Sextante

PAUTA DA REPORTAGEM

Compartilhando o lar

Como encontramos os nossos semelhantes e firmamos relações afetivas? O que nos une como família além do sangue? O que é e por que formamos família?

Muito além de só papai, mamãe e titia, encontrar-se em um grupo afetivo é um movimento sutil que faz parte de diversas etapas na vida, desde o momento em que nascemos – quando nos encontramos com os nossos genitores ou responsáveis –, até na hora em que começamos a nos relacionar na vizinhança, na escola, na faculdade, no trabalho, etc, ou seja, quando nos associamos afetivamente a pessoas que não tem o mesmo sangue que o nosso. Quando criamos as nossas relações de cuidado.

Segundo o IBGE, família é um “conjunto de duas ou mais pessoas ligadas por laços de parentesco, consanguinidade ou adoção na unidade doméstica, residente em domicílios particulares.” A música “Família”, lançada em 1986 pela banda Titãs, também apresenta uma composição bastante tradicional que inclui pai, mãe, filhos, tias e avós, que, como cita a letra, almoçam e jantam juntos todos dias. Em paralelo a isto, surgem alguns questionamentos: o que é e como formamos família atualmente? Como encontramos as pessoas que vamos dividir o lar intimamente? Qual a condição para chamarmos um grupo de pessoas de família? Como acontece o encontro daqueles que formarão um núcleo familiar?

Além de tentar responder a essas questões, a reportagem pretende entender como funcionam as novas formações de família e como se dão as associações afetivas que fazem com que nos encontremos em “famílias”, grupos ou tribos, além do vínculo sanguíneo e da formação tradicional. Além disso, a matéria busca explorar o que é família, qual a importância de encontrarmos os nossos semelhantes, e pertencermos a um grupo social deste tipo. Também será abordado um possível desencontro com a família via vínculo sanguíneo.

Como gancho, poderá ser utilizada algumas reflexões da filósofa estadunidense Donna Haraway, que lançou o livro “O Manifesto das Espécies Companheiras” em 2021, que trata dos relacionamentos de pessoas entre outras espécies no geral, mas que também reflete sobre formas de parentesco, utilizando o slogan “Faça Parentes, Não Bebês!”.

Possíveis fontes

  • Adriana Wagner — professora e pesquisadora da UFRGS, coordena o Núcleo de Pesquisa Dinâmica das Relações Familiares
  • Claudia Fonseca — professora e pesquisadora da UFRGS na área da antropologia, estuda parentesco entre outras áreas. Lançou o livro “Família, Fofoca e Honra”
  • Cases — pessoas que se encontram em uma nova configuração de “família”, sem ser necessariamente vínculo sanguíneo, mas por meio do afeto. Exemplo: amigos/amigas que moram juntos há muitos anos, que formaram um grupo familiar e/ou pessoas que se desencontraram da família de sangue.

Perguntas

Adriana Wagner e Claudia Fonseca

  • No campo da psicologia/antropologia, como podemos definir família?
  • Qual a importância dela na nossa formação como seres humanos, tanto na infância quanto na fase adulta?
  • A família, como conjunto de pessoas ligadas por parentesco, que tem vínculo sanguíneo, pode ser comparada às relações de amizades? Como elas são semelhantes ou diferentes?
  • Por que temos a necessidade de conviver e interagir com os nossos semelhantes, porque formamos novos laços?
  • O que seria uma família ideal?
  • Falando em novas configurações de família, qual é a primeira coisa que vem à sua cabeça?

Cases

  • Como vocês se encontraram?
  • Como vocês descreveriam a relação de vocês?
  • O que vocês mais gostam de fazer juntos?
  • Se você tivesse que citar cinco integrantes da sua família, quem vocês citariam?
  • Vocês têm contato com os parentes/familiares que possuem vínculo sanguíneo? Como é a relação de vocês?
  • O que uniu vocês? Se vocês pudessem citar uma palavra que representasse essa união, qual seria?
  • Tem alguma lembrança específica em que vocês perceberam que houve um encontro de afeto entre vocês?
  • Tem algum objetivo, alguma foto, algo que vocês guardam que representa esse sentimento de afeto/encontro/família?
  • O que é família para vocês?

Conteúdo multimídia

Galeria de fotos com imagens dos cases, áudios das entrevistas, vídeo rápido sobre o que é família.

Da Pauta à Reportagem

Recentemente me mudei da casa da minha família de origem e encontrei outras pessoas com quem pude compartilhar o lar e construir uma rede de apoio cercada de afeto e acolhimento. Isso significou tanto pra mim que me instigou a saber mais sobre famílias e tentar entender como um grupo familiar se forma.

Encontrar profissionais que estudam o assunto foi tranquilo. A minha maior dificuldade mesmo foi achar pessoas que se encontravam em uma formação familiar, mas que não tinham laços sanguíneos. Logo conheci três estudantes que dividem apartamento e ali eu soube que tinha encontrado um ótimo case, afinal, elas tinham uma história muito parecida com a minha. Gisela e Iramira entraram na minha reportagem muito por acaso. Depois de demonstrar preocupação com o case que faltava, numa reunião de pauta da turma, uma colega me falou da Irmã Gisela. Tive uma ótima conversa com ela, uma pessoa que tinha muito o que contar e um enorme carinho por sua amiga. 

Me preocupei em como iria costurar a história das três jovens e das duas religiosas, mas, depois das entrevistas, vi que muitos sentimentos uniam essas relações. Apesar das preocupações pelo caminho, foi muito legal encontrar pessoas tão diferentes, mas que têm tanta coisa em comum para dizer. Transformar pequenas e grandes histórias em uma reportagem e aprender mais sobre um assunto específico foi uma experiência muito legal.