Sextante

PAUTA DA REPORTAGEM

Garfinho mágico

O que são os transtornos alimentares e como as crianças os vivenciam durante a infância?

O assunto em torno dos transtornos alimentares tem se popularizado nos últimos anos, principalmente com  a disseminação das redes sociais. Porém, nem todas as pessoas conseguem entender o que são cada um deles e perceber que crianças também são afetadas. A reportagem foca na compulsão alimentar e na seletividade, que são os transtornos mais comuns em crianças.

Fundamentação

Um estudo publicado por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina, em 2023, mostrou que mais de 20% dos jovens apresentam algum tipo de Transtorno Alimentar (TA). Ou seja, uma em cada cinco crianças  vivenciam problemas em relação à comida no mundo. Além disso, o estudo mostrou que a prevalência do TA é maior em meninas (30%) do que em meninos (17%) e que  há maior proporção dos casos em crianças com maior índice de massa corporal, revelando que os transtornos estão relacionados diretamente com o excesso de peso corporal. 

Os casos mais comuns de TA são compulsão alimentar e seletividade em crianças e anorexia e bulimia em adolescentes. Uma revisão sistemática realizada pelo International Journal Of Eating Disorders sinaliza o crescimento das entradas hospitalares de crianças com transtornos alimentares (no mundo todo). 

A partir desses dados e da opinião de especialistas na área, é possível perceber que os transtornos alimentares têm acometido cada vez mais crianças nos últimos anos e têm interferido significativamente na qualidade de vida delas. Além de consequências comuns, como a obesidade infantil e deficiência de nutrientes, o TA também impacta a vida social dessas crianças, gerando problemas psicológicos para a vida inteira. 

Fontes

  • Ariane Migliorin, nutricionista com enfoque em tratamento de crianças com transtornos alimentares. 
  • Edson Junior Silva da Cruz, doutor e mestre em psicologia pela Universidade Federal do Pará.
  • Ana Paula Abreu, nutricionista do grupo Tutti Frutti Nutricional
  • Vanessa Machado da Costa, coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial à Infância e Adolescência (CAPSi) do Grupo Hospitalar Conceição.

Questionamentos que guiaram a apuração 

  • Quais são os principais fatores para o início desses transtornos?
  • Como perceber que essas crianças estão passando por esse quadro clínico? 
  • Qual o papel da nutrição e da família durante o tratamento?
  • Como diferenciar uma fase normal do desenvolvimento de um quadro que merece atenção?
  • Qual é o papel das emoções e do ambiente familiar na relação da criança com a alimentação?
  • Quais fatores emocionais podem estar relacionados com a  compulsão alimentar infantil? (ansiedade, estresse, frustração e solidão podem se manifestar através da comida?)
  • Como é feita a introdução e educação alimentar de forma correta?
  • Como se dá os transtornos alimentares em crianças com autismo?
  • Como usar o lúdico para o tratamento de crianças com TA?
  • Quais são as melhores políticas públicas para enfrentar o crescimento dos transtornos alimentares em crianças?

Fotos

  • Crianças almoçando
  • Alimentos de plástico

Conteúdo multimídia 

  • Audiodescrição da reportagem
  • Galeria de fotos feitas durante a reportagem
  • Infográfico sobre os métodos de introdução alimentar Baby-Led Weaning e tradicional

Redes sociais

  • Carrossel em alusão ao Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares
  • Reels de crianças falando sobre a sua relação com a comida

Referências

> Mais de 20% dos jovens apresentam Transtorno Alimentar

> Uma em cada cinco crianças sofre de algum transtorno alimentar

> Distúrbios alimentares na infância podem impactar o desenvolvimento ao longo da vida

Da pauta à reportagem

Na hora que o tema Infâncias foi escolhido, sabíamos que deveríamos escrever uma reportagem que combinasse atualidade com conscientização. Com uma geração tão marcada por redes sociais, chegamos a conclusão que dois assuntos pairavam sempre no ar: a pressão estética e os distúrbios mentais. Quando pensamos nas duas pautas, percebemos que juntas elas culminam em transtornos alimentares. A partir de uma pesquisa rápida na internet, ficou visível que a pauta no universo adulto já foi bastante discutida, porém quando ia para área infantil encontramos poucos trabalhos jornalísticos.

Ao adentrar esse universo, realizamos pesquisas para termos base teórica na produção da reportagem. Durante esse processo, descobrimos que dois transtornos alimentares são os mais recorrentes em crianças no mundo: a compulsão alimentar e a seletividade alimentar. Com o recorte escolhido, nossa missão foi conversar com profissionais das áreas da nutrição e psicologia. Entrevistamos a nutricionista Ariane Migliorin que nos deu luz acerca das consequências e tratamentos possíveis. Também falamos com o psicólogo e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Edson Júnior Silva da Cruz, e com a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) do Hospital Conceição, Vanessa Machado da Costa, para entendermos as causas desses transtornos e de que forma a psicologia trabalha com essas crianças.

Após a fase de entrevistas com especialistas, sentimos que ainda faltava o contato com crianças, o grande case da nossa reportagem. Foi a partir daí que chegamos na Escola Tarsila, na zona sul de Porto Alegre, para acompanharmos a rotina de alimentação dos alunos junto com a nutricionista Ana Paula Abreu. Lá pudemos vivenciar o momento de almoço junto com as crianças, vendo como elas interagiam com a refeição e percebendo a importância do cuidado da nutricionista junto com a equipe pedagógica.

Fazer a reportagem foi uma experiência enriquecedora. Sair do hard news e aprender a colocar as emoções que vivenciamos ao longo da produção foi aprender um pouco mais sobre o nosso lugar como jornalistas no mundo. A busca por entender como esses transtornos impactam a vida das crianças fez com que adquiríssemos consciência e conhecimento sobre a relação delas com a alimentação.