Autolesão não suicida infantojuvenil

Avaliação de fatores individuais e contextuais e proposta de intervenção

Sobre o projeto

A autolesão não suicida é definida como uma ação deliberada do indivíduo de autoinfligir lesões superficiais, embora dolorosas, ao seu corpo, sem a pretensão de provocar a morte. É uma prática associada a importante sofrimento psíquico cujas motivações são tanto de ordem individual quanto contextual. Com vistas a investigar o fenômeno considerando sua complexidade, dois estudos são propostos. O Estudo 1, intitulado “Autolesão não suicida infantojuvenil: associação entre variáveis individuais, familiares e escolares”, buscará avaliar fatores da criança e do adolescente, de sua família e escola associados à ocorrência de autolesão não suicida e examinar como se relacionam a partir de modelos de regressão e de equações estruturais. 

Tais modelos terão seu entendimento complementado por dados qualitativos acerca do contexto escolar. Pretende-se compreender como gestores, professores e psicólogos percebem a incidência de autolesão não suicida entre os alunos, bem como conhecer quais ações são desenvolvidas para prevenir e/ou reduzir tais comportamentos e como são avaliadas. Participarão crianças/adolescentes, pais, professores, gestores e psicólogos escolares que responderão a diferentes instrumentos de pesquisa (escalas, inventários, questionários, entrevistas). Na sequência, pretende-se desenvolver o Estudo 2, intitulado “Desenvolvimento e avaliação de intervenção psicoeducativa parental sobre autolesão não suicida em crianças e adolescentes”, cujo público-alvo serão os pais e responsáveis legais de crianças e adolescentes que se autolesionam. 

Ter-se-á como objetivo desenvolver e avaliar uma proposta de intervenção cujo foco será caracterizar funções e variáveis associadas à autolesão, e orientar sobre a expressão assertiva das emoções, habilidades de comunicação e estabelecimento de limites, além de reforçar o suporte familiar. 

Serão realizadas avaliações pré e pós-intervenção por meio de diferentes instrumentos de pesquisa (escala, inventário e entrevistas). Acredita-se que a integração e a discussão conjunta dos dados quantitativos e qualitativos permitirão um entendimento mais amplo e profundo do fenômeno. Além disso, destaca-se a importância de identificar os processos individuais, familiares e escolares associados à saúde mental infantojuvenil, o que viabilizará uma compreensão abrangente e fiel da autolesão não suicida. Espera-se que os resultados subsidiem a prática de profissionais, principalmente das áreas da saúde e da educação, visto que eles costumam interagir com crianças e adolescentes e, na maioria das vezes, vivenciam tais situações como desafiadoras. Ainda, almeja-se que os dados ampliem os recursos e as oportunidades de implementação de intervenções em saúde mental, validando empiricamente técnicas de tratamento.

Palavras-chave: autolesão não suicida, infância, adolescência, família, escola, intervenção psicoeducativa.

Livreto

Enfrentando a autolesão:
Orientações para mães e pais de adolescentes

CNPq e FAPERGS

Fonseca, A. C., & Marin, A. H. (2022). Violência autoprovocada no Brasil: caracterização dos casos notificados entre 2009 e 2021. Revista Psicologia e Saúde, 14, 131-146.

Selbach, L., & Marin, A. H. (2021) Self-harming adolescents: how do they perceive and explain this behavior? Psico-USF, 26, 719-732.

Raupp, C., Marin, A. H., & Mossman, C. (2021). Relacionamento familiar e práticas parentais percebidas por meninas adolescentes com comportamentos autolesivos. Psychologica (Coimbra), 64, 29-48.

Intervenção Psicoeducativa Parental sobre Autolesão Não Suicida em Crianças e Adolescentes (on-line e gratuito)

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Acolhimento em saúde mental

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