A psicologia pode ser uma ciência da mente? – Skinner

Autor: B. F. Skinner – Harvard University
Titulo original: Can psychology be a science of mind? American Psychologist, 1990, 45, 1206-10.
Fonte: http://www.cemp.com.br (o texto integral encontra-se disponível na fonte)

Muitos psicólogos, assim como os filósofos antes deles, procuraram dentro de si mesmos explicações sobre o seu comportamento. Eles têm sentido sentimentos e observado processos mentais através da introspecção. Entretanto, a introspecção nunca foi muito satisfatória. Os filósofos têm reconhecido suas inadequações mas insistem que, de qualquer maneira, trata-se do único método de auto-conhecimento. Psicólogos já tentaram aperfeiçoá-lo utilizando observadores treinados e técnicas de se expor sem nenhuma censura, pelas quais William James tinha pouca consideração. Introspecção já não é muito mais usada. Os psicólogos cognitivistas podem ver representações e podem até defender que são as únicas coisas que podem ser vistas, mas eles não afirmam que podem ver a si mesmos processando-as. Em vez disso, assim como os psicanalistas, que enfrentam o mesmo problema com os processos que não podem ser vistos porque são inconscientes, eles têm que se voltar para a teoria. Entretanto, teorias necessitam de confirmação, e para isso muitos recorreram à ciência do cérebro, onde pode-se dizer que os processos são examinados (inspected) e não introspeccionados (introspected). Se a mente é “o que o cérebro faz”, o cérebro pode ser estudado como se pode fazer com qualquer outro órgão. Eventualmente, então, a ciência do cérebro poderia nos dizer o que significa construir uma representação da realidade, guardar uma representação na memória, converter uma intenção em ação, sentir alegria ou tristeza, chegar a uma conclusão lógica e assim por diante.

Mas o cérebro origina o comportamento assim como se diz que a mente ou self o fazem? O cérebro é parte do corpo e o que ele faz é parte do que o corpo faz. O que o cérebro faz é parte do que precisa ser explicado. De onde vem a relação entre o corpo e o cérebro e porque ela muda sutilmente de momento a momento? Não podemos encontrar resposta a questões desta natureza na relação entre o corpo e o cérebro em si mesmo, observada, quer pela introspecção, quer com instrumentos e métodos da fisiologia.

O comportamento do organismo como um todo é produto de três tipos de variação e seleção. A primeira, a seleção natural, é responsável pela evolução da espécie e consequentemente pelo comportamento específico dela. Todos os tipos de variação e seleção tem certas falhas, e uma delas é especialmente crítica para a seleção natural: ela prepara a espécie somente para um futuro que se assemelhe com o passado que a selecionou. O comportamento da espécie é eficaz somente num mundo que assemelhe-se bastante ao mundo em que a espécie evolui.


Compare preços de livros sobre behaviorismo