Diários de Bordo

DIÁRIOS DE BORDO

Por Conrado Bueno [1]

                Diários de bordo são percursos de narrativas que passam e perpassam por nossas vidas durante momentos, espaços, tempos, períodos em que algo que nos afeta e se destaca enaltecidamente e que nos produz afetos, e com esses afetos pensamos para com os mesmos e manifestamos as coisas, o mundo das coisas das mais diversas linguagens, das mais diversas escritas.

Fotos, rabiscos, traços, linhas, riscos, palavras, papéis, dobraduras, dizeres, canetas, cartolinas, frases, murais, parágrafos, desenhos, imagens, vídeos, audiovisuais, virtualidades, hipertextos, textos, tessituras, artesanatos, parafusos, brinquedos, brincadeiras, jogos, rodas, cadeiras, paredes, ruas, esquinas, encruzilhadas, tambores, cordões, cordas, pensamentos, imaginações, sonhos, pesadelos, livros, poemas, poesias, músicas, cantos, contos, pontos, danças, pinturas, costuras, posturas, compostagem, composteira, núcleos, muralhas, guerras, conflitos, consensos, críticas, polêmicas, maracutaias, politicagem, universidades, sementes, feijão, arroz, lentilha, reivindicações, desabafos, manifestos, admirações, experiências, insperiências, inspirações, expirações, respirações, esquadros, quadros, alguém que se foi, alguém que vai vir, alguém que está, alguém que atravessou, algo que perpassou, alguma coisa de um sei lá o quê, dejetos, animais de estimação, tatos, contatos, encostos, jeitos, maneiras, envolvimentos, ressentimentos, afetações, artesanias, artes?, educação física?, filosofia?, sociologia?, do campo!, em suma, ou seja, enfim,  a vida.

Compartilhar tudo isso e mais tudo disso em coletivos, com as turmas da licenciatura do campo, e não somente claro, para nossas ressignificações e reflexões em conjunto e assim nos (des)organizarmos em outros territórios de nós-outros, nosotros, nós, eu, você, tu, eles, elas, nós, vós, ela, ele. Compartilhar é uma oportunidade, uma permissão que o espaço acadêmico nos oferta, mas que não se dá como questão de benevolência, mas sim como direito, dever e devir de um percebimento de outros mundos de ser e estar com e assim, em realidades utópicas e utópicas realidades, uma (im)?possível transformação da ordem das coisas, as coisas em ordenamentos, percebimentos, conhecimentos e entendimentos de o que nos é dado e colocado.

Desastre. Mudança de astros. Uma formatação diferente das constelações num céu invertido, só que as estrelas caminham, se deslocam, percorrem. Tentam flutuar, voar. O céu não é feito de ar, mas de barro, cimento, terra, grama, gotas de suor em encontros impactantes gravitacionais com os planos terrenos. A nuvem é de fumaça, ácida. Os prédios são de não sei o que. E eu alguém que está aqui a ler esse texto, se possível, nesse exato instante.

Grato e Atenciosamente

Quando um outro alguém

 


[1] Conrado Bueno: Bolsista de extensão do Projeto Geringonça [pedagogias da diferença], possui graduação em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2013). Graduação em Bacharelado em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2016). Especialista em Saúde Mental Coletiva, tem experiência na área de Saúde Coletiva, atuando principalmente nos seguintes temas: práticas corporais, lazer, educação, saúde mental. Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/0791041212433281

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *