Sextante

Guiados pela natureza

Conceito:

Como o tempo climático interfere nas profissões que dependem de estabilidade metereológica?  

Proposta da Reportagem 

Se um dia chuvoso já interfere no fluxo de trânsito da cidade, imagine para profissionais que dependem da estabilidade climática para trabalhar. Pensando em três elementos primários da natureza, ar, terra e água, como trabalhadores que utilizam esses elementos como meio principal de trabalho, exemplo piloto de avião, agricultor e embarcado, têm sua rotina moldada pelas condições metereológicas? 

Além disso, o tempo é uma medida universal, mas não é vivido da mesma forma por todos. Fusos horários, imprevisibilidade, dias no mar aberto, estações que regulam a colheita, tudo isso influencia na percepção do tempo, além dos resultados do trabalho realizado. Esta reportagem pretende abordar como diferentes profissões lidam com imprevisibilidade climática e como isso afeta a percepção de tempo para cada um. 

O enfoque será mostrar o tempo meteorológico no trabalho. Para o piloto, atravessar fusos-horários, passar por turbulências e diferentes climas é uma vivência cotidiana. Quem trabalha em navegação enfrenta longos períodos em alto-mar, nos quais a rotina embarcada parece superar os dias em terra. Já o agricultor organiza sua existência segundo o tempo natural, onde cada cultivo depende da chuva, do sol e das estações.

Ao reunir esses olhares, a reportagem traz as condições climáticas como fatores que influenciam diretamente no trabalho. O tempo não é apenas calendário: é destino, rotina, corpo, espera.

Contextualização

O aquecimento global ameaça o futuro dessas profissões, já que não se pode controlar o tempo climático e nem a passagem das horas. De acordo com um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), há uma chance de 80% de que um dos próximos cinco anos (2025-2029) se torne o ano mais quente da história, com as temperaturas globais permanecendo em níveis recordes. Essa previsão pessimista aponta para um impacto crescente e negativo na economia e na vida cotidiana, incluindo as profissões abordadas na reportagem, especialmente a agricultura familiar que precisa estar em constante adaptação aos efeitos climáticos. 

A vida a bordo está suscetível  a tempestades, ventos e condições do mar, que podem alterar a programação, atrasar viagens e estender os ciclos de trabalho de 14 dias. Essa constante vigilância em relação ao tempo meteorológico cria uma percepção de tempo que é, ao mesmo tempo, estática (pelo cronograma fixo) e caótica (pela ameaça de eventos extremos). Essa dualidade afeta a rotina, o bem-estar e a segurança, introduzindo uma camada de tensão e ansiedade que vai além do planejamento.

O número de passageiros afetados por cancelamentos de voos mais do que triplicou de 2022 a 2024. Em 2022, 1,3 milhão de passageiros foram afetados por cancelamentos, ante 4,3 milhões em 2024, uma alta de 231% em dois anos. Os dados são de levantamento da AirHelp, empresa que auxilia passageiros em casos de interrupções de voos. (Fonte: Estadao); 

Fontes previstas

  • Piloto comercial: Walter Barcellos, piloto aposentado 
  • Agricultor familiar do Rio Grande do Sul 
  • Profissional embarcado

Eixos de entrevista

-Como a instabilidade climática muda a sua rotina?

-Você percebeu, desde o início da sua profissão até o momento, que a imprevisibilidade climática é mais frequente? Isso mudou algo no seu cotidiano de trabalho?

-De que forma as condições climáticas interferem na sua vida pessoal?

-Quais são as maiores pressões ligadas ao tempo climático e prazos na sua rotina?

-Como o meio em que você trabalha (ar, água e terra) influencia na sua percepção da passagem do tempo? 

-O que é tempo para você?

-Sua profissão faz o tempo correr mais rápido ou mais devagar?

-Você já perdeu ou ganhou momentos importantes da sua vida pessoal por causa do tempo da profissão?

-Qual foi a situação em que você mais percebeu a diferença entre o seu tempo e o tempo das outras pessoas?

– Se pudesse mudar a relação com o tempo na sua profissão, o que mudaria?

Sugestões visuais

A ideia é capturar a essência do “tempo” em cada profissão, mostrando a rotina, o ambiente de trabalho e a relação das pessoas com a passagem do tempo. Fotos:

  • Close nas mãos segurando uma bússola;
  • O sol se pondo no mar;
  • Cabine de avião à noite;
  • Mapa de voo do piloto;
  • Uma foto do caminhão em uma estrada deserta, com o sol nascendo ou se pondo;
  • Um campo vasto, com a colheita em andamento, mostrando o ciclo de plantio e a passagem das estações;
  • Em geral, usar aspectos do clima e natureza;

Ilustração

Um mapa com um agricultor em terra (continente), o piloto dentro do avião no ar e um navio com um marinheiro embarcado dentro. Ângulo frontal de recorte, com medidas de fuso-horário e em algum lugar da arte um relógio. 

Redes sociais

Reels 01:

A gente vive dizendo que não tem tempo, ou que o tempo voa. Mas… e se o tempo não fosse só uma linha reta no relógio? E se ele fosse um oceano para uns e nuvens para outros?”

Transição (Repórter em outro cenário, com uma expressão mais séria):

“Nós, repórteres da Sextante, mergulhamos nas vidas de quem tem uma relação única com o tempo. Conversamos com um piloto que voa através de fusos, um agricultor que vive no ritmo da natureza e um profissional que trabalha embarcado com uma rotina que inverte o dia e a noite.

Final (Repórter de volta ao primeiro cenário, com um gesto de convite):

“O tempo deles é uma história. E a sua? Qual é a sua relação com o tempo? A resposta para essas e outras perguntas está na nossa nova reportagem.

Reels 02:

“O tempo de um agricultor é o tempo da chuva. O tempo de um piloto é o tempo de um fuso. E o tempo de um marinheiro é o tempo do oceano.”

Transição (Cenas de transição, rápidas e com batida da música):
“Mas… o que acontece quando o tempo de trabalho se impõe sobre o tempo da vida? Eles perdem a noção de tempo?”

Conteúdo (Repórter de volta, mais pensativa):
“É isso que nossa nova reportagem explora. Nós mostramos como a percepção do tempo muda completamente para quem vive em rotinas tão diferentes. Eles aprendem a ver o tempo não como algo que passa, mas como algo que se vive e se sente no corpo e na alma.”

Final (Repórter sorrindo e apontando para a tela):
“Se você já se perguntou ‘para onde foi o meu dia?’, essa matéria é pra você. Para conhecer essas histórias e entender a relação deles com o tempo, acesse o link na bio. A reportagem completa já está no ar!”

Conteúdos multimídia 

Foto:  piloto de avião aposentado, Sr. Barcellos;

Foto: profissional embarcado;

Foto: agricultor;

Da pauta à reportagem  

Nosso plano inicial previa a realização de todas as entrevistas presencialmente, mas apenas o piloto reside em Porto Alegre, por isso, as entrevistas com as demais fontes foram no formato online. Havíamos considerado abordar os quatro elementos: ar, fogo, terra e água, porém, para seguir as orientações editoriais, focamos em apenas três. De início, pensamos em concentrar o eixo da nossa reportagem na percepção da passagem do tempo a partir da profissão de cada um, mas consideramos importante trazer a influência climática para o tema. Assim, diversificamos a interpretação do tempo, o norteador da nossa revista. A nossa pauta foi inédita e partiu de motivações pessoais, decidimos ter um olhar criativo e diferente na interpretação do tempo. 

A produção da reportagem, de uma maneira geral, foi tranquila. Nos concentramos em realizar todas as entrevistas na mesma semana e logo escrever a primeira versão do nosso texto. As maiores dificuldades encontradas estavam nas fotografias, já que o piloto de avião estava aposentado, ou seja, longe do ambiente do aeroporto. Por isso, optamos por utilizar uma foto de arquivo pessoal. Além disso, a limitação física nos impediu de produzir fotos do profissional embarcado, que estava em alto-mar no momento da entrevista, e também do agricultor, que mora a quase 400 quilômetros de distância das repórteres. Ademais, acreditamos que as fotos só teriam sentido com os entrevistados em seus ambientes de trabalho. Portanto, todas as fotos utilizadas são de arquivo pessoal. 

Realizar a reportagem para a Revista Sextante foi uma experiência grandiosa e enriquecedora. Um dos desafios foi transmitir com clareza as vivências das nossas fontes, por isso, todas as entrevistas realizadas tiveram duração de quase duas horas. Isso proporcionou uma ambientação rica e tivemos a oportunidade de esclarecer todas as dúvidas no momento em que estávamos com os entrevistados. Como repórteres, ampliou os nossos conhecimentos sobre a rotina de outras profissões e como as mudanças climáticas vêm afetando cada setor.