Sextante

PAUTA DA REPORTAGEM

Sementes de Fé

Perguntas norteadoras

  • Quem é o orixá Ibeji?
  • Qual a história da mitologia e origem africana por trás da criação desse orixá no batuque?
  • Como funciona uma Mesa de Ibeji?
  • Como funciona a inclusão das crianças na Mesa de Ibeji?
  • Qual é a experiência de uma criança que cresceu em contato com a religião do batuque?

Explicar a representação do orixá Ibeji no Batuque e compreender a participação social e religiosa das crianças nos terreiros/Ilês.

Ibeji é o orixá do Batuque que protege gêmeos e crianças e simboliza a inocência, alegria e renovação. Também cultuado no Candomblé e Umbanda, é sincretizado com São Cosme e Damião na fé católica e tem culto vinculado com os orixás Oxum e Xangô. Sua energia traz equilíbrio, mas também travessuras, sendo celebrado com comidas típicas africanas, brasileiras e com doces diversos. Seu principal ritual é a Mesa de Ibeji, que celebra o orixá gêmeo, em que um banquete de comidas e doces é oferecido a 12 crianças para abençoá-las com prosperidade, saúde e axé.

O terreiro tem função comunitária, além de religiosa, e muitas vezes reúne linhas de famílias inteiras envolvidas com a prática, e as crianças são parte essencial desse convívio e conexão. Elas estão presentes como filhos da casa, familiares de filhos da casa adultos e de visitantes. Crianças podem participar de diversos rituais e momentos diários de cuidado com a casa de religião, como preparação de alimentos, organização do terreiro, rezas e rituais como nação (no batuque) ou giras (na umbanda).

Dados

O Rio Grande do Sul é o estado brasiliero que reúne a maior proporção de praticantes de umbanda e candomblé, de acordo com os resultados preliminares do Censo Demográfico do Brasiliero de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que 3,2% da população gaúcha segue alguma religião de matriz africana. No Brasil, essa proporção é de 1%. Segundo o censo, quatro religiões de matriz africana são as mais praticadas no RS: umbanda, candomblé, batuque e quimbanda.

Resultados preliminares do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo IBGE mostram que 3,2% dos gaúchos — mais de 300 mil pessoas — seguem a umbanda, o candomblé e outras religiões de matriz africana, como o regional batuque. É o maior percentual entre todos os estados. No Brasil, essa proporção é de 1%. Porto Alegre é a capital com maior proporção de praticantes das religiosidades africanas – são 6,36%, percentual bem superior ao de São Paulo (2,29%), Salvador (2,78%) e Rio de Janeiro, por exemplo.

Entrevistas

  • Mãe Cláudia Chu de Xangô Ibeji, regente do Ilê Afro Xangô Ibeji em Alvorada. A entrevistada tem forte presença política no combate à intolerância religiosa, promove encontros sobre ancestralidade para escolas e é representante da Associação Cultural ligada ao Ilê. 
  • Crianças e acompanhantes de crianças participantes da Mesa de Ibeji. 
  • Hendrix Silveira, pai de santo, historiador, doutor em teologia pela Faculdade EST e pesquisador de religiões afro-brasileiras, como o Batuque no Rio Grande do Sul.

Fotos

  • Ação de Páscoa 05/04
  • Foto das crianças da comunidade brincando em torno do terreiro, recebendo os doces de páscoa; 
  • Mãe Claudia no salão
  • Iris em frente ao congá
  • Mesa de Ibeji 11/04
  • Preparações no terreiro para a mesa de Ibeji, preparação das comidas, arrumação da Mesa,
  • Alimentos

Multimídia 

Redes

  • Carrossel de cards informativos sobre os alimentos presentes na Mesa de Ibeji 
  • Reels: Conheça a reportagem da Sextante sobre Ibeji, a única divindade criança do batuque gaúcho

Observação

Há poucas referências bibliográficas sobre o batuque no Rio Grande do Sul, e sobre Ibeji no batuque, sendo as informações específicas sobre o orixá e seu culto muito variadas de acordo com o terreiro consultado. Os conhecimentos são passados por gerações de famílias e há práticas variadas de acordo com a região e a “linha” seguida, sendo uma tradição historicamente reservada. Portanto, na reportagem descrevemos as definições do orixá Ibeji e as lendas e tradições da religião de acordo com os relatos das fontes consultadas, além da nossa própria experiência com o batuque na região metropolitana de Porto Alegre.

Da pauta à reportagem

A pauta surgiu de memórias de infância das repórteres, de contato com religiões afro-brasileiras como batuque e umbanda. De mesas de “cosminho” da umbanda, à mesas de Ibeji, a sensação de estar no terreiro, comendo doces e na presença da comunidade religiosa, o batuque na infância é lembrado com carinho. 

A partir da decisão da turma de falar de infâncias, o orixá Ibeji – retratado como duas crianças – inspirou a pauta da reportagem. Depois disso, o trio pensou em como abordar crianças envolvidas no batuque, e a relação delas com a fé.