Sextante

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O TEMPO ANDOU MEXENDO COM A GENTE

O tempo está presente nos despertadores que tocam cedo demais, nas agendas lotadas, na rapidez dos momentos, nas esperas que parecem não ter fim. Em um mundo cada vez mais apressado, em que as horas são escassas e os dias passam muito rápido, vivemos entre a sensação de atraso e o desejo de pausar. O desenvolvimento da tecnologia e as mudanças de perspectivas vêm transformando a noção do tempo.

Somos guiados, do início ao fim da vida, por ele. O ditado diz que todos têm as mesmas 24 horas, mas, embora cronologicamente correto, a expressão deixa de lado as disparidades que permeiam a sociedade brasileira. Por isso, buscamos entrevistar fontes com diversas perspectivas para dar conta de narrar histórias que passam além dos ponteiros dos relógios.

Nesta edição, a Sextante explora as múltiplas faces do tempo, como ele impacta a sociedade e molda as relações humanas. Do tempo de quem chega ao de quem vai, do cronológico ao narrativo, do momento perdido ao recuperado, do livre ao ocupado, do tempo de plantar ao de colher.

Entre as reflexões percebemos que o tempo não é só uma palavra ou conceito. O tempo é vida, é história, é o que fomos, somos e ainda vamos ser.

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COMPOSITOR DE DESTINOS

Vivendo sempre na pressa, repetimos que o tempo voa, que corremos contra o tempo, que não dá tempo nem para respirar. Quando em compasso de espera, dizemos que estamos matando um tempo ou fazendo umas horas. Será mesmo verdade que quem espera sempre alcança? Se for para dar conselhos, melhor lembrar que tudo tem sua hora, que o tempo cura, que o tempo dirá. 

O fato é que as palavras e metáforas mostram nossa relação afetiva, prática ou até ansiosa com o tempo. Gregório Duvivier destacou isso quando esteve em Porto Alegre, em outubro de 2025, com a magnífica peça O céu da língua, que assistimos lembrando do tema desta edição. Aliás, ele também destacou que a relação com o conceito é cultural, pois esse modo de falar do tempo diz muito sobre o nosso português. 

Enquanto a edição 66 estava sendo produzida, também recordamos da Sextante ouvindo o show de Gilberto Gil, que esteve na capital gaúcha com a turnê Tempo Rei. A música de mesmo nome não nos deixa ficar iludidos, pois lembra que tudo agora mesmo pode estar por um segundo, tudo está prestes a mudar. 

Há mais de um século, ao discutir a transitoriedade das coisas, Freud já ponderava que o valor de algo está justamente em ter um fim, contrariando um poeta que olhava triste a beleza da natureza por ela estar fadada à extinção. “Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela”, escreve o pai da psicanálise. 

Por tudo isso, achamos muito rica a proposição dos alunos de explorar o tempo, esse senhor tão bonito, que ajuda a compor os destinos – como canta Caetano Veloso em Oração ao tempo. Essa noção vira tema de música, de arte, de reflexão teórica e, também, de 12 reportagens que convidamos você a ler. Perca o tempo aqui e boa leitura!

Confira aqui a edição impressa da revista!

Thaís Furtado
thais.furtado@ufrgs.br

Gisele Reginato
gisele.reginato@ufrgs.br