Como deve ser realizada a profilaxia pós-exposição (PEP) ocupacional e sexual?

Publicado em 07/04/2017

Pergunta-da-Semana

Inicialmente, deve-se realizar a investigação diagnóstica com testes rápidos para HIV, hepatites B e C na pessoa exposta e na pessoa fonte.

Hepatite B:

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Fonte: adaptado de Centers for Disease Control and Prevention (2013).

*A aplicação da imunoglobulina e da primeira dose da vacina contra hepatite B devem ser feitas simultaneamente, em locais diferentes. Tanto a vacina quanto a imunoglobulina devem ser aplicadas dentro do período de 7 dias após o acidente, mas, idealmente, nas primeiras 24 horas após o acidente. Nos casos de violência sexual, o prazo máximo é de até 14 dias. O esquema vacinal com intervalos de zero, um e seis meses.

Para excluir a possibilidade de a pessoa fonte ou a pessoa exposta estar na janela imunológica de um quadro agudo (ou em fase de convalescença de hepatite B), deve-se solicitar também o anti-HBc IgM para a exposta, quando o HBsAg for negativo.

Se a pessoa exposta não estiver imunizada para hepatite B e a pessoa fonte for HBsAg positiva ou anti-HBc IgM positiva ou desconhecida, deve-se solicitar HBsAg para a pessoa exposta, 3 e 6 meses após o acidente.

Para determinar a imunidade, a pessoa exposta deve ter um teste anti-HBs realizado 1 a 2 meses após a última dose do esquema de vacinas para Hepatite B e pelo menos 6 meses após a administração de IGHAHB.

Hepatite C:

Não há tratamento profilático. Deve-se solicitar anti-HCV (teste rápido) para a pessoa fonte, quando disponível.

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Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2017)

Deve ser feito o seguimento da pessoa exposta se a pessoa fonte tiver anti-HCV positivo ou não for possível realizá-lo:

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Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2017).

Durante o seguimento, encaminhar para serviço especializado a pessoa com HCV-RNA (PCR) positivo e encerrar o caso daqueles com HCV-RNA (PCR) negativo e anti-HCV negativo após 180 dias do acidente.

HIV:

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Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2017).

A PEP deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 2 horas após a exposição, tendo como limite 72 horas subsequentes à exposição. A duração da PEP é de 28 dias. O esquema preferencial para PEP é: Tenofovir (TDF) + Lamivudina (3TC) + Atazanavir/ritonavir (ATV/r).

  • Tenofovir (TDF)/Lamivudina Comprimido de 300 mg/300 mg (TDF e 3TC estão disponíveis na apresentação de dose fixa combinada (DFC), sendo esta a apresentação preferencial): 1 comprimido VO 1 vez ao dia
  • Atazanavir (ATV) Comprimido de 300 mg: 1 comprimido VO 1 vez ao dia
  • Ritonavir (r) Comprimido de 100 mg termoestável: 1 comprimido VO 1 vez ao dia

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Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2017).

Demais medidas preventivas após exposição sexual:

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Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2017).

 

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Exposição a materiais biológicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção e tratamento dos agravos resultantes da violência sexual contra mulheres e adolescentes: norma técnica. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/prevencao_agravo_violencia_sexual_mulheres_3ed.pdf>. Acesso em: 06 abr. 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para profilaxia antirretroviral pós-exposição de risco à infecção pelo HIV. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/publicacao/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-profilaxia-antirretroviral-pos-ex-0>. Acesso em: 06 abr. 2017.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. CDC guidance for evaluating health-care personnel for hepatitis B virus protection and for administering postexposure management. MMWR Morb. Mortal. Wkly. Rep., Atlanta, v. 62, n. 10. Dec. 2013. Disponível em: <https://www.cdc.gov/mmwr/pdf/rr/rr6210.pdf>. Acesso em: 06 abr. 2017.

WEBER, D. J.; RUTALA, W. A.; ERON, J. Prevention of hepatitis B virus and hepatitis C virus infection among healthcare providers [Internet]. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em: <http://www.uptodate.com/contents/prevention-of-hepatitis-b-virus-and-hepatitis-c-virus-infection-among-healthcare-providers>. Acesso em: 06 abr. 2017.

WORLD GASTROENTEROLOGY ORGANISATION PRACTICE GUIDELINES. Hepatite B [Internet]. [S. l.] : WGO, 2015. . Disponível em: <http://www.worldgastroenterology.org/UserFiles/file/guidelines/hepatitis-b-portuguese-2015.pdf>. Acesso em: 06 abri. 2017.

TELESSAÚDERS-UFRGS. Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul [Homepage]. Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS, 2017. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/telessauders/>. Acesso em: 06 abr. 2017.

Teleconsultoria respondida por: Camila Furtado de Souza, Teleconsultora do TelessaúdeRS/UFRGS, Médica de Família e Comunidade, Graduada em Medicina pela Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, Doutora em Ciências Médicas: Endocrinologia pela UFRGS, Mestre em Ciências Médicas: Endocrinologia pela UFRGS  e fez Residência médica em Medicina de Família e Comunidade pelo HCPA, Elise Botteselle de Oliveira, Teleconsultora Auditora do TelessaúdeRS-UFRGS, Médica de Família e Comunidade, Mestre em Epidemiologia pela UFRGS e Graduada em Medicina pela UFCSPA e Jerônimo De Conto Oliveira, Médico Gastroenterologista, Teleconsultor médico do TelessaúdRS-UFRGS, Graduação em Medicina pela UFRGS, Residência médica em Medicina Interna no HCPA, Residência médica em Gastroenterologia no HCPA e Residência médica em Endoscopia Digestiva no HCPA.

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