Texto escrito por Thais Ferrugem Sarmento, psicóloga (CRP 07/17106), mestre em psicologia social e institucional (UFRGS), integrante da Divisão de Promoção da Saúde Discente (DPSD/PRAE/UFRGS)
Se você é fã de ficção científica, gosta de séries ou convive com pessoas que têm esse tipo de interesse, provavelmente já ouviu falar sobre “O problema dos três corpos”. Na primeira vez em que me deparei com esse título, fiquei curiosíssima e fui logo providenciando o livro.
O autor, Cixin Liu, não figurava entre meus conhecidos. E foi uma grata surpresa!
Logo de cara, descobri que este é apenas o primeiro livro de uma trilogia que inclui os títulos “Floresta Sombria” e “Depois da Morte”. Poucos meses após concluir a leitura dos três, fiquei sabendo que estava sendo produzida uma série sobre a história. E, claro, eu e meus amigos começamos a especular: qual será melhor, a série ou os livros?
Os livros
Os livros percorrem um vasto período de tempo, acompanhando os desafios da humanidade na Terra e em outros mundos. O enredo inicia na China, durante a Revolução Cultural. É nesse cenário conturbado que nos é apresentada uma das figuras cruciais do primeiro livro: a cientista Wenjie Ye.

Após um contato bem sucedido com seres de outro planeta, começam os percalços da relação entre civilizações com níveis de avanço tecnológico bastante desiguais. No caso, nós, seres humanos, estamos em desvantagem!
Para alguns terráqueos, os trissolarianos (nome dado aos viventes do planeta Trissolaris) são vistos como salvadores; para outros, são uma grande ameaça. Variados grupos e iniciativas se organizam na Terra a partir dessas percepções sobre nossa relação com os recém conhecidos alienígenas.
Surge um misterioso jogo de videogame que convida o jogador a conhecer a vida em um planeta distante rodeado por três sóis. O participante é convocado a buscar alternativas para o problema dos três corpos, cuja dinâmica gravitacional gera um sistema imprevisível e extremamente hostil à vida naquele planeta!
Quem criou esse jogo e com quais objetivos? Como garantir a preservação da humanidade e manter a Terra segura? Existe alguma forma de assegurarmos nossa soberania diante de uma raça muitíssimo mais desenvolvida que nós?
Mais do que trazer as respostas para esses questionamentos, o primeiro livro da trilogia instiga a curiosidade e cria um desejo quase irresistível de seguir a sequência. Os dois livros seguintes aprofundam essas questões e nos levam longe no cosmos e no tempo. Prepare-se para conhecer outros mundos em duas, três, quatro (ou até mais) dimensões e viajar milhares de anos no futuro!
A série
Antes de mais nada, entenda que séries e livros são coisas distintas! Saiba também que a série não fala do livro “O problema dos três corpos”, e sim da trilogia!
A narrativa não segue a mesma sequência da obra escrita e retrata os acontecimentos em uma ordem diferente, trazendo uma cronologia mais linear. Os livros, ao contrário, têm inúmeras idas e vindas e, ao longo dos três títulos, são narradas várias situações contemporâneas entre eles.
O escritor fez isso de uma forma brilhante, descortinando diferentes facetas da mesma história em cada livro, como se a realidade se revelasse em fatias e surpresas. Seria extremamente difícil reproduzir esse efeito na série sem gerar uma grande confusão. Por isso, acredito que seguir a ordem cronológica dos fatos foi uma sábia escolha (mesmo que isso signifique misturar os três livros).
Outra variação se refere aos personagens. A série fez uma espécie de “resumo”, digamos assim, reduzindo o elenco e redistribuindo suas atribuições. Os principais papéis e funções foram preservados, mas nem sempre desempenhados pelas mesmas pessoas. Em alguns casos, houve troca de nomes, ou aglutinação de algumas funções diferentes no mesmo personagem. Ah, e aqui os trissolarianos são chamados de “San-Ti”.
Quem leu apenas o primeiro livro pode ter ficado confuso ou desapontado, acreditando que a série criou coisas novas que não estavam no texto original. Acredito que não seja o caso. Li os três livros e penso que os fundamentos principais tenham sido preservados e transformados em uma proposta audiovisual.
Mas afinal, qual é melhor?

Na minha opinião, ambos são excelentes! É fundamental que você aceite que se tratam de coisas diferentes e não podemos simplesmente colocá-los na mesma balança usando os mesmos critérios de medida. É como se tentássemos comparar “lasanhas” e “guarda-chuvas” sem considerar que o primeiro é uma comida e o segundo é uma proteção. Não é a mesma coisa! E a série não se propõe a ser uma transposição literal dos livros: é uma adaptação!
Caso você seja um leitor ferrenho de ficção científica e esteja acostumado com textos muito extensos, possivelmente você gostará bastante dos livros. Já se você não tem tanta familiaridade com esse tipo de literatura, mas gosta dos temas abordados, talvez a série lhe agrade mais.
Agora, se você, assim como eu, gosta muito das duas propostas, provavelmente você vai se interessar por ambos! Nesse caso, sugiro que comece pelos livros, para não estragar o clima de suspense meticulosamente criado pelo autor!
