O MEU XADREZ

“O xadrez não é apenas um esporte, mas também uma arte e uma ciência.”. Essa frase do ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov nos lembra que existe muito mais por trás de bispos e cavalos do que nossos olhos nos permitem ver. Há um mundo todo oculto no interior das casas quadradas. 

Eu me lembro de quando me ensinaram a jogar. Peguei os movimentos, achei divertido, jogava na escola quando acabava as atividades. Nunca, no entanto, pôde o xadrez competir com o meu Play Station 2. Foi somente aos quatorze anos que descobri o grande mundo do xadrez se abrir para mim. Disputei meu primeiro torneio – os Jogos Escolares do Rio Grande do Sul (JERGS). Conheci aqueles filmes emocionantes: Lances Inocentes, Cavaleiros do Sul do Bronx, O Dono do Jogo. Depois, claro, veio O Gambito da Rainha (e nesse momento todos queriam minha opinião sobre a série: FANTÁSTICA!). 

O mundo do xadrez, às vezes eu brinco, é como um esquema de pirâmide. Os mais experientes dedicam aos novatos todo o seu interesse e tempo. Emprestam livros, sugerem documentários, mostram os Grandes Mestres (“Quem é que no Brasil não reconhece o grande trunfo do Xadrez?”, diria o caríssimo Raul Seixas). Em parte acho que é o que eu estou fazendo aqui. Pelo visto vim parar do outro lado dessa equação enxadrística. 

Saíndo do interior, então, imaginem minha alegria chegando em Porto Alegre! Os jogos do Parque da Redenção. As quinta-feiras de café com biscoitos no Metrópole Xadrez Clube. O xadrez de segunda-feira no Shopping João Pessoa. Isso para não falar naqueles que a vida normal não me permitem ir! Pouco a pouco fui criando o desejo de fazer parte ativa do cenário da capital. 

Hoje sou bolsista de xadrez da Divisão de Promoção da Saúde Discente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (DPSD/UFRGS) e busco fazer da melhor forma a integração do esporte dentro da Faculdade. Deixo, inclusive, meu convite a você estudante da Universidade, mesmo aquele que não sabe jogar, mas que se interessou no esporte, a buscar a DPSD e fazer parte do nosso grupo, Xadrez Participativo, para descobrir esse mundo novo que tanto encanta a mim e a tantos outros. 

Não se deixem assustar pelas sessenta e quatro casas. Xadrez é competição? Sim, é, mas também é diversão, lazer. Xadrez é sério, mas também pode ser divertido. Xadrez é silencioso, mas só fora da nossa cabeça. Quando o relógio começa a correr num salão de jogos, todos deixam de ser crianças, idosos, moças, rapazes… de alguma forma, parece que todos se transformam em seres mitológicos poderosíssimos: os enxadristas.

Texto elaborado por Mestre Nacional Teófilo Lemos Almeida Filho, estudante do segundo semestre do curso de Ciências Jurídicas e Sociais

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