A trajetória detalhada do PPGENSAU/FAMED/UFRGS, a partir de suas origens e primeiras construções na década de 1970, cuja descrição não cabe nesta proposta, está documentada em artigo dos seus mentores, professores Waldomiro Carlos Manfroi e Carmen Lucia Bezerra Machado, na revista Saberes Plurais: Educação na Saúde, que é a publicação acadêmica oficial do programa [http://bit.ly/ppgensau_historia]. Dali se destaca o percurso ininterrupto da disciplina Práticas em Educação e Saúde, que, de 1996 a 2012, até a sua incorporação à grade curricular do PPGENSAU, era oferecida sob o nome de Prática Educativa em Medicina a todos os pós-graduandos vinculados à Faculdade de Medicina.
Fundamenta-se desde o início nos objetivos de:
“proporcionar aos alunos de pós-graduação situações concretas de conhecimentos, de forma interdisciplinar e práticas sobre as modalidades de ensino e aprendizagem que lhe permitissem incorporar novas metodologias para suas atividades docentes futuras; contribuir com os esforços que vinham sendo desenvolvidos na tentativa de introduzir mudanças curriculares na área da saúde, visando ao preparo de profissionais que atendessem às necessidades da população, fundamentadas nos princípios da Constituição de 1988”.
Como se vê, desde sempre afinada com os aspectos educacionais das diretrizes da Capes e do Ministério da Saúde para incentivo à pós-graduação em ensino na saúde, formuladas em 2010, de cujo grupo de trabalho responsável o professor Waldomiro Manfroi fez parte.
Depois de um período de reações conflitantes, em virtude de seu olhar renovador sobre as práticas educativas no campo da saúde, a disciplina teve repercussão predominantemente positiva e, em 2004, no movimento de valorização das então novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Medicina e do Programa de Incentivo a Mudanças Curriculares para o Ensino de Graduação da Medicina, dos Ministérios da Saúde e da Educação, evoluiu para a implementação de uma linha de pesquisa em educação e saúde, na qual se inseriam professores de todos os programas de pós-graduação da Faculdade de Medicina, visando à qualificação dos docentes da própria unidade de ensino e profissionais de saúde de instituições parceiras (num primeiro momento, Rede Hospitalar Conceição e gestores municipais e estaduais de saúde).
A partir desse impulso inicial, o conjunto de teses e dissertações produzidas na linha de pesquisa educação e saúde constituiu e fundamentou a implantação do Projeto de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Faculdade de Medicina da UFRGS, baseado em proposta de autoria de Waldomiro Carlos Manfroi, Carmen Lucia Bezerra Machado, Malvina do Amaral Dorneles, Eliana Claudia Ribeiro e Ronaldo Bordin. É importante ressaltar que, ainda que a primeira turma de alunos do inovador projeto – que produziu dez teses e dissertações – tenha se constituído de professores das faculdades de Medicina, Odontologia e Farmácia, a turma seguinte já incluiu quatro profissionais de saúde de diferentes serviços do SUS. Isso já corroborava o viés do projeto para a qualificação dos profissionais de saúde, com base na educação, que nortearia a sua missão de promover a capacitação dos profissionais de saúde e abordagens transformadoras das tecnologias e práticas no SUS.
A evolução natural do Projeto de Pós-Graduação em Educação e Saúde, com linha de pesquisa e produção consolidada (para conhecer essa produção, acessar [http://bit.ly/Educ_Saude_2015], foi evidentemente buscar reconhecimento como efetivo programa de pós-graduação. Entretanto, dada sua complexidade como iniciativa multidisciplinar, as idas e vindas por todas as instâncias, desde a Câmara de Pós-Graduação da UFRGS, passando pelo Conselho Técnico-Científico da Educação Superior da Capes, até o Conselho Nacional de Educação do MEC, acabaram por estender a tramitação do processo de reconhecimento por dois anos, entre 2009 e 2011. Ao longo desse período, ocorreu um amadurecimento das pautas e planos do corpo docente envolvido com o programa aspirante, que cotejou sua natureza formadora estratégica de profissionais de saúde, por meio da promoção de abordagens transformadoras das tecnologias e práticas, sempre sob o viés da educação, com a Portaria Normativa no 17 do MEC, de 28/12/2009 – que se dispunha a regular a oferta de programas de mestrado profissional – e, sobretudo, o já citado documento “Recomendações para Elaboração de Projetos de Mestrados Profissionais em Ensino na Saúde” – produzido em seminário promovido pela Capes e pelo Ministério da Saúde, em março de 2010. No fim, a opção foi pela criação de um mestrado profissional, mais condizente com a esfera de atuação do PGENSAU, notadamente sua interação com o ambiente de trabalho dos profissionais da saúde fora do âmbito da universidade, por meio de produção eminentemente técnica com efetividade potencial de transformar tal ambiente externo à academia e, sobretudo, o projeto de acompanhamento concertado e permanente dos egressos.