Sextante

Cada segundo importa

Conceito

O objetivo da reportagem, dentro do tema central “Tempo”, é compreender e explicar como profissionais que atuam diariamente no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) correm contra o tempo para salvar vidas e prestar o atendimento o mais rápido possível quando acionados.

Criado em 27 de abril de 2004, por meio do Decreto Nº 5.055, o Samu foi originado visando à implementação de ações com maior grau de eficácia e efetividade na prestação de serviço de atendimento à saúde de caráter emergencial e urgente. O serviço é gratuito, podendo ser acionado pelo número 192, e funciona 24 horas por dia e sete dias por semana. 

Comumente tratados como sinônimos, os termos emergente e urgente guardam diferenças. A urgência está associada a intervenções que necessitam de atendimentos, mas sem risco imediato de morte, ao passo que as emergências necessitam de suporte o mais rápido possível, tendo em vista que são situações em que há risco imediato de morte.

O atendimento é feito de acordo com as classificações, que norteiam a gravidade de cada situação ocorrida. Há quatro tipos de classificações. O nível 1 tem prioridade total, pois a vítima corre risco de vida e precisa de atendimento urgentemente. O nível 2 é quando a ocorrência tem prioridade moderada, precisa-se de atendimento urgentemente, mas a vítima não corre risco de vida iminente. O nível 3 é a urgência de prioridade baixa, nesse caso a pessoa não tem risco de vida ou a perda de funções e pode aguardar atendimento. Por último, o nível 4 corresponde à urgência de prioridade mínima, em situações em que a pessoa não necessita de atendimento pré-hospitalar, apenas orientações médicas.

Conforme o Ministério da Saúde, o atendimento do Samu começa a partir do chamado telefônico, quando são prestadas as primeiras orientações. Os técnicos do atendimento telefônico que identificam a emergência coletam as primeiras informações sobre as vítimas e a sua localização. Posteriormente, as chamadas são enviadas ao Médico Regulador, que presta orientações de socorro às vítimas e aciona as ambulâncias quando necessário.

Em Gravataí, de acordo com a coordenadora do Samu da cidade, Jane Fraga, são realizados mensalmente cerca de 900 atendimentos, ou seja, uma média de 30 atendimentos diários. De dezembro a março – períodos marcados por mais festas noturnas e temperaturas  altas – e nos meses que marcam o inverno, quando há doenças respiratórias sazonais, como gripe e resfriados, o número de chamados costuma aumentar. 

Tendo isso em vista, o intuito da reportagem é entender como é essa corrida diária contra o tempo para salvar vidas, em momentos em que cada segundo faz total diferença, tanto para aqueles que realizam os atendimentos, quanto para aqueles que necessitam do suporte.

Possíveis fontes

1 – Régis Renosto, diretor-médico do Samu de Gravataí com 18 anos à frente do SUS como emergencista.

2 – Cases de pessoas que tenham recebido atendimento do Samu e que sobreviveram por conta disso. Um possível é o músico Lucas Ramos, que era funcionário da Brigada Militar e estava cortando uma árvore, desequilibrou-se de uma escada e caiu sobre grades. Ficou pendurado durante horas, com o corpo sustentado pelos profissionais do Samu, que utilizaram morfina e oxigênio enquanto bombeiros cortavam as grades. Lucas foi levado às pressas para o Hospital Dom João Becker, o único de Gravataí, onde recebeu os atendimentos. Não ficou com sequelas e consegue trabalhar normalmente. 

3 – Profissional técnico auxiliar de regulação médica, que é o primeiro a atender a ligação quando a pessoa aciona o 192. Objetivo de entender e de explicar como funciona desde a ligação de uma pessoa necessitando socorro até, de fato, receber o atendimento de uma equipe do Samu. São segundos que fazem total diferença e que determinam a necessidade de envio de equipe e ambulância ao local com maior risco de morte ao paciente. 

Possíveis perguntas – médico Régis:

  1. Como é lidar diariamente com a corrida contra o tempo para salvar vidas, quando cada segundo pode ser crucial para o salvamento de uma pessoa?
  2. Embora seja um trabalho que tenha situações adversas e diferentes diariamente, tens alguma história que tenha te marcado em todos esses anos? Alguma história que te comoveu, que teve algum final feliz? 
  3. Quando e em quais casos de saúde o cidadão deve acionar o Samu? (Colocar como forma de serviço ao final da reportagem)
  4. Existem casos (ainda) mais emergentes e que devem ser solucionados com ainda mais rapidez? Se sim, quais?
  5. Como é a percepção de tempo para vocês, que lidam diariamente com casos de risco de morte? E como o tempo interfere na rotina de vocês?
  6. Existe algum outro tipo de serviço privado para casos emergentes? Ou (do mais pobre ao mais rico), eles acionam o Samu para receber os atendimentos?

Possíveis perguntas – paciente:

  1. Depois da experiência que você passou, como enxerga o trabalho do Samu? E qual a importância dele na tua vida? 
  2. Como foi o atendimento prestado pelo Samu? E quais os impactos desse atendimento na tua vida?
  3. Você lembra de algum momento marcante durante o atendimento da equipe? E quais pensamentos teve durante a operação?
  4. Durante todo o processo do acidente, qual foi a percepção do tempo que você sentiu? Passou rápido ou devagar?
  5. Você teve a sensação de que o atendimento aconteceu de forma rápida ou lenta?
  6. Diante da sociedade, qual a importância que o Samu possui?
  7. Avaliando o atendimento posteriormente, teve algo que você pensa que poderia ter sido feito de outra forma? Se sim, o que?

Possíveis perguntas – técnico auxiliar:

  1. Como funciona o trabalho de um técnico auxiliar de regulação médica?
  2. Como é o treinamento realizado com vocês para atender as mais variadas situações?
  3.  Quais são as principais demandas que vocês recebem diariamente?
  4.  Como você nota que o tempo interfere no teu trabalho? Como é trabalhar diariamente tendo que tomar decisões rápidas e cautelosas, ao mesmo tempo?
  5. Como acalmar a pessoa que está desesperada ligando e, mesmo assim, obter o maior número de informações possíveis sobre o ocorrido?
  6.  Vocês recebem muitas ligações falsas (trotes) no dia a dia? O quão isso é prejudicial para a população que realmente necessita de atendimento de urgência?
  7. Como é lidar diariamente com a corrida contra o tempo para salvar vidas?
  8. Durante a ligação vocês realizam orientações básicas de primeiros socorros? Ou isso fica a cargo da regulação médica?

Três conteúdos multimídia produzidos pelos repórteres (áudio, vídeo, infográficos, galeria de fotos etc.) para o site.

Galeria de fotos: 

  • Ambulâncias estacionadas na base do Samu.
  • Sirene da ambulância, captando o movimento das luzes.
  • Médico, enfermeiro e condutor dentro da ambulância com os recursos que utilizam para trabalhar.
  • Central de telefonemas: pessoas trabalhando; registro dos telefones.
  • Pessoas entrevistadas.

Áudios:

  • Trechos mais importantes e impactantes das entrevistas.

Vídeos:

  • Passagens do trabalho diário dos entrevistados.
  • Barulho das sirenes; ambulância saindo para realizar algum atendimento
  • Telefonista atendendo alguma ligação e mostrando como funciona esses segundos de ligação até a transferência
  • Trecho dos lugares de trabalho: base do Samu, telefonista (bairro Partenon, em Porto Alegre).
  • Criação de um vídeo curto, com menos de 3 minutos: entrevista com o médico e com o telefonista, com os takes dos atendimentos e com algum trecho marcante durante os depoimentos

Da pauta à reportagem 

A partir da definição da escolha do tema da 66ª edição da revista Sextante, nossa dupla começou a pensar possíveis pautas que pudessem ser abordadas em um tópico tão abrangente como o tempo, sem deixar de fugir da premissa de contemplar um assunto que tivesse relação direta com o proposto.

Pensando nisso, pensamos em discorrer sobre como atuam os profissionais do Samu e como é a relação do tempo para eles, tendo em vista que diariamente eles precisam correr contra o relógio para levar atendimentos à população o mais rápido possível. Isso sempre em questão de segundos, que, em situações de emergência, fazem total diferença.

Um contato que nos ajudou de forma muito importante nesse processo foi o médico emergencista Régis Renosto, diretor-médico do Samu de Gravataí. Logo no início, ele se propôs a gravar as entrevistas necessárias na própria base do Samu onde trabalha, permitir o acompanhamento em situação de atendimento na cidade – isso tudo dentro da própria ambulância, onde foram feitos vídeos, fotos e materiais multimídia – e sugerir contatos de pessoas que precisaram do suporte do Samu. 

Ainda que o contato e o retorno com a Central de Regulação do Samu Estadual tenha sido feito de forma rápida, inclusive quanto à solicitação de dados sobre atendimentos realizados pelo serviço que embasaram a reportagem, não foi possível fazer imagens, fotos e áudios da entrevista realizada com a telefonista auxiliar de regulação médica. Isso dificultou, em parte, o acesso aos relatos diretos da fonte, mas não atrapalhou as perguntas sugeridas nem o formato pensado para o trabalho. 

Contrariando as nossas expectativas iniciais, a fonte mais difícil de obter retorno foi a entrevista com algum paciente que foi atendido pelo Samu. Após variadas formas de contato, não obtivemos retorno com o músico Lucas Ramos, sugerido na pauta. Além disso, tivemos dificuldades para conseguir marcar uma entrevista com a enfermeira que recebeu atendimento, em função de agendas de trabalho e de estudo. 

Ainda assim, desde a escolha das fotos até a entrega da edição final da reportagem, tudo foi feito conforme o planejado e o esperado pela dupla. Desejamos que aqueles que possam ler a reportagem consigam entender e sentir o quão complexa é a rotina de profissionais engajados nessa função.