Grande sertão: Veredas – Guimarães Rosa

Rosa, João Guimarães. Grande sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. Originalmente publicado em 1956.

 

Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. (pág. 8) ou 15

Mas liberdade — aposto — ainda é só alegria de um pobre caminhozinho, no dentro do ferro de grandes prisões. (pág. 268) ou 307

Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. (pág. 271) ou 310

Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. (pág. 272) ou 311

Vida é sorte perigosa
passada na obrigação:
toda noite é rio-abaixo,
todo dia é escuridão…
(pág. 278) ou 318

Mente pouco quem toda verdade nos diz. (pág. 320) ou 364

A gente só sabe bem aquilo que não entende. (pág. 333) 378

Vivendo se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas. (pág. 363) ou 413

E amor é isso: o que bem-quer e mal faz? (pág. 486) ou 550

Eu sei: quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade…
(pág. 488) ou 552

Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo. (pág. 518) ou 585

[Riobaldo recém havia conhecido Otacília, sua futura esposa] Na beira da alpendrada tinha um canteirozinho de jardim, com escolha de poucas flores. Das que sobressaíam, era uma flor branca — que fosse caeté, pensei, e parecia um lírio — alteada e muito perfumosa. E essa flor é figurada, o senhor sabe? Morada em que tem moças, plantam dela em porta da casa-de-fazenda. De propósito plantam, para resposta e pergunta. Eu nem sabia. Indaguei o nome da flor.

— “Casa-comigo…” — Otacília baixinho me atendeu. (…) E o nome da flor era o dito, tal, se chamava — mas para os namorados respondido somente. Consoante, outras, as mulheres livres, dadas, respondem: — “Dorme-comigo…” (…) Ah, a flor do amor tem muitos nomes. (…) Confusa é a vida da gente. (…)

Porque, no meio do momento, me virei para lá onde estava [o companheiro jagunço] Diadorim, e eu urgido quase aflito. Chamei Diadorim — e eram um chamado com remorso — e ele veio, se chegou. Aí, por alguma coisa de dizer, eu disse: que estávamos falando daquela flor. E Diadorim reparou e perguntou também que flor era essa, qual sendo? — perguntou inocente. — “Ela se chama é liroliro…” — Otacília respondeu. (pág. 165) ou 190