De acordo com o censo de 2022 realizado pelo IBGE, no Brasil há mais de 5.900 quilombos, sendo 11 deles na Capital Gaúcha. Sete desses quilombos são certificados pela Fundação Cultural Palmares, entre eles está o Quilombo do Areal, ou Areal da Baronesa.
O Areal da Baronesa recebe esse nome pois se localiza onde antes era a casa de veraneio do Barão e Baronesa do Gravataí. Ele foi formado no século XIX por ex-escravizados que, com a abolição da escravatura, foram morar no lado esquerdo da atual Avenida Luiz Guaranha que não era habitada. Com a morte do barão e baronesa, a comunidade avançou no território. O quilombo foi reconhecido pela Fundação Palmares em 2004. Em 2014, o Diário Oficial da União reconheceu a área como terra de Comunidades Remanescentes de Quilombos.
Proposta
A ideia é retratar de que forma as pessoas que moram ali preservam sua identidade, o que mudou desde a fundação da comunidade até os dias de hoje e como se dá a relação entre essas pessoas.
Fontes
- Associação Areal da Baronesa;
- Moradores;
- Pesquisadores
Sugestões de perguntas
- As famílias atuais são todas da época da fundação?
- Como a comunidade lida com o interesse imobiliário na região?
- O que muda/mudou com o reconhecimento do Estado?
Imagens e Ilustrações
- Procurar no arquivo público imagens da época do estabelecimento da comunidade, bem como fotos atuais;
- Existem documentos no Museu Joaquim Felizardo;
- Ilustração que remete ao pertencimento.
Redes Sociais
- Curiosidades da comunidade (exemplo: Você sabia que o Areal da Baronesa é um dos principais redutos negros da cidade? → seguido de uma breve explicação ←; Areal da Baronesa: o berço do samba).
Para a versão online
- Dar uma ênfase maior em a comunidade ser o berço do samba na cidade
Da pauta à reportagem
Escolher a pauta da reportagem foi uma construção confusa. As primeiras ideias não vingaram e parecia que as possibilidades eram escassas e distantes de eu conseguir cobrir. No entanto, com as discussões em sala e a conversa com o Conselho Editorial presente nesta edição, chegamos em conjunto à decisão de contar a história do Areal da Baronesa.
Originalmente, pretendia contar como foi formado o consciente individual das fontes e o consciente coletivo da comunidade em si no processo de se entender como quilombola. Também pretendia abordar o que se manteve e o que se adaptou na vivência do quilombo, fosse entre eles, fosse em contraponto à cidade. Mas, como tudo na comunicação se move, a pauta se transformou.
Ao iniciar o contato com a primeira fonte, me encantei com a história do Quilombo do Areal. Era um lugar que eu não conhecia, assim como tantos outros cantos desta cidade. Como tudo que é novo também causa curiosidade ao ser humano, estar ali não foi diferente para mim.
Me intrigou o fato de como tanta história poderia caber em apenas uma rua. Até entender que, na verdade, o Areal é mais que apenas um local, é uma comunidade construída por gerações, e nenhuma tentativa ou processo de afastamento de sua área foi, é ou será capaz de dissolver o que aquelas pessoas construíram em suas memórias.
Para além de uma simples reportagem feita para uma cadeira da graduação, escrever “Da areia à resistência” foi um desafio. Trabalhar com um tema tão rico me causou dúvidas sobre realmente saber ao que dar mais atenção, infelizmente nem tudo pôde ser contado.
Os moradores do Areal sabem de sua história e mantêm suas origens desde muito antes de receber reconhecimento oficial, atestado por um documento. As formalidades legais deram, sim, segurança para que pudessem permanecer no local sem outras tentativas de retirada de mais uma parcela da população negra do Centro de Porto Alegre. No entanto, suas raízes já estavam muito fortes antes disso.