Sextante

57 Editoriais

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Não somos singular

Oito milhões e meio de quilômetros quadrados na 13ª maior economia do mundo. Ao todo, a estimativa de população já ultrapassa os 212 milhões de cidadãos. O que faz o norte do Brasil se parecer com o sul? Nada. Talvez, tudo.

Falar sobre um “Brasil Plural” soa tão redundante quanto falar apenas sobre o “Brasil”. Essa ideia, de que o país dos tupiniquins é diverso em sua essência, é reforçada em todos os cantos. Novelas, jornais, propagandas e programas de TV. Para onde quer que olhemos, a diversidade da pátria parece estar lá estampada. 

Como pode uma turma de estudantes de jornalismo de Porto Alegre, então, querer falar sobre as nuances de toda uma nação continental? Essa questão, trazida durante as aulas em que debatíamos o tema da revista, nos provocou a abrir nossos olhos para um dos principais aspectos do que é comum em ser brasileiro: a diferença. 

E essa diferença está em todos os lugares. Ora na forma de diversidade, em que se apresenta como uma qualidade do povo que é múltiplo, ora como desigualdade, reforçando que ainda temos um longo caminho pela frente até atingirmos um bem-estar social.

Depois que começamos a perceber essa sutileza no cotidiano, ela já não tem o pudor de se esconder em parte alguma. Seja no aspecto micro, como a vida dos indígenas da Aldeia Mbya Guarani ou dos pouquíssimos milionários do Brasil, até nos temas de abrangência nacional, como a fome e a pobreza menstrual.

Por isso, se tem uma coisa que faz nosso país ser plural, é a diversidade de gente espalhada por aí. Gente que desmistifica o preconceito sobre as religiões de matriz africana. Gente que quebra os padrões de beleza em busca da cultura do Body Positive. Gente que cria a primeira bancada negra numa Câmara de Vereadores em que ser negro é excessão.

As pautas desta edição levantam questões pertinentes a todo um território. Quem são as pessoas mais impactadas pela degradação do meio ambiente? As pessoas LGBTQIA+ se sentem representadas pelos estereótipos mostrados na mídia? Os refugiados que vêm para o Brasil são bem acolhidos? E quem escolhe residir aqui por vontade própria, o que acha de ser brasileiro?

Nestas 19 reportagens estão temas tão diversos quanto o país do futebol. Pegue seu café, chimarrão, tereré, cajuína ou água de coco e, com a sua leitura, perceba como o nosso país pode ser um Brasil Plural.

Comissão editorial
editorialsextante@ufrgs.br


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para sempre

Foi um semestre duro. A terceira experiência de fazer a revista Sextante no formato digital foi marcada pelo cansaço das telas, pela saudade do convívio, pelo esgotamento do trabalho a distância. O jornalismo, que é fundamentalmente construído em equipe, e a sala de aula, que é local de troca, continuaram sendo obrigados a se reinventar neste mundo que se mantém pandêmico. Mas não foi só isso.

Em um domingo, 8 de agosto, antes de nossa segunda semana de aula, perdemos, na Fabico, o professor Alexandre Rocha. E foi mais ainda do que isso. Em outro domingo, 7 de novembro, duas semanas antes de apresentarmos esta edição para o público, foi a vez do professor Flávio Porcello nos deixar.

Onde encontrar forças para seguir adiante? Entre nós. Quando enxergava o rosto de cada aluno e aluna, quando recebia uma mensagem entusiasmada sobre uma entrevista que havia dado certo, quando via as postagens nas redes sociais da revista, quando chegava uma belíssima ilustração, eu lembrava de como fazer jornalismo dentro da universidade nos dá fôlego para continuar. Especialmente esta edição, em que repórteres mostram a maravilha de morarmos em um país tão plural, e, por outro lado, não aceitam um Brasil tão desigual, é a confirmação da importância do nosso ofício. Do jornalismo vibrante, que o Porcello tanto admirava. Da sala de aula crítica, que o Alexandre tanto estimulava.

Na Sextante 57, também oferecemos um pouco mais do nosso trabalho para os leitores. Criamos uma seção com todas as pautas das reportagens, cada uma com uma pequena análise sobre o que deu certo e o que teve que ser modificado em relação ao que havia sido planejado. Apresentar essa etapa do trabalho à qual o público não tem acesso nos pareceu ser uma forma de tornar o fazer jornalístico mais claro e transparente. Mesmo que de longe, conseguimos trabalhar em equipe, compartilhar conhecimento e enfrentar a dureza do semestre juntos. Os alunos e alunas que construíram esta edição em breve concluirão o curso de Jornalismo, e inevitáveis obstáculos surgirão, mas nunca mais estarão sós na profissão que escolheram. Esta edição é dedicada para o Alexandre e para o Porcello. Eles fazem parte da vida de cada um de nós. Todos aqui fazemos, e para sempre.

Thaís Furtado
thais.furtado@ufrgs.br


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