Sextante

PAUTA DA REPORTAGEM

Não se escolhe amar

Pauta

Os encontros de uma nova família 

Como a adoção pode conectar famílias com crianças e adolescentes de forma inesperada?

O processo de adoção exige muitos encontros. Desde o primeiro contato com a criança ou adolescente que busca uma família até que se crie um laço entre as duas partes e efetive a nova configuração familiar. 

No Brasil, são mais de 4 mil crianças e adolescentes à espera de um lar. Do outro lado, mais de 30 mil pessoas na fila para adotar, segundo o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento. Embora haja mais famílias disponíveis do que crianças para adoção, a conta não fecha. São critérios e preconceitos que fecham as portas para esses encontros.

Há, no entanto, encontros inesperados. Famílias que se criaram no instante em que se viram. Pais que viajaram ao encontro do filho do coração. Casos em que o primeiro encontro bastou. 

O objetivo dessa reportagem é encontrar essas histórias. Dos encontros que geraram novas famílias. 

Sobre o assunto 

A adoção no Brasil passa por um longo processo burocrático e social. A começar pelos papéis. O cadastrado de quem deseja adotar passa pelo Ministério Público e, em seguida, é avaliado por uma comissão interprofissional, que julga a condição do adotante em receber a criança ou adolescente. 

Na sequência, o adotante passa por um programa de preparação para adoção. O processo tem como objetivo preparar os pretendentes para a convivência inicial, além de estimular adoção interracial, de crianças e adolescentes com deficiência e de grupos de irmãos. No entanto, é comum que muitas famílias desistam durante o processo, mesmo depois de já ter convivido com a criança por um tempo. 

As questões para os desencontros são muitas. Alguns pais carregam a idealização de um filho e projetam suas expectativas em crianças que já trazem uma bagagem de vida. Outras famílias não estão dispostas a adotar irmãos que vivem juntos. Há, ainda, o preconceito com crianças pardas, negras e com deficiência. 

Porém, nem todas as histórias são assim. Algumas famílias são exemplos de encontros definitivos, que atravessaram todas as dificuldades dos processos de adoção por uma razão maior: a de possibilitar à crianças e adolescentes um novo lar. 

Referências

  • Quase 70% das crianças aptas para adoção no Brasil têm mais de oito anos
  • Reportagem em vídeo aborda adoção de crianças e adolescentes
https://www.ufrgs.br/humanista/2022/10/14/reportagem-em-video-aborda-adocao-de-criancas-e-adolescentes/
  • As mães que entregam seus bebês em caixas para adoção nos EUA
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63763960

Possíveis Fontes

  • Pati e Jaques, casal gaúcho que viajou para o Nordeste em busca do seu filho adotivo
  • Juciane Galvão, médica pediatra que adotou uma criança abandonada na maternidade
  • Pais que adotaram uma criança e acabaram adotando os irmãos junto 
  • Psicólogo(a) 
  • Coordenadora da Fundação O Pão dos Pobres 

Sugestões de Perguntas

Famílias adotantes

Como funcionou o processo de adoção?

Como foi encontrar o seu filho(a) pela primeira vez?

Psicólogo(a)

Por que parte dos pais desistem da adoção na metade do processo?

Quais são os efeitos do abandono ou desistência da adoção para uma criança?

Fotos

Fotografia das fontes que irão ser entrevistadas, imagens da família, fotografias de álbuns de fotos da família. 

Ilustração 

O momento de encontro entre duas ou mais vidas, com bagagens diferentes e que se conectam. Mãos dadas, em referência a união. O inesperado e o amor em contraste, mas sem conflitarem. 

Sugestões Multimídia 

Vídeo da família respondendo a alguma pergunta da entrevista. Áudio da família perguntando à criança como foi o dia que eles se encontraram. 

Redes Sociais 

Depoimento das crianças adotada em vídeo. Vídeo da família respondendo a alguma pergunta da entrevista. Fotos da família com uma frase em destaque. 

Da pauta à reportagem

As reuniões de pauta são compromissos cotidianos no trabalho de um jornalista. Usualmente, é a partir das discussões e provocações que surgem nestes encontros que grandes reportagens nascem. Um gancho, um dado ou um acontecimento podem ser a faísca inicial de matérias complexas. No meu caso, a história veio de fora. A pauta foi a oportunidade de tirar um tempo para conhecer as histórias das fontes.

Os entrevistados já eram pessoas conhecidas por mim. Nenhuma delas próximas o suficiente para ter uma conversa despretensiosa sobre a história de adoção dos seus filhos. Eram casos que me intrigavam: da mesma forma que eu tinha curiosidade, havia um certo fascínio sobre histórias de adoção fora da curva.

Os fatos, então, guiaram a pauta. Encontros e desencontros foi a deixa para sentar, ouvir e entender a fundo a vida de duas famílias que se diferem tanto, mas compartilham vivências em comum. O jornalismo me deu a oportunidade de escutar e contar essas histórias e eu não hesitei. A vida encontrou a pauta, E, na reportagem, tive encontros que não vou esquecer.