Estamos, a todo momento, rodeados por dispositivos digitais (celular, computador, tablet e relógios inteligentes, por exemplo) que possibilitam fácil e rápido acesso às atualizações nas nossas mídias sociais. Nova mensagem, nova curtida ou reação, nova notícia. Tudo isso facilita a rapidez da troca de informações entre as pessoas e nos mantém a todo momento conectados de forma online com o mundo. As mídias sociais se atualizam a cada instante e fornecem cada vez mais ferramentas para divulgarmos o que fazemos com as outras pessoas, onde vamos no nosso tempo livre, a atividade física que realizamos, entre tantos outros momentos. Por outro lado, bem menos saliente aos nossos olhos estão as consequências negativas do uso problemático das mídias sociais para a nossa saúde, bem-estar e desenvolvimento geral.
Segundo diversos estudos que são realizados nos últimos anos, o saudável nessa relação real e digital parece estar no equilíbrio, parcimônia e senso crítico. Remetendo a um post anterior deste blog “Fatores de risco e proteção à saúde mental na Universidade”, o uso de mídias sociais pode se caracterizar tanto como um fator de proteção para senso de pertencimento e estímulo à expressão de criatividade e comunicação, como um fator de risco. Sobre este último, destacam-se o desenvolvimento de baixa autoestima e sintomas depressivos, assim como observam-se novos fenômenos, como o Cyberbullying, Fear of Missing Out (FoMO) e também quadros psicopatológicos de dependência tecnológica. Aliado a isso, destaca-se desfechos negativos associados à ampliação das interações sociais online e digitais em detrimento das presenciais e “cara-a-cara”. Portanto, como estabelecer relações saudáveis com essas ferramentas? Quais os limites que devemos estabelecer no nosso cotidiano a ponto que não nos tragam prejuízos? Como perceber que algo nessa relação com as mídias sociais não vai bem?
Mas nem sempre é problemático usar redes sociais. A maioria das pessoas parece usar a mídia social de maneira saudável. Para isso, em síntese, torna-se importante se auto-observar e ficar atento ao seu padrão de uso das mídias sociais. Considera-se, por exemplo, dependência de tecnologia quando o indivíduo não consegue controlar o uso da mesma, principalmente quando associados a impacto negativo nas principais áreas da vida (relacionamentos interpessoais, desempenho nos estudos/trabalho, saúde física, etc.). Entretanto, o simples fato de alguém ter um desejo “excessivo” de estar nas redes sociais não caracteriza um transtorno, mas é preciso estar atento aos sinais. As redes sociais possuem inúmeros mecanismos que estimulam o constante retorno do usuário que fazem com que o indivíduo queira conferir constantemente o que está ocorrendo em seus perfis virtuais. Nesse sentido, uma maneira de buscar maior monitoramento do uso é desativar as notificações ou ativar aquelas que indicam ao usuário quando o tempo de uso estipulado do aplicativo alcança o tempo limite determinado (por exemplo, 1 hora).
Ainda, monitore o quanto as relações online e digitais estão substituindo a quantidade e a qualidade das interações interpessoais que ocorrem presencialmente – essenciais para o adequado desenvolvimento de habilidades sociais mais complexas , por exemplo. Além disso, observe se as mídias sociais estão tomando o seu tempo e atenção que poderiam ser destinados a outras atividades que implicam em prazer e bem-estar, além de saúde física, mental e cognitiva, como a leitura de um livro, as atividades físicas, os estudos, etc. Note também se você se sente continuamente insatisfeito(a) com a sua vida, principalmente quando a compara com as outras vidas expostas nas redes sociais ou não recebe a quantidade de “curtidas” esperadas, e quando sente a necessidade urgente e inadiável de conferir as redes a todo momento para não ficar de fora do que acontece ou das novidades que as outras pessoas postam. Todos esses são sinais de alerta para que você repense seu padrão de uso das mídias sociais. Pensar criticamente acerca do seu uso e buscar ajuda da sua rede de apoio social ou especializada quando algo não vai bem é crucial para estabelecer limites e construir uma boa relação com essas ferramentas digitais.
Texto escrito por: Gabriella Koltermann – Psicóloga (CRP 07/32311), Mestre e Doutora em Psicologia
Quer saber mais?
Castellon, L. A. S., Dantas, F.G., Sá, L. B. M., Medeiros, L. G. R., Cavalcanti, J. B., & Souza, R. A. D. C. (2022). Psychological aspects of smartphone dependence on Covid-19 pandemic context. Research, Society and Development, 11(11), e102111133556. Retirado de: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/33556/28244,
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