“Algo é o nome do homem
Homem é o nome do cara
Cara é o nome do rosto
Homem é o nome do outro”
Arnaldo Antunes em Nome
TÍTULO PROVISÓRIO: “PREDICADO NOMINAL”
Pauta: Nomes em homenagem a outras pessoas da família, que denotam raízes.
Enfoque específico: Busco abordar as motivações em batizar as pessoas “de forma hereditária”. Conforme a temática da revista, o que está por trás, literalmente, entendendo que já há uma carga antecedente desde o nascimento.
Fontes:
- 1) Fabiana Silva Chaves, servente de uma pensão em Porto Alegre; Luiz Otávio da Silva Neto (seu filho) e Luiz Otávio da Silva, sogro de Fabiana.
- 2) Hélio Gomes dos Santos (Seu Hélio) e Hélio Marcon dos Santos (Helinho) – pai e filho, organizadores de uma casa espírita, em Canoas. Um diferencial é o filho herdar o sobrenome da mãe (falecida há alguns anos, inclusive). Perguntar a eles quais as impressões que a mãe tinha; se por parte dela houve uma “boa” discordância: se queria “JR” ou “Filho” ou batizar com outro nome, senão Hélio.
- 3) Contribuição acadêmica: fonte da antropologia ou sociologia, respondendo de que forma o nome forja quem o carrega? Qual a dor e a delícia de carregar o nome do pai ou avô, e o que diz esse fenômeno no contexto brasileiro? A questão “nome social”: isso traduz uma buscar raízes para sentir pertencimento?
Quadro “Celebridades”: nomes de batismo pouco conhecidos (Durval de Lima Junior, o da Sandy) / O ex-jogador “Junior Cesar”, assim mesmo, e “Juninho Paulista” e “Juninho Pernambucano” que, até jogarem no mesmo time, não carregavam o estado natal como alcunha / Sobrenomes acrescentados / Fernanda Montenegro (Arlete, de batismo) e Fernanda Torres + Susana Vieira (de batismo, o da irmã: “Sônia”) / O contexto americano: “Michael Joseph Jackson”, comum o nome do meio, do filho, ser o primeiro do pai.
Fotos: Fabiana na cozinha da pensão, segurando uma foto recente e de grandes dimensões, do neto e o avô juntos. Pra garantir, 2 imagens: uma horizontal e outra vertical.
Multimídia: 1) Áudio de uns 30 segundos do Luiz Otávio “avô”, casando com lances do neto jogando futebol nas categorias de base. 2) Árvore genealógica básica da minha família: 1 minuto, com a minha voz, apresentando os devidos nomes (invariavelmente exóticos) foto por foto. Finaliza com o meu sobrinho, “assinando” o vídeo falando “Erivaldo JR” do jeito dele.Instagram: Reels com colegas, profes, conselho, Ilustraê etc. etc. Quem quiser colaborar, uns 5 ou 6 segundos dizendo “Meu nome é ____ por causa da (o) ___” em meio ao template baseado no álbum Nome e o instrumental da música, do Arnaldo Antunes.
Da pauta à reportagem
A pauta “nomes” foi gestada quando cursava Biblioteconomia. Mais precisamente no Ensino Remoto Emergencial (ERE) dos idos de 2020, naquelas disciplinas que apresentam ao aluno uma vertente do curso: a busca da informação. Poderosa ferramenta, e de baixo custo, a pergunta “E se…?” ganhou validade para pesquisar no Facebook pessoas com o nome “Roberta Carla”.
Cinco anos depois, essa busca realmente foi feita, servindo como ponto de partida. A reportagem escrita por mim para a Sextante versa sobre nomes e hereditariedade – pessoas que carregam no RG “Junior”, “Neto” ou, incrivelmente, filha com o mesmo nome e sobrenome da mãe.
Foi marcante eu não ter saído a campo para fazer a matéria (algo impensável décadas atrás; anos atrás, possível mas ainda não aceito): o saldo? Apuração pelo WhatsApp com duas fontes; a terceira, por e-mail e a quarta, prata da casa – vindo de onde tenho moradia em Porto Alegre. Desde 2024 morando no local, já não sei quem recebe quem. A funcionária chega de manhã cedo e, a partir dos depoimentos dela sobre seu filho buscando ser jogador, soube que o menino carrega o nome do avô.
Das fontes que entrevistei, José – que é Junior como eu – foi o que mais provocou em mim uma sensação de nostalgia, um certo subtema das raízes. O conceito, abstrato, foi pouco discutido pela turma. A idêntica percepção crítica dele era acompanhada por mim, quando menos jornalista e mais espectador, desse sentimento, especialmente através das fotos que ele me enviou.
Do brainstorm durante a própria aula a recentes pedidos por exemplares da revista impressa, situações e seus variados graus de intensidade influenciaram no produto principal: a reportagem impressa. Previsível, porque marca minha trajetória na graduação em Jornalismo, pela UFRGS, assino a matéria sozinho.
Dos 5 mil caracteres exigidos, alcancei com certa naturalidade os mesmos 8 mil para as duplas – não nego estar orgulhoso disso. O ponto negativo foi, no início da apuração, não ter conseguido contato com uma fonte que seria interessante na construção do texto.