Originalmente uma peça de teatro escrita por Jean Cocteau e estreada em 1930, Francis Poulenc a transformou em tragédia lírica, encenado-a pela primeira vez em Paris, no ano de 1959.
Em seu quarto, uma mulher abandonada na véspera pelo amante. “Ela”, desesperada, conversa com ele ao telefone, tentando segurá-lo na linha. A conversa é periodicamente interrompida pela conexão ruim e discussões com a operadora telefônica.
Não é certo que Poulenc tenha assistido, em 1930, na Comédie-Française, à criação da peça de Cocteau, La Voix humaine, com Berthe Bovy no papel dessa mulher abandonada pelo amante. Porque, apesar da amizade que unia os dois artistas desde a juventude e o auge do Grupo dos Seis, Poulenc raramente musicou as obras de Cocteau: apenas alguns poemas dispersos, antes de entregar, com três anos de diferença, duas de suas grandes obras – A Voz Humana e A Dama de Monte Carlo. Compostas para textos de Cocteau, seriam ambas interpretadas pela cantora preferida de Poulenc, também criadora de muitas de suas melodias: Denise Duval.
Ouça:
Produção e apresentação – Juliano Dupont e Gabriel Saikoski