Sobre ser importante

Outro dia, ao dirigir para o trabalho, parei o carro no sinaleiro e vi uma jovem senhora com uma criança atravessando a rua – era horário de entrada para um colégio famoso e muito movimentado que fica no meu caminho. Ela parecia cuidadosa e conduzia o menino com atenção. Naquele pequeno intervalo de tempo pensei: Eu gostaria de ser assim, importante. A imagem dela me transmitiu a sensação de algo valoroso, de alguém que inspira respeito.

O sinal verde me fez continuar seguindo a rota e o cronograma do dia, porém, aquele pensamento volta e meia ressurgia, trazendo reflexões, ao longo da semana que se seguiu. Não era a roupa que ela estava usando – embora estivesse alinhada; nem também sua aparência em si que havia despertado em mim a ideia de ser uma pessoa importante, era muito mais uma forma de se comportar, de se movimentar, um “jeito de ser”, uma postura.

Coincidência ou não, em seguida li algumas coisas que, de alguma forma, conectaram-se com a “temática” de “ser importante” que para mim se instaurara. Pude notar então a magnitude da influência da ideia de valor estar associada com produção, com aquilo que se faz. Essa ideia sustenta tantas outras como a de que – quando a pessoa está incapacitada de alguma forma ou quando sua produtividade cai por algum motivo – o fato, ou mesmo, a suposição de que o indivíduo não esteja fazendo algo, ainda que temporariamente, o tornaria menos valoroso.

Sob a ótica de associar importância com ação e com produção, podemos sucumbir ao erro do preconceito, do julgar sem conhecimento de causa – podendo esse julgamento ser direcionado ao outro, ou então, a nós mesmos como provavelmente eu mesma fiz ao afirmar mentalmente que gostaria de corresponder a uma “ideia x” para então ser uma pessoa importante. Certamente que nossas atitudes importam, impactam – isso nem se discute – mas o nosso valor intrínseco não se resume a isso; cheguei a esse ponto em minha reflexão, finalmente.

Adoro as culturas que acolhem e cuidam dos seus idosos, as que não tornam tudo descartável, as que procuram aprender com os erros e acertos anteriores ao invés de simplesmente seguir perpetuando erros mecanicamente. Mas, é possível pensar: O que tudo isso tem a ver com saúde? – Uma vez que, concretamente, estamos num blog de promoção da saúde. Penso que a raiz do autocuidado em saúde, seja com a alimentação, com a prática de exercícios físicos, com a qualidade do sono, com o cultivo de bons relacionamentos, está na valorização real de si mesmo.

Texto elaborado por Nut. Patricia Soeiro Petroski (CRN2 11247), DPSD/PRAE/UFRGS

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