicionais que se estendam a um passado mais remoto. Os registros paleoecológicos, que fornecem registros quantitativos dos ecossistemas antes do impacto humano são essenciais para entender as extinções recentes e os riscos futuros de extinção. Essa nova e emergente abordagem interdisciplinar, intitulada Paleobiologia da Conservação, ainda é praticamente desconhecida no Brasil. Mais importante ainda, suas aplicações e técnicas derivadas da Paleontologia (particularmente da Tafonomia Atualística) são ferramentas muito válidas em um país onde os estudos ecológicos de longo prazo são raros. Enquanto os dados paleoecológicos são censos intrinsecamente restritos de comunidades passadas (experimentos manipulativos não são possíveis), eles produzem registros quantitativos em escalas temporais que estão além do alcance da ecologia. Somente através da inclusão de dados paleoecológicos será possível avaliar plenamente o papel dos processos antropogênicos de longo prazo sobre comunidades bentônicas modernas. 

A figura, abaixo, ilustra a extensão temporal e particularidades de diferentes tipos de estudos (parte superior da imagem) no contexto do desenvolvimento cultural humano. Os tipos de registro são classificados como dominantemente de uma categoria (quadrado preto), parciais (cinza) ou quando não são tipicamente desta categoria (brancos). A largura das barras reflete a abundância relativa desses dados durante esses períodos. Os intervalos culturais antrópicos são baseados em Lotze et al. (2006; https://doi.org/10.1126/science.1128035). Instrumentação (em tempo real) e experimentos são os registros mais precisos, embora sejam concomitantemente os mais restritos espacial- e temporalmente. Os registros mais longos se estendem no máximo até o período anterior a Era moderna. Estes registros incluem medidas de CO2 atmosférico, variações do nível relativo do mar e registros contínuos de temperatura. Os Programas Ecológicos de Longa Duração (PELDs), raramente se estendem para períodos mais antigos do que a globalização (1950). De forma geral, as observações diretas e contínuas, como monitoramento de aves e plâncton são as observações ecológicas mais longas. A Lista vermelha da IUCN é estendida até o início da era moderna para refletir extinções documentadas através de dados históricos. Registros arqueológicos e escrituras históricas possuem lacunas temporais e espaciais, embora se prolonguem temporalmente. Dados paleoecológicos, assim como informações recuperadas de furos de sondagem, embora também descontínuos, são os que possuem a maior extensão temporal, muito além da história humana. Neste sentido, estes tipos de dados são extremamente importantes para adquirir perspectivas em longo prazo sobre a dinâmica de espécies, comunidades e ecossistemas 

Ainda, você sabia que desde o início desse ano existe uma rede de cientistas em todo o mundo engajados em consolidar essa ciência? A rede internacional The Conservation Paleobiology Research Coordination Network (https://conservationpaleorcn.org/) visa congregar esforços com à sociedade e os governos locais em prol da conservação com uma visão paleontológica. O Prof. Matias Ritter (CECLIMAR, UFRGS; @matias.ritter) é um dos pesquisadores responsáveis por ações dessa rede na América do Sul. 

Em tempos de pandemia, compreender a dinâmica de ambientes e espécies em respostas à catástrofes é de supra importância e a Paleontologia pode nos ensinar muito sobre o passado na Terra, e, desse forma, nos dar subsídios de como enfrentar o futuro!

Essa postagem é um projeto participante do Programa Ciência na Sociedade Ciência na Escola, PROPESQ/UFRGS.

Autoria: Deise Oliveira Lopes (bolsista; @deiseoliveiralopes). Coordenação: Prof. Matias Ritter (@matias.ritter).
A figura foi modificada de https://doi.org/10.1098/rsbl.2015.0951

Você sabe a diferença entre gastrópodes e bivalves?

Na imagem encontram-se dois moluscos de classes bastante diversificadas tentando enterrar-se após a passagem de uma onda. Eles pertencem a duas classes de moluscos: Gastropoda e Bivalvia.

Os gastrópodes contém cerca de 80 mil espécies, sendo sua maioria marinha. Representados por caracóis, caramujos e lesmas.

Os caracóis são terrestres e apresentam concha externa. Caramujos também possuem concha externa, mas vivem em ambiente aquático.

Já as lesmas, são terrestres e marinhas, porém não possuem concha ou exibem tamanho reduzido.

A concha única, de modo geral, é espiralada e abriga a massa visceral (parte do molusco que inclui órgãos internos).

Os bivalves contém cerca de 20 mil espécies e são unicamente aquáticos, representados por ostras, mexilhões e mariscos.

A concha é formada por duas valvas (cada metade da concha) unidas por um ligamento elástico.

Por serem em sua maioria organismos filtradores, os bivalves são considerados bons bioindicadores da qualidade da água.

Quer saber mais sobre esses organismos: visite o MUCIN!

Essa postagem é um projeto participante do Programa Ciência na Sociedade Ciência na Escola, PROPESQ/UFRGS.

 Autoria: Deise Oliveira Lopes (bolsista; @deiseoliveiralopes). Coordenação: Prof. Matias Ritter (@matias.ritter).

Projeto Oceano

A UFRGS/CECLIMAR e o Parque Hotel Acqua Lokos, firmaram parceria para realização do projeto educacional intitulado Projeto Oceano com o objetivo de demostrar a riqueza do ecossistema do Litoral do Rio Grande do Sul. Quem visitar o Acqua Lokos poderá ver duas mostras. A primeira na área coberta é uma exposição fotográfica “Céu, Terra, Água: Litoral Norte em Imagens”, outra na área externa conta com painéis que apresentam parte da Fauna do Litoral. Aos fins de semanas alunos do Curso de Biologia Marinha realizam a mediação com os visitantes.

Confira algumas fotos e matérias sobre o projeto.