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Cálculo Numérico - Versão Scilab

3.3 Iteração de ponto fixo


Nesta seção, discutimos a abordagem da iteração do ponto fixo para a solução numérica de equações de uma variável real. Observamos que sempre podemos reescrever uma equação da forma f(x) = 0 (problema de encontrar os zeros de uma função) em uma equação equivalente na forma g(x) = x (problema de ponto fixo). Um ponto x = x∗ tal que g(x∗) = x∗ é chamado de ponto fixo da função g(x). Geometricamente, um ponto fixo de uma função é um ponto de interseção entre a reta y = x com o gráfico da função g(x) (veja Figura 3.3).


PIC

Figura 3.3: Ponto fixo g(x∗) = x∗.


Exemplo 3.3.1. Resolver a equação ex = x + 2 é equivalente a resolver f(x) = 0, com f(x) = ex − x − 2. Estes são equivalentes a resolver g(x) = x, com g(x) = ex − 2, isto é:

ex = x + 2 ⇔ ex − x − 2 = 0 ⇔ ex − 2 = x (3.25)

Dada uma função g(x), a iteração do ponto fixo consiste em computar a seguinte sequência recursiva:

x(n+1) = g(x(n)),n ≥ 1, (3.26)

onde x(1) é uma aproximação inicial do ponto fixo.

Exemplo 3.3.2 (Método babilônico). O método babilônico4 é de uma iteração de ponto fixo para extrair a raiz quadrada de um número positivo A, isto é, resolver a equação x2 = A.

Seja r > 0 uma aproximação para A. Temos três possibilidades:

  • r > A⇒A r < A⇒A ∈ A r ,r ;
  • r = A⇒A r = A;
  • r < A⇒A r > A⇒A ∈ r, A r .

Ou seja, A sempre está no intervalo entre r e A r , no qual podemos buscar uma nova aproximação como, por exemplo, pelo ponto médio:

x = r + A r 2 . (3.27)

Aplicando esse método repetidas vezes, podemos construir a iteração (de ponto fixo): x(1) = r (3.28) x(n+1) = x(n) 2 + A 2x(n),n = 1,2,3,... (3.29)

Por exemplo, para obter uma aproximação para 5, podemos iniciar com a aproximação inicial r = 2 e A = 5. Então, tomamos x(1) = 2 e daí seguem as aproximações: x(2) = 2 2 + 2,5 2 = 2,25 (3.30) x(3) = 2,25 2 + 2,5 2,25 = 2,2361111 (3.31) x(4) = 2,2361111 2 + 2,5 2,2361111 = 2,236068 (3.32) x(5) = 2,236068 2 + 2,5 2,236068 = 2,236068 (3.33)

O método babilônico sugere que a iteração do ponto fixo pode ser uma abordagem eficiente para a solução de equações. Ficam, entretanto, as seguintes perguntas:

1.
Será que a iteração do ponto fixo é convergente?
2.
Caso seja convergente, será que o limite da sequência produzida, isto é, x∗ := lim n→∞x(n) é um ponto fixo?
3.
Caso seja convergente, qual é a taxa de convergência?

A segunda pergunta é a mais fácil de ser respondida. No caso de g(x) ser contínua, se x(n) → x∗ ∈ Dom (g), então:

x∗ = lim n→∞x(n) = lim n→∞g(x(n−1)) = g lim n→∞x(n−1) = g(x∗). (3.34)

Antes de respondermos as outras perguntas acima, vejamos mais um exemplo.

Exemplo 3.3.3. Considere o problema de encontrar o zero da função f(x) = xex − 10. Uma maneira geral de construir um problema de ponto fixo equivalente é o seguinte:

f(x) = 0 ⇒ αf(x) = 0 ⇒ x − αf(x) = x, (3.35)

para qualquer parâmetro α≠0. Consideremos, então, as seguintes duas funções:

g1(x) = x − 0,5f(x)eg2(x) = x − 0,05f(x). (3.36)

Notamos que o ponto fixo destas duas funções coincide com o zero de f(x). Construindo as iterações do ponto fixo:

x1(n+1) = g 1(x1(n))ex 2(n+1) = g 2(x2(n)), (3.37)

tomando x1(1) = x 2(1) = 1,7, obtemos os resultados apresentados na Tabela 3.2. Observamos que, enquanto, a iteração do ponto fixo com a função g1(x) (α = 0,5) parece divergir, a iteração com a função g2(x) (α = 0,05) parece convergir.



Tabela 3.2: Iterações do ponto fixo para o Exemplo 3.3.3.



n x1(n) x 2(n)



1 1,700 1,700
2 2,047 1,735
3 − 0,8812 1,743
4 4,3013 1,746
5 − 149,4 1,746




No Scilab, podemos computar as iterações do ponto fixo x(n+1) = g 1(x(n)) com o seguinte código:

--> deff(’y = f(x)’, ’y = x*exp(x)-10’)  
--> deff(’y = g1(x)’, ’y = x - 0.5*f(x)’)  
--> x = 1.7;  
--> x = g1(x)  
x =  
    2.0471  
--> x = g1(x)  
x =  
   -0.88119

e, assim, sucessivamente. Itere com a função g2(x) e verifique a convergência!

A fim de estudarmos a convergência da iteração do ponto fixo, apresentamos o teorema do ponto fixo.

3.3.1 Teorema do ponto fixo


O teorema do ponto fixo nos fornece condições suficientes para a existência e unicidade do ponto fixo, bem como para a convergência das iterações do método.

Definição 3.3.1. Uma contração é uma função real g : [a,b] → [a,b] tal que:

|g(x) − g(y)|≤ β|x − y|,0 ≤ β < 1. (3.38)

Observação 3.3.1. Seja g : [a,b] → [a,b], y=g(x).

  • Se g(x) é uma contração, então g(x) função contínua.
  • Se |g′(x)| < k, 0 < k < 1, para todo x ∈ [a,b], então g(x) é uma contração.

Teorema 3.3.1 (Teorema do ponto fixo). Se g : [a,b] → [a,b] é uma contração, então existe um único ponto x∗ ∈ [a,b] tal que g(x∗) = x∗, isto é, x∗ é ponto fixo de g(x). Além disso, a sequência {x(n)} n∈ℕ dada por:

x(n+1) = g(x(n)) (3.39)

converge para x∗ para qualquer x(1) ∈ [a,b].

Demonstração. Começamos demonstrando que existe pelo menos um ponto fixo. Para tal definimos a função f(x) = x − g(x) e observamos que:
f(a) = a − g(a) ≤ a − a = 0 (3.40)

e

f(b) = b − g(b) ≥ b − b = 0 (3.41)

Se f(a) = a ou f(b) = b, então o ponto fixo existe. Caso contrário, as desigualdades são estritas e a f(x) muda de sinal no intervalo. Como esta função é contínua, pelo teorema de Bolzano 3.1.1, existe um ponto x∗ no intervalo (a,b) tal que f(x∗) = 0, ou seja, g(x∗) = x∗. Isto mostra a existência.

Para provar que o ponto fixo é único, observamos que se x∗ e x∗∗ são pontos fixos, eles devem ser iguais, pois:

|x∗ − x∗∗| = |g(x∗) − g(x∗∗)|≤ β|x∗ − x∗∗|. (3.42)

A desigualdade |x∗ − x∗∗|≤ β|x∗ − x∗∗| com 0 ≤ β < 1 implica |x∗ − x∗∗| = 0.

Para demonstrar a convergência da sequência, observamos que:

|x(n+1) − x∗| = |g(x(n)) − x∗| = |g(x(n)) − g(x∗)|≤ β|x(n) − x∗|. (3.43)

Daí, temos:

|x(n) − x∗|≤ β|x(n−1) − x∗|≤ β2|x(n−2) − x∗|≤⋯ ≤ βn|x(0) − x∗|. (3.44)

Portanto, como 0 ≤ β < 1, temos:

lim n→∞|x(n) − x∗| = 0, (3.45)

ou seja, x(n) → x∗ quando n →∞.

■

Observação 3.3.2. Do teorema do ponto fixo, temos que se g(x) é uma contração com constante 0 ≤ β < 1, então:

|x(n+1) − x∗|≤ β|x(n) − x∗|,n ≥ 1. (3.46)

Isto é, as iterações do ponto fixo têm taxa de convergência linear.

Exemplo 3.3.4. Mostre que o teorema do ponto fixo se aplica a função g(x) = cos(x) no intervalo [1∕2, 1], isto é, a iteração de ponto fixo converge para a solução da equação cos x = x. Então, calcule as iterações do ponto fixo com aproximação inicial x(1) = 0,7, estime o erro absoluto da aproximação e verifique a taxa de convergência.

Solução. Basta mostrarmos que:

a)
g [1∕2,1] ⊆ [1∕2,1];
b)
|g′(x)| < β,0 < β < 1,∀x ∈ [1∕2,1].

Para provar a), observamos que g(x) é decrescente no intervalo, pelo que temos:

0,54 < cos(1) ≤ cos(x) ≤ cos(1∕2) < 0,88 (3.47)

Como [0,54,0,88] ⊆ [0,5,1], temos o item a).

Para provar o item b), observamos que:

g′(x) = − sen (x). (3.48)

Da mesma forma, temos a estimativa:

−0,85 < − sen (1) ≤− sen (x) ≤− sen (1∕2) < −0,47. (3.49)

Assim, |g′(x)| < 0,85 e temos a desigualdade com β = 0,85 < 1.






n x(n) ϵ n := |x(n) − x∗|




1 0,70000 3,9E −02
2 0,76484 2,6E −02
3 0,72149 1,8E −02
4 0,75082 1,2E −02
5 0,73113 8,0E −03
6 0,74442 5,3E −03
7 0,73548 3,6E −03





Tabela 3.3: Iteração do ponto fixo para o Exemplo 3.3.4.

A Tabela 3.3 apresenta o comportamento numérico da iteração do ponto fixo: x(1) = 0,7 (3.50) x(n+1) = cos(x(n)),n ≥ 1. (3.51)

Para estimar o erro, consideramos x∗ = 0,7390851605. A Figura 3.4 mostrar o decaimento do erro ϵn = |x(n) − x∗| comparado com a taxa de convergência linear com β = 0,85.


PIC

Figura 3.4: Decaimento do erro ϵn = |x(n) − x∗| da iteração do ponto fixo estudada no Exemplo 3.3.4.


No Scilab, podemos computar estas iterações e o erro absoluto com o seguinte código:

//est. da solucao  
deff(’y = f(x)’, ’y = cos(x)-x’)  
xe = fsolve(0.7, f)  
 
#funcao do pto. fixo  
deff(’y = g(x)’, ’y = cos(x)’)  
 
#aprox. inicial  
x0 = 0.7  
eps = abs(x0-xe)  
disp([x0, eps])  
 
for i=2:7  
  x = g(x0)  
  eps = abs(x-xe)  
  disp([x, eps])  
  x0 = x  
end

♢

3.3.2 Teste de convergência


Seja g : [a,b] → ℝ uma função C0[a,b] e x∗ ∈ (a,b) um ponto fixo de g. Então x∗ é dito estável se existe uma região (x∗ − δ,x∗ + δ) chamada bacia de atração tal que x(n+1) = g(x(n)) é convergente sempre que x(0) ∈ (x∗ − δ,x∗ + δ).

Proposição 3.3.1 (Teste de convergência). Se g ∈ C1[a,b] e |g′(x∗)| < 1, então x∗ é estável. Se |g′(x∗)| > 1 é instável e o teste é inconclusivo quando |g′(x∗)| = 1.


PIC   PIC

Figura 3.5: Ilustração das iterações do ponto fixo para: (esquerda) y = g1(x) e (direita) y = g2(x). Veja Exemplo 3.3.5.


Exemplo 3.3.5. No Exemplo 3.3.3, observamos que a função g1(x) nos forneceu uma iteração divergente, enquanto que a função g2(x) forneceu uma iteração convergente (veja a Figura 3.5. Estes comportamentos são explicados pelo teste da convergência. Com efeito, sabemos que o ponto fixo destas funções está no intervalo [1,6, 1,8] e temos:

|g1′(x)| = |1 − 0,5(x + 1)ex| > 4,8,∀x ∈ [1,6, 1,8], (3.52)

enquanto:

|g2′(x)| = |1 − 0,05(x + 1)ex| < 0,962,∀x ∈ [1,6, 1,8]. (3.53)

3.3.3 Estabilidade e convergência


A fim de compreendermos melhor os conceitos de estabilidade e convergência, considere uma função Φ(x) com um ponto fixo x∗ = g(x∗) e analisemos o seguinte processo iterativo: x(n+1) = g x(n) (3.54) x(0) = x (3.55)

Vamos supor que a função g(x) pode ser aproximada por seu polinômio de Taylor em torno do ponto fixo: g(x) = g(x∗) + (x − x∗)g′(x∗) + O (x − x∗)2 ,n ≥ 0 (3.56) = x∗ + (x − x∗)g′(x∗) + O (x − x∗)2 (3.57) ≈ x∗ + (x − x∗)g′(x∗) (3.58)

Substituindo na relação de recorrência, temos

x(n+1) = g x(n) ≈ x∗ + (x(n) − x∗)g′(x∗) (3.59)

Ou seja:

x(n+1) − x∗ ≈ (x(n) − x∗)g′(x∗) (3.60)

Tomando módulos, temos:

x(n+1) − x∗︸ ϵn+1 ≈ x(n) − x∗︸ ϵn g′(x∗) , (3.61)

onde ϵn = x(n) − x∗.

Observação 3.3.3. Da análise acima, concluímos:

  • Se |g′(x∗)| < 1, então, a distância de x(n) até o ponto fixo x∗ está diminuindo a cada passo.
  • Se |g′(x∗)| > 1, então, a distância de x(n) até o ponto fixo x∗ está aumentando a cada passo.
  • Se |g′(x∗)| = 1, então, nossa aproximação de primeira ordem não é suficiente para compreender o comportamento da sequência.

3.3.4 Erro absoluto e tolerância


Na prática, quando se aplica uma iteração como esta, não se conhece de antemão o valor do ponto fixo x∗. Assim, o erro ϵn = x(n) − x∗ precisa ser estimado com base nos valores calculados x(n). Uma abordagem frequente é analisar a evolução da diferença entre dois elementos da sequência:

Δn = x(n+1) − x(n) (3.62)

A pergunta natural é: Será que o erro ϵn = x(n) − x∗ será pequeno quando Δn = x(n+1) − x(n) for pequeno?

Para responder a esta pergunta, observamos que

x∗ = lim n→∞x(n) (3.63)

portanto: x∗ − x(N) = x(N+1) − x(N) + x(N+2) − x(N+1) + x(N+3) − x(N+2) + … (3.64) = ∑ k=0∞ x(N+k+1) − x(N+k) (3.65)

Usamos também as expressões: x(n+1) ≈ x∗ + (x(n) − x∗)g′(x∗) (3.66) x(n) ≈ x∗ + (x(n−1) − x∗)g′(x∗) (3.67)

Subtraindo uma da outra, temos: x(n+1) − x(n) ≈ (x(n) − x(n−1))g′(x∗) (3.68)

Portanto: x(N+k+1) − x(N+k) ≈ (x(N+1) − x(N)) g′(x∗) k (3.69)

E temos: x∗ − x(N) = ∑ k=0∞ x(N+k+1) − x(N+k) (3.70) ≈ ∑ k=0∞(x(N+1) − x(N)) g′(x∗) k (3.71) = (x(N+1) − x(N)) 1 1 − g′(x∗), g′(x∗) < 1 (3.72)

Tomando módulo, temos: x∗ − x(N) ≈ x(N+1) − x(N) 1 1 − g′(x∗) (3.73) ϵN ≈ ΔN 1 − g′(x∗) (3.74)

Observação 3.3.4. Tendo em mente a relação x(n+1) − x(n) ≈ (x(n) − x(n−1))g′(x∗), concluímos:

  • Quando g′(x∗) < 0, o esquema é alternante, isto é, o sinal do erro se altera a cada passo. O erro ϵN pode ser estimado diretamente da diferença ΔN, pois o denominador 1 − g′(x∗) > 1.
  • Quando 0 < g′(x∗) < 1, o esquema é monótono e 1 1−g′(x∗) > 1, pelo que o erro ϵN é maior que a diferença ΔN. A relação será tão mais importante quando mais próximo da unidade for g′(x∗), ou seja, quando mais lenta for a convergência. Para estimar o erro em função da diferença ΔN, observamos que g′(x∗) ≈ x(n+1)−x(n) x(n)−x(n−1) e
    g′(x∗) ≈ Δn Δn−1 (3.75)

    e portanto

    ϵN ≈ ΔN 1 − Δn Δn−1. (3.76)

Exercícios


E 3.3.1. Resolver a equação ex = x + 2 é equivalente a calcular os pontos fixos da função g(x) = ex − 2 (veja o Exemplo 3.3.1). Use a iteração do ponto fixo x(n+1) = g(xn) com x(1) = −1,8 para obter uma aproximação de uma das soluções da equação dada com 8 dígitos significativos.

Resposta. − 1,8414057

E 3.3.2. Mostre que a equação:

cos(x) = x (3.77)

possui uma única solução no intervalo [0, 1]. Use a iteração do ponto fixo e encontre uma aproximação para esta solução com 4 dígitos significativos.

Resposta.

0,7391

E 3.3.3. Mostre que a equação xex = 10 é equivalente às seguintes equações:

x = ln 10 x ex = 10e−x. (3.78)

Destas, considere as seguintes iterações de ponto fixo:

a)
x(n+1) = ln 10 x(n)
b)
x(n+1) = 10e−x(n)

Tomando x(1) = 1, verifique se estas sequências são convergentes.

Resposta.

Tomemos x(1) = 1 como aproximação inicial para a solução deste problema, iterando a primeira sequência a), obtemos: x(1) = 1 (3.79) x(2) = ln 10 1 = 2,3025851 (3.80) x(3) = ln 10 2,3025851 = 1,4685526 (3.81) ⋮ (3.82) x(21) = 1,7455151 (3.83) x(31) = 1,745528 (3.84) x(32) = 1,745528 (3.85)

Iterando a segunda sequência b), obtemos: x(1) = 1 (3.86) x(2) = 10e−1 = 3,6787944 (3.87) x(3) = 10e−3,6787944 = 0,2525340 (3.88) x(4) = 10e−0,2525340 = 7,7682979 (3.89) x(5) = 10e−7,7682979 = 0,0042293 (3.90) x(6) = 10e−0,0042293 = 9,9577961 (3.91)

Este experimento numérico sugere que a iteração a) converge para 1,745528 e a iteração b) não é convergente.

E 3.3.4. Verifique (analiticamente) que a única solução real da equação:

xex = 10 (3.92)

é ponto fixo das seguintes funções:

  • g(x) = ln 10 x
  • g(x) = x − xex−10 15
  • g(x) = x − xex−10 10+ex

Implemente o processo iterativo x(n+1) = g(x(n)) para n ≥ 0 e compare o comportamento. Discuta os resultados com base na teoria estudada.

E 3.3.5. Verifique (analiticamente) que a única solução real da equação:

cos(x) = x (3.93)

é ponto fixo das seguintes funções:

  • g(x) = cos(x)
  • g(x) = 0,4x + 0,6 cos(x)
  • g(x) = x + cos(x)−x 1+sen (x)

Implemente o processo iterativo x(n+1) = g(x(n)) para n ≥ 0 e compare o comportamento. Discuta os resultados com base na teoria estudada.

E 3.3.6. Encontre a solução de cada equação com erro absoluto inferior a 10−6.

  • ex = x + 2 no intervalo (−2,0).
  • x3 + 5x2 − 12 = 0 no intervalo (1,2).
  • x = cos(x) no intervalo (0,1).

E 3.3.7. Encontre numericamente as três primeiras raízes positivas da equação dada por:

cos(x) = x 10 + x2 (3.94)

com erro absoluto inferior a 10−6.

Resposta. x1 ≈ 1,4506619, x2 ≈ 4,8574864, x3 = 7,7430681.

E 3.3.8. Considere os seguintes processos iterativos:

a x(n+1) = cos(x(n)) x(1) =.5  e  b x(n+1) =.4x(n) + .6 cos(x(n)) x(1) =.5 (3.95)

Use o teorema do ponto fixo para verificar que cada um desses processos converge para a solução da equação x∗ de cos(x) = x. Observe o comportamento numérico dessas sequências. Qual estabiliza mais rápido com cinco casas decimais? Discuta.

Dica: Verifique que cos([0.5,1]) ⊆ [0.5,1] e depois a mesma identidade para a função f(x) = 0,4x + 0,6 cos(x).

E 3.3.9. Use o teorema do ponto fixo aplicado a um intervalo adequado para mostrar que a função g(x) = ln(100 − x) possui um ponto fixo estável.

E 3.3.10. (Fluidos) Na hidráulica, o fator de atrito de Darcy é dado pela implicitamente pela equação de Colebrook-White:

1 f = −2 log 10 ε 14.8Rh + 2.51 Ref (3.96)

onde f é o fator de atrito, ε é a rugosidade do tubo em metros, Rh é o raio hidráulico em metros e Re é o número de Reynolds. Considere ε = 2mm, Rh = 5cm e Re = 10000 e obtenha o valor de f pela iteração:

x(n+1) = −2 log 10 ε 14.8Rh + 2.51x(n) Re (3.97)

Resposta.

0.0431266

E 3.3.11. Encontre uma solução aproximada para a equação algébrica

180 − 100x = 0.052 senh −1(1013x) (3.98)

com erro absoluto inferior a 10−3 usando um método iterativo. Estime o erro associado ao valor de v = 180 − 100x = 0.052 senh −1(1013x), usando cada uma dessas expressões. Discuta sucintamente o resultado obtido. Dica: Este caso é semelhante ao Problema 3.2.8.

E 3.3.12. Considere que xn satisfaz a seguinte relação de recorrência:

xn+1 = xn − β xn − x∗ (3.99)

onde β e x∗ são constantes. Prove que

xn − x∗ = (1 − β)n−1(x 1 − x∗). (3.100)

Conclua que xn → x∗ quando |1 − β| < 1.

E 3.3.13. (Convergência lenta) Considere o seguinte esquema iterativo: x(n+1) = x n + qn, (3.101) x(0) = 0, (3.102)

onde q = 1 − 10−6.

  • Calcule o limite
    x∞ = lim n→∞x(n) (3.103)

    analiticamente.

  • Considere que o problema de obter o limite da sequência numericamente usando como critério de parada que |x(n+1) − x(n)| < 10−5. Qual o valor é produzido pelo esquema numérico? Qual o desvio entre o valor obtido pelo esquema numérico e o valor do limite obtido no item a? Discuta. (Dica: Você não deve implementar o esquema iterativo, obtendo o valor de x(n) analiticamente)
  • Qual deve ser a tolerância especificada para obter o resultado com erro relativo inferior a 10−2?

E 3.3.14. (Convergência sublinear) Considere o seguinte esquema iterativo:

x(n+1) = x(n) − [x(n)]3,x(n) ≥ 0 (3.104)

com x(0) = 10−2. Prove que {x(n)} é sequência de número reais positivos convergindo para zero. Verifique que são necessários mais de mil passos para que x(n) se torne menor que 0.9x(0).

E 3.3.15. (Taxa de convergência)

  • Use o teorema do ponto fixo para mostrar que a função g(x) = 1 − sen (x) possui um único ponto fixo estável o intervalo [ 1 10,1]. Construa um método iterativo x(n+1) = g(x(n)) para encontrar esse ponto fixo. Use o computador para encontrar o valor numérico do ponto fixo.
  • Verifique que função ψ(x) = 1 2 x + 1 − sen (x) possui um ponto fixo x∗ que também é o ponto fixo da função g do item a. Use o computador para encontrar o valor numérico do ponto fixo através da iteração x(n+1) = ψ(x(n)). Qual método é mais rápido?

E 3.3.16. (Esquemas oscilantes)(Esquemas oscilantes)

  • Considere a função g(x) e a função composta ψ(x) = g ∘ g = g g(x). Verifique todo ponto fixo de g também é ponto fixo de ψ.
  • Considere a função
    g(x) = 10 exp(−x) (3.105)

    e a função composta ψ(x) = g ∘ g = g g(x). Mostre que ψ possui dois pontos fixos que não são pontos fixos de g.

  • No problema anterior, o que acontece quando o processo iterativo x(n+1) = g(x(n)) é inicializado com um ponto fixo de ψ que não é ponto fixo de g?

E 3.3.17. (Aceleração de convergência - introdução ao método de Newton) Mostre que se f(x) possui uma raiz x∗ então a x∗ é um ponto fixo de ϕ(x) = x + γ(x)f(x). Encontre uma condição em γ(x) para que o ponto fixo x∗ de ϕ seja estável. Encontre uma condição em γ(x) para que ϕ′(x∗) = 0.

E 3.3.18. (Aceleração de convergência - introdução ao método de Newton) Considere que x(n) satisfaz a seguinte relação de recorrência:

x(n+1) = x(n) − γf(x(n)) (3.106)

onde γ é uma constante. Suponha que f(x) possui um zero em x∗. Aproxime a função f(x) em torno de x∗ por

f(x) = f(x∗) + f′(x∗)(x − x∗) + O (x − x∗)2 . (3.107)

Em vista do problema anterior, qual valor de γ você escolheria para que a sequência x(n) convirja rapidamente para x∗.

E 3.3.19. Considere o problema da Questão 3.2.8 e dois seguintes esquemas iterativos.

A I(n+1) = 1 R V − vt ln 1 + I(n) IR ,n > 0 I(0) = 0  e  B I(n+1) = I R exp V −RI(n) vt − 1 ,n > 0 I(0) = 0 (3.108)

Verifique numericamente que apenas o processo A é convergente para a, b e c; enquanto apenas o processo B é convergente para os outros itens.

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