Mai Chaza (1914-1960)

Mai Chaza
Fonte da imagem: Muzi Ka Nkulunkulu. Disponível em: http://www.muzikankulunkulu.com/history-of-the-religion/. Acesso em 27 de dez. de 2020.

Líder religiosa e profeta da Rodésia do Sul, atual República do Zimbabwe, fundadora da igreja Guta ra Jehova em 1950. Seu nome era Thereza Nyamushanya, nasceu na aldeia do Chefe Chitsunge e iniciou sua vida religiosa junto aos metodistas americanos, o que lhe conferiu distinção social em relação às mulheres das áreas urbanas e rurais.

De acordo com os registros do Sínodo Metodista, Mai Chaza passou a viver com uma família metodista na cidade de Highfield após a morte de seu marido. Enquanto vivia em Highfield ela passou por uma experiência semelhante à de muitos profetas religiosos do sudeste da África: depois de um incidente de quase morte, ela milagrosamente voltou à vida anunciando que tinha ido ao Céu, se reconciliado com sua cunhada e conversado diretamente com Deus.

Mai Chaza, mãe de seis filhos, depois daquele incidente de conversão se reuniu com os líderes metodistas da região, pedindo para pregar nas comunidades próximas, o que foi recusado pelos líderes, todos homens. Então, em 1954, ela seguiu a “missão divina” a qual foi incumbida, inaugurando o seu próprio centro de cura e oração na comunidade de kendaka, na região  de Mashonalândia, a cerca de 160 km ao sul de Harare. Ela deu o nome à comunidade de Guta ra Jehova, ou “Cidade de Deus”, e passou a ser reverenciada como Mai Muponesi, a “Mãe Salvadora”.

As notícias logo se espalharam sobre os seus poderes de cura, principalmente no caso de mulheres inférteis engravidaram, entre outros. Alguns meses depois centro já contava com mais de 600 habitações e em torno de 2.500 seguidores. Na comunidade, as crenças do cristianismo metodista foram associadas com as práticas de cura das religiões tradicionais africanas.

Muito criticada pelos cristãos metododistas, a igreja fundada por Mai Chaza, integra o grande movimento de irradiação do cristianismo africano, que se baseia fortemente em bases carismáticas. Como poderosa vidente e profeta, e com grande capacidade de liderança, ela conferiu cidadania e dignidade aos seus(uas) seguidores(as), e a sua fama atraiu inclusive pessoas da elite sul-rodesiana. Quando ela morreu, acreditava-se que seu espírito reencarnou em Taxwell Tayali, de origem zambiana, porém o número de adeptos e seguidores tendeu a diminuir.

BIBLIOGRAFIA

ANDERSON, Allan. African reformation: african initiated christianity in he twentieth century. Trenton: Africa World Press, 2001. 

MOSS, Barbara. Mai Chaza and the politics of motherhood in colonial Zimbabwe. In: HIGGS, C.; MOSS, B.; FERGUSON, E. R. (Eds.).  Stepping forward: black woman in Africa and the Americas. Athens:  Ohio University Press, 2002.

SCARNECCHIA, Timothy. Mai Chaza’s Guta ra Jehova (City of God): healing, reproduction, and urban identity in an african independente church. Journal of Southern African Studies, v. 23, n. 1, p. 87-105, 1997.

SCARNECCHIA, Timothy. “Mai Chaza”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 46-48.

Última atualização em: 22/01/2021

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