Fase 1

O projeto A Covid-19 no Brasil: análise e resposta aos impactos sociais da pandemia entre profissionais de saúde e população em isolamento é desenvolvido pela Rede Covid-19 Humanidades MCTI. Ele integra o conjunto de ações da Rede Vírus MCTI financiadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para o enfrentamento da pandemia (Convênio Ref.: 0464/20 FINEP/UFRGS).

Objetivo Geral

Produzir pesquisas que analisem o impacto da Covid-19 entre os profissionais de saúde e grupos vulneráveis em situação de isolamento social para subsidiar ações na resposta à doença no Brasil, considerando as implicações científicas, sociais, políticas, históricas e culturais da pandemia.

Objetivos Específicos

i)  Descrever e analisar os impactos da Covid-19 entre profissionais da saúde em diferentes contextos de atuação no país;

ii)  Descrever e analisar os impactos da Covid-19 entre populações de idosos com vida social ativa;

iii)  Caracterizar vulnerabilidades entre trabalhadores de setores considerados serviços essenciais (entregadores e motoristas que atuam por meio de aplicativos e produção de alimentos) durante o isolamento social;

iv)  Identificar e analisar os impactos da Covid-19 no campo artístico-cultural;

v)  Analisar as linguagens, os sentidos e as discursividades sobre a Covid-19 entre profissionais de saúde e grupos vulneráveis em situação de isolamento social.

Fase 2 

O projeto A Covid-19 no Brasil 2: análise e resposta aos impactos sociais da imunização, tratamento, práticas e ambientes de cuidado e recuperação de afetados é desenvolvido pela Rede Covid-19 Humanidades MCTI. Ele integra o conjunto de ações da Rede Vírus MCTI financiadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para o enfrentamento da pandemia (FINEP/UFRGS 1212/21)

Esta é uma pesquisa qualitativa em Ciências Humanas e Sociais que tem por objetivo avaliar e responder aos impactos sociais da pandemia no Brasil com ênfase na imunização da população, nos tratamentos e nas práticas e ambientes de cuidado, de recuperação e restauração de danos de afetados. Ela busca produzir subsídios às ações de enfrentamento da doença a médio e longo prazo, considerando as implicações científicas, sociais, políticas, culturais e regionais da pandemia e tem como pressuposto a consideração de que se a pandemia não é um evento homogêneo, as respostas a ela também não podem ser. Em termos metodológicos, trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida de forma multissituada e multitemática, com estratégias adequadas às situações locais e competências das equipes de pesquisa multicentradas. A coleta de dados é baseada, sobremaneira em técnicas etnográficas, como a observação participante, entrevistas, surveys e questionários, coletas de narrativas e a preocupação longitudinal, adaptadas a situações híbridas - ou seja, desenvolvidas por meios remotos e presenciais/in loco, a depender das condições de segurança sanitária. A pesquisa desdobra e continua o projeto A Covid-19 no Brasil: análise e resposta aos impactos sociais da pandemia entre profissionais de saúde e população em isolamento (Convênio Ref.: 0464/20 FINEP/UFRGS) integrando também o conjunto de ações da Rede Vírus MCTI financiadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para o enfrentamento da pandemia. Ela é desenvolvida pela Rede Covid-19 Humanidades MCTI, liderada pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e que mobiliza pesquisadoras e pesquisadores de todas as regiões do Brasil. 

Objetivo Geral

Produzir pesquisas que analisem e respondam aos impactos sociais da pandemia de Covid-19 no Brasil, com foco na imunização, nos tratamentos e nas práticas e ambientes de cuidado e recuperação de afetados.

Objetivos Específicos 

I)  Descrever e analisar o processo de imunização contra Covid-19 no Brasil;

II)  Caracterizar as manifestações prolongadas da Covid-19 entre os atingidos pela doença (“Covid-19 longa”, “Síndrome Pós-Covid”);

III)  Descrever e analisar os tratamentos para atingidos pela Covid-19, incluindo as intervenções medicamentosas pós-alta hospitalar, terapias e a formação e a atuação de equipes multidisciplinares;

IV)  Identificar e descrever práticas e ambientes de cuidado e de recuperação de afetados e familiares de afetados pela Covid-19, incluindo o enlutamento, os traumas, as sequelas, a restauração de danos e a reorganização da vida cotidiana, profissional, educacional e econômica.

 

http://redevirus.mcti.gov.br/index.php/projetos_rede/a-covid-19-no-brasil-analise-e-resposta-aos-impactos-sociais-da-pandemia-entre-profissionais-de-saude-e-populacao-em-isolamento/ 

 

Um vírus, múltiplas pandemias

Processos de saúde e de doença são experiências complexas. Pandemia, por exemplo, é um termo da epidemiologia que descreve uma irrupção infecciosa em escala potencialmente global. Contudo, não significa universalidade da experiência da doença, tampouco de seus efeitos. Há materialidades, práticas e sentidos locais que realizam esses eventos globais. A compreensão de uma pandemia exige uma atenção de pesquisa que analise o modo como ela se realiza de maneira diversa, múltipla a partir da singularidade de infraestruturas, ambientes, práticas, sentidos, relações e hábitos de vida particulares.

Ao considerarmos conhecimentos e formas culturais localizados, religiosidades, etnicidade, gênero, desigualdades econômicas ou relações de trabalho, temos condições de compreender os efeitos da a pandemia e oferecer avaliações e respostas mais fidedignas às realidades distintas onde ela ocorre. Questões desta ordem abrem novas frentes em Ciências Humanas e Sociais, uma vez que o seu olhar às crises sanitárias não tem o seu enfoque reduzido aos mecanismos técnico-biológicos que os constituem, mas para as relações e transformações que provocam nas sociedades. É neste sentido que a estratégia geral de ação deste projeto baseia-se no pressuposto de que a pandemia não produz, em termos sociais, efeitos homogêneos. Tão logo, não podemos fornecer respostas homogêneas, senão situadas contextualmente. Por esta razão é que o projeto A Covid-19 no Brasil: alise e resposta aos impactos sociais da pandemia entre profissionais de saúde e população em isolamento propõe-se a uma pesquisa qualitativa sobre os profissionais de saúde expostos à pandemia e sobre grupos vulneráveis em situação de isolamento social considerando a singularidade de infraestruturas, ambientes, práticas, sentidos, relações e hábitos de vida particulares que realizam a Covid-19 de modo múltiplo e diverso.

Compreender uma pandemia exige a consideração e valorização das experiências singulares de indivíduos e coletividades das populações implicadas e seus níveis de vulnerabilidade e exposição baseados em sua diversidade e na sua desigualdade.  Os efeitos sociais resultantes da propagação da Covid-19 e as ações para a sua mitigação e contenção implicam em questões de ética e de Direitos Humanos que merecem análises críticas das Ciências Humanas e Sociais. Portanto, a multiplicidade da pandemia demanda abordagens interdisciplinares e políticas intersetoriais que considerem processos e atravessamentos históricos, sociais, políticos e ambientais que permitam a construção de respostas integradas às múltiplas formas de percepção e engajamento social.

 

Estratégias metodológicas

Pesquisas qualitativas em Ciências Humanas e Sociais, sobretudo antropológicas, requerem longos períodos de imersão no campo in loco. Situação que no momento colide com as medidas de restrição e isolamento social, que em grande medida formam o próprio objeto desta pesquisa. Assim, a abrangência geográfica e populacional deste projeto reflete as experiências prévias de pesquisas já consolidadas e/ou em andamento entre pesquisadoras e pesquisadores das instituições que constituem a Rede Covid-19 Humanidades. Assim, empregamos diferentes ferramentas metodológicas que oferecem sinergia com procedimentos já estabelecidos nas pesquisas antecedentes, tais como contatos prévios para inserção em campo, contatos com sujeitos de referência de diversas populações e coletivos, bancos de dados já estabelecidos para parâmetros comparativos, cadastros e instrumentos consolidados.

Destacamos ainda que a pandemia de Covid-19 e as medidas de isolamento social empregadas na sua contenção têm impactado no curso das próprias pesquisas para o seu entendimento, especialmente aquelas que exigem o trabalho de campo junto a populações determinadas. Em razão disso, temos feito uso de instrumentos e técnicas de pesquisa que não exigem a presença física ou a interação face a face. Orientações para pesquisas em Ciências Humanas e Sociais em meios digitais já tem sido objeto de aprofundamento desde as últimas duas décadas e indicam um campo seguro e consolidado para o desenvolvimento de pesquisa com as características deste projeto. Portanto, por meio da pesquisa desenvolvida por meios digitais somada às competências já instaladas é que se tem a chave para o desenvolvimento deste projeto. Empregamos dispositivos conectados à internet que viabilizam a imersão em campo em período de isolamento social. Realizamos entrevistas por meio de ligações telefônicas e de vídeo, mensagens de voz e gravação de áudios. Distribuímos e recolhemos questionários e outros instrumentos de coleta de dados a partir de aplicativos mensagens e correios eletrônicos e não dispensamos o tradicional diário de campo para o registro de observações e experiências.