Ano: 2018

  • Cerimônia de premiação encerra atividades do XIX Salão de Extensão

    Cerimônia de premiação encerra atividades do XIX Salão de Extensão

    As atividades do XIX Salão de Extensão foram concluídas na tarde desta sexta-feira (19). A cerimônia de premiação ocorreu em conjunto com os demais eventos que compuseram o Salão UFRGS 2018. A entrega dos 37 troféus de destaque nas Tertúlias e os nove projetos premiados entre Tertúlias e Mostra Interativa ocorreu no Salão de Atos da UFRGS.

    A Vice-Reitora da Universidade, Jane Tutikian, fez a saudação a todos os participantes do Salão UFRGS 2018, agradecendo a cada um dos envolvidos. Ela ressaltou o trabalho que foi realizado desde o início do ano para que o Salão acontecesse: “o lema ‘Vozes Diversas – Diferentes Saberes’ mostra a criatividade, inclusão e pluralidade encontradas na Universidade, em contraponto aos tempos de violência e intolerância que se vive no Brasil”, ressaltou. Segundo a Vice-Reitora, foram 3.077 trabalhos inscritos, um número recorde para o Salão UFRGS. Enfatizando a qualidade dos projetos em todas as modalidades, Jane afirmou que hoje a Universidade recebe os saberes comunitários, marcando uma nova relação.

    Os prêmios do XIX Salão de Extensão foram entregues pela pró-reitora, Sandra de Deus, a vice, Cláudia Aristimunha, e dois dos três observadores externos do evento – Juan Carlos Molinas Cáceres, presidente da União Latino-Americana de Extensão Universitária (ULEU), e Humberto Tommasino, professor da Universidad de La República (Uruguai). Ao todo, oito projetos foram premiados nas Tertúlias e um na categoria Mostra Interativa de Extensão – estes nove trabalhos já estão indicados para comporem a delegação da UFRGS na próxima edição do Seminário de Extensão Universitária da Região Sul, que ocorrerá na Universidade Federal de Santa Catarina em 2019, respeitando os requisitos e condições de participação no evento, conforme explicado no regulamento do Salão de Extensão.

    PROJETOS PREMIADOS

    Mostra Interativa
    Dança e Pessoas com Deficiência
    Coordenação: Carla Vendramin

    Tertúlias
    Solos e Recursos Naturais em Agricultura Familiar na Região Metropolitana de Porto Alegre: uma abordagem participativa – edição 2018
    Paulo César do Nascimento

    Atendimento e Prevenção a Crianças Vítimas de Violência – 10ª edição
    Simone Algeri

    Dematovet 2018
    Daniel Guimarães Gerardi

    Preparação Física para Deficientes Visuais – 2018
    Alexandre Velly Nunes

    Núcleo de Extensão Tecnológica e Gestão Rural para Agricultura Familiar (NEGAF)
    Cidonea Machado Deponti

    Por Dentro da UFRGS 2018: programa de apoio ao acesso ao ensino superior
    Luciane Bello

    Pega Leve – saúde mental do estudante universitário
    Ana Margareth Siqueira Bassols

    Ciência, Cultura e Arte no Planetário da UFRGS
    Daniela Borges Pavani

  • Educação como ação política foi o eixo do Encontro de Extensão

    Educação como ação política foi o eixo do Encontro de Extensão

    Convidado para focalizar o Encontro de Extensão deste ano, o professor Humberto Tommasino, da Universidad de La Republica (Uruguai), apresentou o tema “Desafíos de La Extensión Critica En Tiempo de Crisis”. O uruguaio destacou a importância de definir qual base de trabalho adotar, enfatizando que a Extensão somente se realiza quando praticada junto aos setores subalternizados da sociedade. Ressaltou a importância de um trabalho interdisciplinar no qual “todos aprendem, todos fazem, todos ensinam”. De acordo com o docente, toda educação é político-ideológica, e a extensão, mais ainda.

    Logo após, Tommasino elencou os desafios da proposta interdisciplinar com foco nos povos subalternizados, tendo na extensão crítica uma forma generalizada de aprendizagem dos estudantes, não sem antes realizar a construção de diálogos de saberes. O professor trouxe o exemplo da UFRGS onde pouco mais de 5% dos estudantes participam de ações de extensão. Tommasino frisou que os alunos extensionistas “devem motivar seus colegas a virem junto para a Extensão”, citando também a fala da Pró-Reitora, Sandra de Deus, que sugere que os professores devem “encantar” os alunos, trazendo a extensão para dentro da disciplina.

    Criar condições estruturais e superestruturais para a integridade do desenvolvimento dos estudantes nas ações, com planos de estudos e programas integrais em territórios de prática, é a necessidade logística defendida pelo professor uruguaio. Outro eixo essencial do fortalecimento da Extensão, passa pela reformulação da tarefa docente, reunindo Ensino-Pesquisa-Extensão. Enfatizou a necessidade de se definir qual a função pública do professor, de maior participação social, e lembrou que as grandes reformas universitárias na América Latina, foram feitas pelos estudantes. A participação junto aos movimentos sociais também foi ressaltada.

    Quando da abertura para perguntas a Tommasino, as questões foram desde os conflitos entre academicismo e extensão, a necessidade de avançar no tripé com funcionários, alunos e professores, e a maior integração e escuta junto aos movimentos sociais. Como encerramento, o professor Humberto Tommasino deixou o seguinte pensamento do Manifesto Liminar de 1918: “As dores que ficam são as liberdades que faltam”.

  • Atividades trazem música, dança e astronomia para o público do Salão

    Atividades trazem música, dança e astronomia para o público do Salão

    Além da Mostra Interativa, das oficinas, tertúlias e dos encontros realizados no Salão de Extensão, o público também pôde assistir às apresentações culturais, que ocorreram no Espaço Multiuso da Difusão Cultural, e visitar o Planetário Móvel Digital (em frente ao Solarium do Instituto de Letras).

    Após a abertura do Salão UFRGS, na segunda-feira (15), às 12h30, o bloco Não Mexe Comigo que Eu Não Ando Só fez uma apresentação com dança, canto e percussão para refletir sobre a violência contra a mulher e o preconceito de gênero e de cor. O grupo é formado por mais 70 mulheres. Conforme explicou Julia Mistro Rodrigues, uma das participantes, o nome surgiu após um grupo menor de mulheres terem sido intimidadas por homens quando estavam tocando e cantando. Como resposta à ofensa, elas começaram a cantar a música “Não mexe comigo que não ando só”, de Maria Bethânia. Joana Oliveira de Oliveira, também participante, descreveu como o bloco se formou: “Nascemos da percepção de que nós éramos muitas mulheres tocando em muitos blocos, mas que tínhamos espaço reduzido por algumas questões do contexto da música e da sociedade”. No Salão, a apresentação terminou com o “Canto da Cidade”, de Daniela Mercury.

    Na quarta-feira (17), às 12h30, Manoel Luthiery, estudante do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC), apresentou uma parte do espetáculo Chegança, que está em criação. Através de movimentos com o corpo, a performance reflete lembranças do bailarino a partir de uma manifestação folclórica que a sua família praticava, a chegança. Como comentou Cleyce Colins, diretora da apresentação e também aluna do PPGAC, o corpo é memória, então o que eles buscam é encontrar uma forma de trazer a memória do dançarino para o corpo e mostrá-la em cena.

    No mesmo dia, às 13h50, integrantes do Ballet da UFRGS fizeram uma aula de ritmos aberta ao público. Kauê Sant’Anna Soares, estudante de Licenciatura em Dança pela UFRGS, guiou os movimentos. Os ensaios do Ballet ocorrem todos os dias, das 12h às 13h30, para fazer coreografias e montar os espetáculos. Também na área da dança, porém com outro foco, o Grupo Mimese fez uma aula perfomance, chamada Acasos dos Espaços Vazios, na quinta-feira (18), às 13h. Luciana Paludo, professora e diretora do projeto, falava os movimentos que os dançarinos tinham que fazer ou inventar e dançava junto ao grupo, trazendo reflexões sobre os gestos. Ao fim da apresentação, ela destacou que o Mimese representa uma via de entendimento do corpo e da liberdade de criação estética sem estar ligado a um determinado gênero de dança.

    Ao longo da semana, o Planetário Móvel Digital realizou sessões, a partir das 9h, a cada 30 minutos. Diversas escolas passaram pelo local para assistir aos programas As Aventuras de Zito (infantil) ou Aventuras no Sistema Solar (adulto). Andréa Ketzer Osorio, professora da EMEF de Surdos Bilíngue Salomão Watnick, veio com turmas do 7º, 8º e 9º ano do Ensino Fundamental e do EJA para visitar o Planetário. “Eles adoraram [o programa], apesar de precisar algumas adaptações para eles e, na hora, não tínhamos como interpretar, mas eles absorveram, conseguiram ver e depois nós fazemos as explicações”, completou. O espaço é formado por uma cúpula inflável onde cabem até 40 pessoas e é possível assistir, em segundos, movimentos celestes que levariam horas para se completar.

  • Cidadania e Meio Ambiente são ampliados pela Extensão

    Cidadania e Meio Ambiente são ampliados pela Extensão

    Na temática “Grupos Sociais Vulneráveis”, a atenção ao público idoso foi destacada a partir da ação de higiene bucal e como ela pode abranger uma consciência de saúde mais sistêmica, valorizando a pessoa de forma integral. O acompanhamento clínico-odontológico é um projeto coordenado por Fernanda Visioli e atende a SPAAM (Sociedade Porto Alegrense de Auxílio aos Necessitados). Agindo dentro e fora da UFRGS, o Coletivo LGBT de Saúde Coletiva atua desde 2016 atendendo ao público LGBT com ações de saúde integral, e combate à “lgbtfobia”, conscientizando a comunidade para a quebra do preconceito e a transformação social. Fichas de notificação são utilizadas na prevenção da violência e construção de políticas públicas, além da abordagem que articula cultura, corpo e sexualidade.

    Acolher crianças em situação de vulnerabilidade e violência é o trabalho realizado pela Casa do Catavento, que atua na comunidade São Pedro, zona leste de Porto Alegre. Com os alunos dos cursos de Psicologia e Serviço Social, as crianças têm a oportunidade de viver um pouco da infância, ressignificando a vida através de histórias e leituras, transformando em brincadeiras a realidade violenta onde estão inseridas.

    A temática de Meio Ambiente abordou a necessidade de melhorar a divulgação das informações à população, com a finalidade de uma consciência mais ecológica. O paradoxo de ajudar ou não, animais que fogem de seu habitat, ou pelo avanço da ocupação humana, se integram ao cotidiano das pessoas. O projeto “A Valorização da Geodiversidade no Parque Municipal de Alcinópolis” no Mato Grosso do Sul, destacou a importância do combate à proposta política de interesse de grandes grupos econômicos e ruralistas, de acabar com a demarcação de terras indígenas no país. Os extensionistas mostraram a riqueza do bioma, que contém um importante sítio arqueológico, fauna e plantas raras. Uma extensionista do CECLIMAR, de Imbé, falou da necessidade de ampliar a conscientização junto à população, pois é expressiva a quantidade de aves e mamíferos mortos pela pesca predatória, como o albatroz e a toninha.

    Na tertúlia sobre Educação e Sociedade, que teve como ouvinte e participante o observador da UFSC, Daniel Castelan, questões como a segregação entre periferia e classe média, brancos e negros, foram levantadas na roda de debates após as apresentações. Foi enfatizada a importância da aprendizagem in locu, junto às comunidades, onde a experiência vai além dos dados estatísticos. Projetos como a Criação Audiovisual com Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa, Projeto Rondon: oficinas que quebram o silêncio, Movimentos Sociais e Serviço Social, Tambores de Oxum e Educação Geográfica no Quilombo dos Alpes, entre outros trabalhos, ressignificaram e ampliaram o sentido da extensão universitária na UFRGS. Como afirmou uma extensionista do Rondon: “Quando a pessoa chega no local para realizar o trabalho em uma comunidade distante do seu cotidiano, percebe a importância de conhecer e trabalhar em conjunto com essa comunidade”.

  • Oficinas do Salão promovem novas perspectivas de alimentação e educação

    Oficinas do Salão promovem novas perspectivas de alimentação e educação

    O direito de todos a uma alimentação saudável e suas práticas foram apresentadas pelo Projeto de Ensino: Clubes de Ciências do Campo, da Licenciatura em Educação do Campo. Sete escolas de ensino fundamental participam das ações, entre elas a Escola Estadual Indígena e a Escola Estadual Nhamandu Nhemopua, ambas de Viamão. A educadora Rita Melo, professora da Escola Nhamandu, falou que o trabalho realizado junto aos mais velhos da aldeia, ampliou enquanto docente sua relação com o meio ambiente. Através do ensino multisseriado e do EJA, práticas de diferentes tipos de horta e a reutilização de resíduos domésticos são inseridas nessa visão da natureza como um ser mais amplo. A oficina contou ainda com a participação das crianças da Escola Rui Barbosa de Nova Santa Rita, que apresentaram o trabalho da cooperativa criada entre elas, os professores e a comunidade, para produção de sal, sabão e sacolas. Os educadores ressaltaram a importância dos diálogos com o prof. José Robaina, coordenador do projeto, para o surgimento dessas ações.

    Os elementos que aproximam as diversas linhas feministas foram debatidos no projeto Metodologias Feministas em Ciências Humanas. Aspectos como construção social de gênero, contextos da pesquisa e dinâmicas de poder foram relacionados pela oficina. Segundo Florencia Guarch, do PPG em Ciências Politicas, a empatia e a postura de saber ouvir, contribuem para que a relação universidade e público-alvo não seja uma barreira. Foi discutida a condição social das mulheres, e questionada pela extensionista se as mulheres são ou pelo contexto, estão vulneráveis. A mestranda Gabriela Scapini abordou as resistências feministas ao redor do mundo, como no Curdistão e na América Central.

    A oficina do projeto LoBoGames reforçou a importância da ação que já percorreu o Brasil com o Projeto Rondon, chegando até o Mato Grosso, sob a coordenação do professor do Instituto de Informática, Renato Ribas. O jogo estimula a capacidade mental e interação dos participantes, e é utilizado como prática pela professora Liliane Giordani, da Faculdade de Educação. O jogo é aplicado em vários ambientes, desde escolas para crianças, grupos de maior idade, festas juninas e formação de professores.

    Já a Alimentação Saudável no Ambiente Escolar, coordenada pela professora Luciana Oliveira, da Faculdade de Nutrição, mostrou a perda do controle da alimentação a que está exposta a população no mundo moderno. Foi abordada a falta de critérios mais rigorosos para a rotulagem dos alimentos, além de ressaltar o problema da produção de alimentos, que está restrito a grandes grupos econômicos. A parceria da Faculdade de Nutrição com o Indec (Instituto de Brasileiro de Defesa do Consumidor) e a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, afirma a importância do cuidar de si, onde a cultura, meio ambiente e pequenos produtores estejam em relevo neste novo processo de alimentação consciente.

  • UNAPI propicia arte e vitalidade para pessoas idosas

    UNAPI propicia arte e vitalidade para pessoas idosas

    Com a recente inauguração do Centro Cultural, as atividades do Universidade Aberta para Pessoas Idosas (UNAPI) passaram para este novo espaço no Campus Centro, ressignificando o trabalho transdisciplinar desenvolvido junto ao grupo. No encontro do grupo, ocorrido no XIX Salão de Extensão, a Pró-Reitora de Extensão, Sandra de Deus, falou da importância que as atividades culturais representam para mulheres e homens na melhor idade. O grupo tem origem na UNITI em 1993, porém o termo terceira idade foi substituído por pessoas idosas, em razão de o Ministério dos Direitos Humanos em 2017, considerar que o novo termo amplia o olhar para o idoso.

    O vínculo indissociável entre ensino, pesquisa e extensão é considerado estratégico para o êxito e a continuidade do grupo. O Núcleo de Estudos para o Envelhecimento vem promovendo uma série de palestras a fim de integrar ainda mais os idosos, trazendo os temas “Sexualidade e Envelhecimento”, “Envelhecendo na China”, “Inclusão Digital” e “Gratidão-Otimismo-Perdão”. A UNAPI realiza também subprojetos semanais que estimulam o convívio intergeracional e a formação de recursos humanos.

    Mas entre as principais ações se destacam as oficinas, que mobilizam os idosos e são abertas a toda comunidade. O grupo Longevidade Criativa foi formado nesses encontros e suas autoras e autores, recitaram poemas escritos por eles, a exemplo da poesia Tricotando a Vida: “deixo escapar um ponto…paciência…e o sonho acontece”. Ou ainda o significado do tempo: “futuro, vivemos a busca, aos poucos, conhecemos do passado e o presente, o quê sabemos?”. As autoras ressaltaram que a perspectiva de escrever poemas trouxe o gosto do desafio, de algo novo às suas vidas.

    A preparação física através de alongamentos e respiração também foi demonstrada pelo grupo, sob a coordenação de Gil Collares, que realiza os ensaios de canto. Após a preparação com exercícios de respiração que incluiu também as pessoas que assistiam ao encontro, o professor cantou com as integrantes do coro e os participantes, a música “Como é grande o meu amor por você” de Roberto Carlos. A equipe transdisciplinar de extensionistas e as pessoas integrantes do grupo, ampliam o significado de vida do ser idoso, com vitalidade, desafios e muita arte.

  • Veja aqui os destaques das tertúlias desta quinta (18)

    Veja aqui os destaques das tertúlias desta quinta (18)

    Os trabalhos-destaque das 12 sessões de tertúlias desta quinta-feira do XIX Salão de Extensão já são conhecidos. A lista de trabalhos pode ser conferida neste link.

    Os coordenadores das atividades que receberam destaque devem comparecer à cerimônia de premiação do Salão UFRGS na próxima sexta (19), às 16h, no Salão de Atos da UFRGS, para recebimento dos troféus. Os 36 destaques das sessões de tertúlias concorrerão aos oito prêmios principais da categoria no XIX Salão de Extensão.

  • Projeto Rondon: “somos todos iguais na essência”

    Projeto Rondon: “somos todos iguais na essência”

    Com a fala da professora Gema Piccinini, “rondonista” desde a década de 1970 e que identifica o título desta matéria, se evidencia o caráter do Projeto Rondon ao longo dos seus 40 anos na UFRGS, e principalmente com as reformulações ocorridas em sua nova fase, a partir de 2005. O coordenador Renato Ribas apresentou essa trajetória, reuniu os “rondonistas” pioneiros para uma roda de conversa ancorada pelo acadêmico de Jornalismo Glauber Cruz, e projetou a Operação Parnaíba, que ocorrerá no Piauí entre 18 de janeiro e 3 de fevereiro de 2019.

    Os professores que participaram das primeiras expedições resgataram importantes histórias, onde refletiram acerca das condições precárias e ausência de direitos verificados em muitas comunidades do interior brasileiro. O “rondonista” João Falk, à época residente em Medicina, trouxe relatos da situação no sertão de Sergipe, onde ele foi o primeiro médico a chegar no município de São Miguel do Aleixo, comunidade que carecia de serviços de saúde. Falk destacou que todo o conhecimento trazido pelo acadêmico se desconstrói diante da realidade comunitária, de forma que o extensionista necessita compreender a cultura com a qual está interagindo. Ele ainda relatou a viagem de Porto Alegre para Aracaju, que foi realizada de ônibus, durando entre 6 e 7 dias. O médico lembrou do impacto causado por uma paciente, que dos 17 filhos que havia gerado, restavam apenas 9.

    A professora de enfermagem Gema Piccinini lembrou que suas ações iniciaram junto à periferia de Porto Alegre e logo após, se incorporaram na operação realizada na Vila de Rondônia em 1972, hoje Porto Velho. Depois, no interior do então território de Rondônia, atuou junto a uma comunidade que vivia da mineração de cassiterita, e testemunhou a “entrega” das riquezas do Brasil. A docente destacou um curso ministrado a parteiras leigas, relatando que as alunas estavam em estado de graça ao participarem de uma formação na universidade. Ver a alegria nas pessoas simples motivou Gema a seguir por mais 11 anos no Rondon.

    A fala da professora de enfermagem encontrou reverberação em uma aluna, que recentemente percorreu a mesma região. O desafio agora, foi oferecer prática de basquete a jovens envolvidos com drogas. O Projeto Rondon é oficializado para as universidades através de edital do Ministério da Defesa em parceria com estados e municípios, se adequando às demandas locais. Cada município recebe voluntários de diferentes áreas, abrangendo um total de 15 cidades, com operações que duram duas semanas. Os “rondonistas” mais experientes ressaltaram que a transformação humana para quem participa do projeto é impactante. Conforme o professor Ribas, os alunos que aproveitam o aprendizado do Rondon são aqueles que fazem uma imersão no projeto, voltando com uma nova percepção do ensino e da vida.

  • Trocas de experiência movimentam a Mostra Interativa de Extensão

    Trocas de experiência movimentam a Mostra Interativa de Extensão

    Até o dia 19 de outubro (sexta-feira), estandes com plantas para doação, artesanatos de escamas de peixe, origamis, entre outros, estão expostos na Mostra Interativa de Extensão, que começou nesta segunda-feira (15). O evento ocorre no Solarium do Instituto de Letras da UFRGS.

    Como parte da programação especial, nesta terça-feira (16), o projeto de apoio a bancos comunitários de desenvolvimento, do Núcleo de Estudos em Gestão Alternativa (Nega), realizou uma Feira de Trocas em meio à Mostra. Segundo Ana Mercedes Sarria Icaza, coordenadora da área de capacitação dentro dos bancos comunitários, a ação promovida serve para mostrar que bens e saberes podem circular sem que as pessoas precisem ter dinheiro para comprá-los e sem que se queira gerar lucro. Durante a atividade, o público pôde trocar objetos pela chamada moeda social ou moeda circulante local, dinheiro alternativo que é aceito em determinada comunidade. A Feira de Trocas ocorreu das 13h30 às 16h e, de acordo com a coordenadora, trouxe uma reflexão: “nós temos hoje o dinheiro como uma mercadoria para gerar lucro e, na verdade, a função do dinheiro é gerar trocas”.

    No mesmo dia, ao longo da tarde, escolas visitaram a Mostra e participaram de atividades promovidas no Salão de Extensão. Esta foi a primeira vez que Dânia Jovanka Maletich, professora do 4º ano da Escola Estadual de 1º Grau Professora Dinah Néri Pereira, foi ao evento junto a seus alunos. “Eu estou adorando porque tem algumas coisas que estão batendo com o conteúdo que estamos trabalhando [em aula]”, destaca. Os alunos conheceram os 13 projetos que estão na exposição, entre eles, a ONG Patas Dadas.

    Aline Masera Silveira, estudante de Ensino Médio, participa da organização há um ano e destaca a importância do trabalho: “O Patas faz um bem não só para os animais, mas sim para todo mundo”. A ONG Patas Dadas é voltada ao resgate de cães de rua do Campus do Vale que estão machucados ou doentes, cadelas prenhas e filhotes. Como explica Amanda de Farias Gabriel, estudante de Odontologia da UFRGS que está há seis meses na ONG, o grupo castra os animais, cuida da saúde deles, fornece alimento, moradia e carinho a fim de que possam ser disponibilizados para doação. Para se tornar voluntário do Patas Dadas, é necessário entrar em contato pelo e-mail voluntarios@patasdadas.com.br.

    A Mostra Interativa funciona das 10h às 17h na quinta-feira (18) e até às 13h na sexta-feira (19). Os projetos que estão em exposição podem ser encontrados na programação do evento.

  • Encontro debate políticas migratórias de Brasil e Argentina

    Encontro debate políticas migratórias de Brasil e Argentina

    O Auditório Celso Pedro Luft do Instituto de Letras recebeu, na tarde desta quarta-feira (17), um debate a respeito das políticas migratórias e relações internacionais da Argentina e do Brasil no atual contexto político latino-americano. Neste ano, o Encontro dos Movimentos Sociais contou com palestras de Brenda Canelo, professora de Antropologia na Universidad de Buenos Aires, e Daniel Castelan, professor da Relações Internacionais da UFSC e um dos observadores externos do XIX Salão de Extensão.

    Em sua explanação, Brenda explicou os retrocessos sofridos na política migratória argentina a partir do governo que assumiu o país no final de 2015. “O presidente argentino expediu em 2017 um decreto em caráter de urgência, o qual confunde migração com crime organizado e narcotráfico”, criticou a professora. “A política migratória argentina atual aprofunda a estigmatização dos migrantes”, completou.

    Em relação ao Brasil, Castelan considera que o país tem usado o discurso de que nações vizinhas precisam respeitar os direitos humanos, mas com o propósito de atacar nações cujos governos lhe representem oposição política. “Desde que foi adotada a política de intervenções humanitárias externas, o Brasil sempre se posicionou contra, por temer sofrer uma intervenção de organismos internacionais. Agora, esse discurso é usado apenas para desestabilizar alguns países vizinhos”, considerou.

    Sob a coordenação de Roberta Baggio, professora da Faculdade de Direito da UFRGS, o Encontro dos Movimentos Sociais é promovido pelo GAIRE/SAJU. Esta foi a quarta edição do encontro, que tem feito parte da programação do Salão de Extensão desde 2015.

Cerimônia de premiação encerra atividades do XIX Salão de Extensão

As atividades do XIX Salão de Extensão foram concluídas na tarde desta sexta-feira (19). A cerimônia de premiação ocorreu em conjunto com os demais eventos que compuseram o Salão UFRGS 2018. A entrega dos 37 troféus de destaque nas Tertúlias e os nove projetos premiados entre Tertúlias e Mostra Interativa ocorreu no Salão de Atos da UFRGS.

A Vice-Reitora da Universidade, Jane Tutikian, fez a saudação a todos os participantes do Salão UFRGS 2018, agradecendo a cada um dos envolvidos. Ela ressaltou o trabalho que foi realizado desde o início do ano para que o Salão acontecesse: “o lema ‘Vozes Diversas – Diferentes Saberes’ mostra a criatividade, inclusão e pluralidade encontradas na Universidade, em contraponto aos tempos de violência e intolerância que se vive no Brasil”, ressaltou. Segundo a Vice-Reitora, foram 3.077 trabalhos inscritos, um número recorde para o Salão UFRGS. Enfatizando a qualidade dos projetos em todas as modalidades, Jane afirmou que hoje a Universidade recebe os saberes comunitários, marcando uma nova relação.

Os prêmios do XIX Salão de Extensão foram entregues pela pró-reitora, Sandra de Deus, a vice, Cláudia Aristimunha, e dois dos três observadores externos do evento – Juan Carlos Molinas Cáceres, presidente da União Latino-Americana de Extensão Universitária (ULEU), e Humberto Tommasino, professor da Universidad de La República (Uruguai). Ao todo, oito projetos foram premiados nas Tertúlias e um na categoria Mostra Interativa de Extensão – estes nove trabalhos já estão indicados para comporem a delegação da UFRGS na próxima edição do Seminário de Extensão Universitária da Região Sul, que ocorrerá na Universidade Federal de Santa Catarina em 2019, respeitando os requisitos e condições de participação no evento, conforme explicado no regulamento do Salão de Extensão.

PROJETOS PREMIADOS

Mostra Interativa
Dança e Pessoas com Deficiência
Coordenação: Carla Vendramin

Tertúlias
Solos e Recursos Naturais em Agricultura Familiar na Região Metropolitana de Porto Alegre: uma abordagem participativa – edição 2018
Paulo César do Nascimento

Atendimento e Prevenção a Crianças Vítimas de Violência – 10ª edição
Simone Algeri

Dematovet 2018
Daniel Guimarães Gerardi

Preparação Física para Deficientes Visuais – 2018
Alexandre Velly Nunes

Núcleo de Extensão Tecnológica e Gestão Rural para Agricultura Familiar (NEGAF)
Cidonea Machado Deponti

Por Dentro da UFRGS 2018: programa de apoio ao acesso ao ensino superior
Luciane Bello

Pega Leve – saúde mental do estudante universitário
Ana Margareth Siqueira Bassols

Ciência, Cultura e Arte no Planetário da UFRGS
Daniela Borges Pavani

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