CEEI

Histórico

Como iniciamos nossa trama coletiva?

O Coletivo Tessituras, vinculado à Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FACED/UFRGS), desenvolve ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à educação inclusiva, compreendendo a escola como espaço vivo de relações, diferenças, aprendizagens e transformações. Sua trajetória é marcada pela construção coletiva de conhecimentos e pela valorização das vozes que constituem o cotidiano escolar. A história do Coletivo está profundamente entrelaçada à trajetória do Fórum pela Inclusão Escolar, cuja origem remonta a 2007, quando profissionais das Escolas Especiais de Porto Alegre se mobilizaram em defesa do direito à educação e diante das mudanças propostas pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, de 2008. O movimento resultou na criação do Fórum pela Inclusão Escolar, lançado em 10 de junho de 2007, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, constituindo-se, desde então, como importante espaço de diálogo, formação e participação política sobre a educação das pessoas público da Educação Especial. A partir de 2019, o Coletivo Tessituras intensificou sua parceria com o Fórum, consolidando uma trajetória de formação continuada, pesquisa e extensão. Nesse percurso, foram desenvolvidas diferentes ações formativas, entre elas o curso Educação Inclusiva: Tessituras do Fazer Pedagógico, inicialmente como curso de extensão, em 2019, posteriormente ampliado para curso de aperfeiçoamento, em 2022, e consolidado em nível de especialização entre 2024 e 2025, com foco no Atendimento Educacional Especializado. Também foram realizadas ações voltadas à Formação de Profissionais de Apoio à Inclusão, que, entre 2025 e 2026, possibilitaram a formação de centenas de profissionais. Em 2026, duas turmas do Curso de Extensão em Educação Inclusiva: Tessituras do Fazer Pedagógico - 3ª edição são ministradas pelo coletivo, sendo uma delas especificamente para professores e outra para gestores de escolas da educação básica. Essas experiências têm como princípio a formação como espaço de encontro, diálogo e reflexão sobre as práticas pedagógicas. Em vez de buscar modelos prontos ou respostas únicas, o Coletivo aposta na construção compartilhada de possibilidades, reconhecendo que cada escola, cada sujeito e cada contexto produz desafios e saberes singulares. A tessitura é, assim, mais que uma metáfora: constitui um modo de compreender a formação, a pesquisa e o fazer pedagógico. Diferentes fios, como a formação docente, extensão, pesquisa, produção acadêmica, políticas públicas e experiências escolares entrelaçam-se para produzir novos sentidos e possibilidades para a educação inclusiva. Cada experiência, narrativa e encontro acrescenta um ponto a essa trama coletiva. No campo da pesquisa, o Coletivo investiga as práticas produzidas no cotidiano escolar, buscando compreender como escolas, professores, gestores, profissionais do Atendimento Educacional Especializado e profissionais de apoio à inclusão constroem estratégias para garantir acesso, permanência, participação e aprendizagem dos estudantes público da Educação Especial. A escuta dos sujeitos que vivem diariamente a escola constitui elemento fundamental para dar visibilidade aos saberes, desafios e invenções que nem sempre encontram espaço nas políticas educacionais. A produção acadêmica também integra essa tessitura. Os cursos e projetos desenvolvidos pelo Coletivo resultaram em publicações que reúnem artigos, relatos de experiências, cartas pedagógicas, materiais formativos e pesquisas, aproximando a produção universitária das práticas e experiências construídas nas escolas.
Ao longo dessa caminhada, o Coletivo Tessituras reafirma a educação inclusiva como um processo permanente, sustentado pelo compromisso ético e político com o direito à educação e com o reconhecimento da diferença e da diversidade como potências. Defende uma escola plural, acolhedora e cidadã, na qual os diferentes tempos, modos de aprender, histórias, corpos e vozes possam constituir o cotidiano escolar.
É nessa perspectiva que seguimos entrelaçando fios e construindo tessituras: formando, pesquisando, escutando, compartilhando experiências e reinventando práticas. Uma trama feita por muitas mãos, no compromisso de construir uma escola para todos e uma sociedade em que a dignidade, a participação e o direito de existir em sua singularidade sejam reconhecidos como fundamentos da vida coletiva.