Primeira Ministra do Senegal. Nasceu na cidade costeira de Saint Louis. Pertence a uma família com muitos advogados. O pai e um dos irmãos trabalharam na Suprema Corte senegalesa, e outro lecionou Direito Internacional e ocupou cargo de direção na Universidade de Dakar. Quanto a ela, frequentou a escola primária na sua cidade natal, cursou o secundário no Liceu Faidherbe matriculou-se no curso de graduação em Direito na Faculdade de Ciências Jurídicas e Econômicas na recém-fundada Universidade de Dakar, completando o curso universitário no Centre National d’Études Judiciaries –CNEJ (Centro Nacional de Estudos Judiciários) (1969) de Paris.
Quando retornou ao Senegal, logo foi integrada ao mundo do judiciário, como assistente da promotoria, como juíza-assistente da Corte de Dakar e depois assumiu a presidência da Corte Senegalesa de Apelação. Fundou e presidiu a Associação de Advogados Senegaleses (1975-1990) e foi vice-presidenta da Federação Internacional de Advogadas (1978-1998). Conjugou o pioneirismo no campo jurídico com as causas femininas. Uma de suas maiores realizações foi a reforma do código legal da família senegalesa, que garantiu maior proteção às jovens, mulheres e esposas.
Madior Boye se afastou dos cargos públicos em 1990, ocupando cargo de diretoria na Compagnie Bancaire de l’Afrique Occidentale (Companhia Bancária da África Ocidental). Também permaneceu durante muitos anos na presidência da Association des Femmes Juristes du Senegal (Associação das Mulheres Juristas do Senegal), a associação de representação de advogadas, promotoras e juízas.
Tendo sido indicada Primeira Ministra por Abdoulaye Wade, líder do Parti Démocratique Sénégalais (Partido Democrático Senegalês), depois dele vencer a eleição presidencial em 2001, logo percebeu que seu cargo era meramente figurativo, o que gerou tensão e sua demissão, quando foi substituída por Idrissa Seck em 2002. Em parte, o afastamento também ocorreu como resposta às duras críticas contra ela feitas na imprensa e pela opinião pública, que a responsabilizavam pela pouca atenção dada à manutenção e segurança do navio Joola, que naufragou no litoral da Gâmbia provocando 1864 mortes e 64 pessoas feridas. Por este motivo, ela foi julgada e condenada por negligência em uma corte francesa, mas recorreu em uma corte de apelação, sendo absolvida em 2009.
Após a ocupação do cargo na administração, ela foi designada como Procuradora Geral do Senegal, e nos anos seguintes viria a desempenhar papel internacional no comitê de resolução de conflitos da União Africana (2004). Visitou áreas em situação de graves conflitos internos, como o Sudão e República Democrática do Congo. Na continuidade de sua carreira internacional, ela monitorou as eleições municipais na Túnísia em 2010, e reivindicou maior atenção da comunidade internacional ao grave conflito do Sudão, que viria a dar origem à secessão e fundação da República do Sudão do Sul.
Embora o seu nome continue a estar muito vinculado ao desastre do navio Joola, sua carreira pública e o seu envolvimento como defensora de direitos devem igualmente ser lembrados, e a aproximam de outras mulheres chefes de governo como Aissata Kane na Mauritânia.
BIBLIOGRAFIA
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Última atualização em: 22/01/2021
































