Jean Piaget – Vontade e ação

Fragmento de: “Vontade e Ação” de Jean Piaget
Tradução: A tradução do texto a seguir, realizada pelo aluno André Corrêa Rollo, é fruto de uma atividade voluntária proposta na disciplina Psicologia da Educação II e destina-se aos estudos desenvolvidos nessa disciplina.
Supervisão da tradução: Professor Paulo Francisco Slomp.
Fonte: PIAGET, Jean. Will and Action. [transl. by Pitsa Hartocollis]. In Bulletin of the Menninger clinic. – 1962, vol. 26, no 3. Three lectures presented as a series to the Menninger School of Psychiatry March, 6, 13 and 22, 1961. Publicação original em língua inglesa, 1962.

Uma vez ouvi num ônibus dois motoristas falando sobre uma terceira pessoa: ”Ele é um homem agradável; ele é leal, ele é lógico”. O que eles queriam expressar dizendo “ele é lógico”? Certamente que em seu raciocínio ele não estava referindo-se à lógica aristotélica, mas que ele era coerente em suas atitudes, em suas reações afetivas, e conseqüentemente alguém poderia contar com ele. É este tipo de coerência que eu chamo de lógica dos sentimentos.

Um sociólogo, Georges Vaucher, em seu interessante livro sobre julgamento de valores, discute a lógica dos sentimentos. Ele sustenta que não podemos falar de uma lógica de sentimentos no mesmo sentido que falamos sobre a lógica cognitiva, porque os sentimentos não são conservados; eles são transformados e submetidos a flutuações indefinidas. Na lógica da cognição, Vaucher diz, os termos nos quais raciocinamos devem ser conservados, caso contrário o raciocínio não seria possível. Por exemplo, quando alguém diz que A=B, B=C, conseqüentemente A=C, A e C são iguais no início e no fim do raciocínio. Contudo, uma vez que você inicia a comparar e manipular sentimentos, de acordo com Vaucher, você os transforma apenas pelo simples fato de examina-los. Por essa razão, ele diz, não existe uma lógica de sentimentos.

Vaucher, em seu argumento, refere-se apenas àqueles sentimentos espontâneos que são característicos do segundo estágio na evolução da vida afetiva; de simpatias e antipatias espontâneas que de fato podem aparecer, desaparecer, e flutuar de diferentes formas. Há, contudo, uma conservação de sentimentos e de valores afetivos; que é imposta pelos sentimentos morais.

Pegue, por exemplo, o sentimento de gratidão. Como este sentimento é espontâneo, ele flutua. Todos sabemos como gratidão é facilmente esquecida. Mas quando peço um favor a alguém que esteve a serviço de mim uma vez, e esqueço a gratidão que então senti para com ele, lembrarei desta gratidão. Além de ser espontânea, a gratidão tornar-se-á uma persuasão moral, e o simples fato de tornar-se um sentimento moral mostra que há aqui uma conservação compelida, algo análogo à conservação lógica. É da mesma forma com sentimentos de justiça. Tratar a todos da mesma forma, com eqüidade, compele a uma certa conservação de valores. É o mesmo com sentimentos morais baseados na reciprocidade.

(…)


O texto integral da tradução encontra-se disponível somente aos alunos matriculados na disciplina EDU01012 Psicologia da Educação II.


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