
O Jornal da UFRGS entrevista Lauri Miranda Silva, autora da tese Vozes subversivas e corpos transgressores: memórias da (re) existência de militantes dos movimentos LGBTQIA+ e de mulheridades contra as opressões interseccionais em Rondônia de 1980 a 2022. A pesquisa foi realizada junto ao Programa de Pós-Graduação em História, sob orientação do professor Benito Schmidt.
Lauri Miranda não é mulher de poucas, nem de meias palavras. Nesta entrevista ela fala não somente do seu estudo, que tem o mérito de recuperar a trajetória de militantes de Rondônia, seu estado de origem, e assim busca fazer uma reparação histórica a essas pessoas até então invisibilizadas. Lauri Miranda também fala de sua trajetória de mulher negra, pobre e trans, da dificuldade ao ingressar na universidade pública – em um tempo em que não havia ações afirmativas – e ser olhada como uma pessoa estranha, que não pertence aquele lugar. Lembra de como foram fundamentais as políticas de assistência estudantil para seguir estudando e se formar, assim como são importantes as ações afirmativas para o ingresso de pessoas historicamente marginalizadas, primeiro na graduação e mais recentemente na pós-graduação, iniciativa em que o Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS foi um dos pioneiros. Recupera assim um trajeto de desafios e de muita persistência, até se tornar a primeira mulher trans doutora em História.
Por isso, sua entrevista é mais longa que o normal, porque há muito a ser dito, não apenas por Lauri Miranda, mas pelas milhares de pessoas trans no país que são silenciadas, invisibilizadas e até eliminadas. No país em que a média de vida de pessoas trans é de 35 anos, ela se considera, com razão, uma sobrevivente.
O Jornal da UFRGS é uma produção do Departamento de Jornalismo, com apresentação e edição de Mariane Quadros.