Fenocópia na Biologia – Jean Piaget

Fragmento de: “Fenocópia na Biologia e o Desenvolvimento Psicológico do Conhecimento” de Jean Piaget

Tradução: A tradução do texto a seguir, realizada pelos alunos Lucas Szekir Klassmann (primeira parte) e Luciana dos Santos Carvalho (segunda parte), é fruto de uma atividade voluntária proposta na disciplina Psicologia da Educação II e destina-se aos estudos desenvolvidos nessa disciplina.

Supervisão da tradução: Professor Paulo Francisco Slomp.

Fonte: PIAGET, Jean. Phenocopy in Biology and the Psychological Development of Knowledge. In: GRUBER, E. e VONÈCHE, Jacques. The essential Piaget. London: Routledge e Kegan Paul, 1977. pág. 803-813. (This selection was written and translated especially for this volume. Translated, by Howard E. Gruber and J. Jacques Vonèche.)

Veja imagens dos moluscos (Lymnaea Stagnalis) estudados por Jean Piaget

Em um trabalho chamado Biologia e Conhecimento [Petrópolis: Vozes, 1973] procuramos mostrar as relações e a continuidade funcional que ligam o processo de formação e desenvolvimento do conhecimento aos mecanismos biológicos de auto-regulação que caracterizam um organismo. Neste breve artigo gostaríamos de acrescentar um novo exemplo destas importantes analogias. Para facilitar a comparação, utilizaremos uma terminologia que visa receber uma ampla aceitação. Em biologia podemos chamar “exógena” uma variação imposta pelo ambiente, sendo fenotípica e não-hereditária, enquanto reservamos o termo “endógena” para variações genotípicas. O fenótipo resultante é dependente de uma “norma de reações” do genótipo correspondente, mas sempre com uma ação momentânea do ambiente. Do mesmo modo, em psicologia, chamaremos “exógena” a informação proveniente da experiência dos objetos do mundo externo, apesar de sempre pressupor um trabalho assimilativo de origem endógena. Por outro lado, utilizaremos o termo “endógeno” quando aplicado ao conhecimento que, não sendo inato, é obtido necessariamente a partir da coordenação das ações, desde que essas coordenações sejam o produto de estruturações internas, e não de experiências externas.

O propósito deste ensaio é, primeiramente, mostrar que um dos processos mais gerais no desenvolvimento das estruturas cognitivas consiste em substituir o conhecimento externo por reconstruções internas que reconstituam as mesmas formas, porém incoporando-as em sistemas que têm como pré-requisito uma estrutura interna. Em segundo lugar procuraremos demonstrar o equivalente biológico deste processo no mecanismo da fenocópia: um fenótipo exógeno não é nem interiorizado nem fixo, mas seguido e inteiramente substituído por um genótipo de mesma forma, agora reconstruído por mecanismos exclusivamente endógenos. A convergência desses dois processos, cognitivo e biológico, talvez atribua um grande papel à fenocópia, que geralmente tem sido concedido — particularmente nos amplos domínios onde modificações de órgãos e comportamentos são necessariamente interdependentes.

(…)


* O texto integral da tradução encontra-se disponível somente aos alunos matriculados na disciplina EDU01012 Psicologia da Educação II.


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